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Roustainguismo
Por
Leonardo Arantes Marques.
Roustainguismo (A Verdade revelada
através da Mentira)
Revelação da Revelação
fundada por Jean Baptista Roustaing em 1865 na
França. O autor das obras os Quatro
Evangelhos, “julgou seguir um outro caminho.
Em vez de proceder por gradação, quis atingir
o fim de um salto. Dissemo-lo cem vezes, para
nós a opinião de um Espírito, seja qual for o
nome que traga, tem apenas o valor de sua
Opinião Individual. Convém, pois, até mais
ampla confirmação (Os Quatro Evangelhos), não
podem (nem devem) ser consideradas como partes
integrantes da Doutrina Espírita. Nosso
critério está na concordância universal,
corroborada por uma rigorosa lógica, para as
coisas que não podemos controlar com os
próprios olhos” 1. Existem milhares de
diferenças entre o Espiritismo e a Crença
fundada por Roustaing - Revelação da Revelação
(?). Nunca jamais devemos confundir ou aludir
qualquer semelhança entre estes dois
pensamentos (Espiritismo e Roustainguismo)
totalmente antagônicos entre si.
Se você quiser ser Roustainguista que seja,
mas nunca se diga Espírita, pois entre estes
dois pensamentos nada existe de comum, há não
ser as partes e os textos que o Sr. Roustaing
roubou descaradamente e os distorceu ao seu
prazer dos livros de Kardec. Os supostos
“ministros de Deus” que orientavam Roustaing
em seus extensos textos eram forças das trevas
e um abuso a inteligência racional humana.
"Pois os tais são falsos apóstolos, obreiros
fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de
Cristo. E não é de admirar, porquanto o
próprio Satanás se disfarça em anjo de luz.
Não é muito, pois, que também os seus
ministros se disfarcem em ministros da
justiça; o fim dos quais será conforme as suas
obras" 2.
Quem conhece um pouco sobre religiões e
mitologias, ao ler qualquer uma das obras de
Roustaing, perceberá logo de início que o
suposto nascimento fluídico de Jesus tão
pregado e divulgado pela suposta “revelação da
revelação” é pura e simplesmente uma cópia mal
feita dos nascimentos dos semi-deuses
greco-romano. Leia-se sobre a religião grega e
romana, principalmente no que concerne ao
nascimento dos semi-deuses. Quando Zeus
coabitava com alguma mortal, todas as gravidez
e nascimentos eram diferentes dos nascimentos
comuns dos mortais, mas igual em número e grau
ao apresentado pelo roustainguismo. Esse feito
se dava para diferenciar os semi-deuses dos
pobres mortais. O que Roustaing fez em suas
obras foi reviver nada menos e nada mais que o
docetismo do século I ou II d.C. pregado por
Dociteu e Saturnino que negavam o corpo carnal
de Jesus. Seria o senhor Roustaing a
reencarnação de um dos fundadores do docetismo?
Sabemos que todos trazemos de forma
inconsciente resquícios e traços de
existências que vivemos outrora e se Roustaing
prega e afirma com tanta veemência que o corpo
de Jesus era apenas aparente, deve ter tido em
algum momento de suas existências contato com
o pensamento docetista, se não foi um de seus
fundadores.
Nas obras de Roustaing Jesus não passa de um
saltimbanco e um bom mentiroso, mente desde o
nascimento até a crucificação. Fingiu todo o
tempo que esteve conosco, fingiu o nascimento,
as dores, os martírios e tudo o mais, e, o
pior de tudo é que envolveu pessoas inocentes
nisso e as iludiu também como um bom
ilusionista que era, segundo os quatro
evangelhos das trevas 3. Maria não passou de
um fantoche, um brinquedo do qual Jesus se
serviu para mentir e envolver a todos. Como
dissemos anteriormente existem milhares de
diferenças entre o Espiritismo e o
Roustainguismo, mas uma delas é de principal
acentuação, ou seja, a tese da vida aparente
de Jesus, que segundo Roustaing: Jesus teria
tido um corpo fluídico e não carnal. Logo,
Jesus teria sido um Agênere.
“Nisso conhecereis o Espírito de Deus; todo
o Espírito que confessa que Jesus Cristo veio
em carne é de Deus. E todo Espírito que não
confessa que Jesus Cristo veio em carne não é
Deus; mas este é o Espírito do anticristo, do
qual já ouviste que há de vir, e eis que está
já no mundo” 4. Os roustainguistas podem até
querer dizer que Kardec na Revista Espírita
não “condenou” esses Evangelhos, isso
realmente aconteceu porque Kardec além de
muito generoso era paciente o que não
acontecia com o Sr. Roustaing. Kardec sabia da
enfermidade sofrida por este e quis poupar-lhe
o desgaste emocional e se realmente Roustaing
quisesse a opinião de Kardec teria seguido o
conselho dado na Revista Espírita, e, com
certeza teria feito um levantamento e visto
que o que estava para ser editado não passava
de pura fantasia de menino. Dois anos antes
dos Quatro Evangelhos de Roustaing serem
editados, São Luiz e Erasto em mensagem na
Revista Espírita de 1863 a Sociedade
Parisiense de Estudos Espíritas, advertiu: “a
festa da criação Espírita sucederão a
perturbação e o orgulho dos diversos sistemas
que, desprezando sábios ensinamentos, armarão
uma nova Torre de Babel, o dia de confusão, em
breve reduzida a nada, porque as obras do
passado são o penhor do futuro e nada se
dissipa do tesouro de experiência amontoadas
pelos séculos.
Espíritas, formai uma tribo intelectual,
segui vossos guias mais docilmente do que
fizeram os Hebreus. Nós também vimos livra-vos
do julgo dos Filisteus e a vos conduzir à
Terra Prometida. As trevas das primeiras
idades (seria uma alusão ao neo-docetismo de
Roustaing ?), sucederá a aurora e ficareis
maravilhados ao compreender a lenta reflexão
das idades anteriores sobre o presente. As
lendas reviverão enérgicas como a realidade e
adquirireis a prova da admirável unidade,
penhor da aliança constituída por Deus com
suas criaturas. Uma verdadeira Torre de Babel
está em vias de construção entre vós. Aliás,
fora preciso ser cego ou abusado para não
reconhecer que à cruzada dirigida contra o
Espiritismo pelos adversários-natos de toda
doutrina progressista e emancipadora, se junta
uma cruzada espiritual, dirigida por todos os
Espíritos pseudo-sábios, falsos grandes
homens, falsos religiosos e falsos irmãos da
erraticidade, fazendo causa comum com os
inimigos terrestres, em meio a essa multidão
de médiuns por eles fanatizados, e aos quais
ditam tantas elucubrações mentirosas. Mas
vedes o que resta de todos esses andaimes
erigidos pela ambição, o amor-próprio e a
inveja. Quantos não vistes, desabar e quantos
não vedes ainda! Eu vo-lo digo, todo edifício
que não se assenta sobre a base sólida da
Verdade cairá, porque só a verdade pode
desafiar o tempo e triunfar de todas as
utopias. Mas, de tudo isto, que restará? Desta
Torre de Babel que jorrará? Uma coisa imensa:
a vulgarização da idéia Espírita, e como
doutrina, o que será verdadeiramente
doutrinário! Esse conflito é inevitável,
porque o homem é manchado de muito orgulho e
egoísmo, para aceitar sem oposição uma verdade
nova qualquer; digo mesmo que esse conflito é
necessário, porque é atrito que desfaz as
idéias falsas e faz ressaltar a força das que
resistem. Em meio a esta avalanche de
mediocridade, de impossibilidade e de utopias
irrealizáveis, a verdade esplendida
espalhar-se-á na sua grandeza e na sua
majestade” 5.
Talvez alguns pensem ser radical o expomos
acima, mais infelizmente no Brasil todo tipo
de misticismo, doutrinas estranhas a Razão
imperam com todo o vapor possível. Este hábito
existe devido aos brasileiros não serem um
povo tão cientifico como se esperasse que
fossem, pois não conseguimos ainda seguir os
verdadeiros passos que Kardec deixou, através
dos exemplos da Sociedade Parisiense de
Estudos Espíritas. Vemos em muitos Centros e
Federações que se dizem Espíritas,
proliferarem crenças e hábitos estranhos ao
Espiritismo. Precisamos nos orientar e ficar
conscientes do mal que estes credos
representam a Doutrina Espírita. O Espiritismo
é uma Ciência Experimental de cunho filosófico
e fundo ético (religioso) e não cabe querer
adaptar crendices sem fundos epistemológicos
as suas bases. Os dirigentes de Centros
Espíritas e Federações que se dizem Espíritas,
possuem toda responsabilidade pelo ensino 6
que ministram e pela divulgação de materiais
estranhos 7 ao Espiritismo e ao bem geral,
responderam perante Deus as deturpações 8 que
queiram fazer com o Espiritismo 9. Vivemos em
uma época de transformações onde as Ciências
demonstram claramente a possibilidade de
muitos dos fenômenos Espíritas, por isso
devemos nos dedicar as bases epistemilógicas
do Espiritismo e não inventar o que não existe
ou que possa nos tornar ridículo aos olhos dos
outros. “Nós somos de Deus; quem conhece a
Deus nos ouve; quem não é de Deus não nos
ouve. Assim é que conhecemos o espírito da
verdade e o espírito do erro” 10.
Roustaing é o anti-Kardec. Se Kardec é o bom
senso, Roustaing é a falta de senso 11. Isso é
muito radical? Ótimo me mostrem os senhores
estudiosos do Roustainguismo, doutrina do
espírito do erro 12, um escrito, historiador
das religiões, sociólogo, psicólogo ou um
escritor de quadrinhos infantis não
roustainguista que escreva sobre a doutrina de
Roustaing ou da suposta revelação da
revelação. De Kardec, mostro muitos e estou
falando de não Espíritas. Querem prova? Ok! Lá
vai: Durkheim em Formas elementares da Vida
Religiosa comenta sobre o Espiritismo, Will
Durant em seus trabalhos e livros, Claude
Levi-Strauss famoso filósofo e antropólogo
belga, sempre interessado nas “estruturas
profundas” do homem, comenta e fala em seus
trabalhos sobre o papel do Espiritismo e sua
formação no brasil e o melhor de tudo,
demonstra a diferença entre as religiões que
trabalham com fenômenos espirituais (Umbanda e
o Candomblé); Mircea Eliade é considerado um
dos maiores historiadores e pesquisadores das
Religiões do século XX e em seu Livro Origens
fala do papel e da importância da ciência
espiritual e claro do Espiritismo; Jung, este
já é conhecido e não vale; Hinnells em seu
Dicionário das Religiões fala do Espiritismo
como o novo Espiritualismo moderno; Joseph
Campbell em seus trabalhos sobre religiões
trata do assunto; Hilton Japiassú e Danilo
Marcondes os dois mais respeitados filósofos
Brasileiros coloca a disposição de todos uma
pequena, mas profunda biografia de Kardec em
seu Dicionário Básico de Filosofia e por
incrível que pareça eu não encontrei nada
sobre Roustaing ou a suposta revelação da
revelação em nenhum dos livros e dicionários
citados acima.
Puxa! Desculpem-me, quase me esqueci do
grande VOCABULÁRIO TÉCNICO E CRÍTICO DA
FILOSOFIA do grande filósofo francês e mestre
da cadeira de filosofia e ciências na Sorbone,
André Lalande, esse não Espírita com certeza
conhece mais o Espiritismo dos que muitos que
se dizem Espíritas. Atualmente temos Jean
Delumeau que coordenou um trabalho e
transformou-se em um Livro de quase 800
páginas de nome As Grandes Religiões do Mundo,
que versa sobre as grandes religiões do mundo,
fala na página 728 do Espiritismo e o
diferencia do sincretismo existentes no
Brasil. Nem mesmo no dicionário da língua
portuguesa encontra-se algo sobre esse tal de
Roustaing e sua suposta revelação da
revelação. Nenhum pensador ou historiador das
religiões que se presa e estude seriamente o
Espiritismo ou as religiões do mundo, acredita
nas mentiras e fábulas apresentadas por
Roustaing em seus “Os quatro Evangelhos” de
quase duas mil páginas. Nenhum pensador ou
pesquisador citado acima sabe da existência
desse tal de Roustaing, e é bom que seja
assim, pois como afirmou Erasto e São Luís na
mensagem anteriormente, essa nova torre de
Babel só faz ridicularizar e desacreditar o
Espiritismo frente aos nobres estudiosos do
assunto. “O Espírito afirma expressamente que,
nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé,
por obedecerem a espíritos enganadores, e a
doutrinas de demônios” 13.
Não pense vocês que os estudiosos acima são
espíritas ou tenham alguma simpatia pelo
Espiritismo. Não são simpáticos e muitas vezes
são avessos ao pensar espírita, mas sabem o
valor e respeitam o trabalho de Kardec como um
cientista desapaixonado e sério. Mesmo nas
universidades quando um professor pensa em
falar do Espiritismo, fala com moderação e
respeito, sempre atentando ao cientista
Kardec. Infelizmente o Brasil é o único país
do mundo que confunde o Espiritismo com outros
credos, cultos e pensamentos diferentes do que
ensina a codificação. Em nenhum outro país do
mundo a Umbanda e o Candomblé se faz presente
como no Brasil, e se por ventura existir esses
pensamentos e cultos em outros países, esses
com certeza não confundem a fenomenologia com
o sincretismo 14. Quando um pensador fora do
Brasil fala ou escreve algo sobre o
Espiritismo ele pensa em Kardec e fala do
Espiritismo codificado por Kardec. O Brasil é
o único país onde existe a incoerência de
atribuir situações e crendices que não são do
Espiritismo a este. Os autores estrangeiros
não precisam falar ou escrever em seus livros
Espiritismo de kardec ou kardecista, pois
possuem conhecimento o suficiente para saber
que o Espiritismo está vinculado a figura do
cientista Kardec. Por isso, quando lemos
artigos ou teses de pesquisadores,
historiadores e cientistas de outros países
sobre o Espiritismo ou a sua fenomenologia,
estes referem-se ao Espiritismo como
Espiritismo e não como Espiritismo kardecista
ou Espiritismo de Allan Kardec. Não existe
Espiritismo kardecista, Espiritismo é
Espiritismo e outros cultos são outros cultos,
dá mesma forma que não existe Espiritismo de
mesa branca, baixo ou alto Espiritismo.
Precisamos ensinar no Brasil que o Espiritismo
é uma ciência codificada por Kardec, todo os
codinomes restante são mera e pura invenção
humana. “Quando vier o Consolador, que eu vos
enviarei da parte do Pai, o Espírito da
verdade, que do Pai procede, esse dará
testemunho de mim e vós também testemunhareis,
porque estais comigo desde o princípio” 15.
Kardec, A. Revista Espírita, 1866, editora
Edicel.
______________________, 1861, editora Edicel.
______________________, 1867, editora Edicel.
Pires, J. H. Agonia das Religiões, editora
Paidéia, 1989.
Silva, Gélio L. Conscientização Espírita,
Editora Opinião E. Capivari – SP, 1995.
1 Kardec, A. Revista Espírita de 1866, p. 180.
2 2 Coríntios; 11:13 a 15.
3 2 Pedro; 2:1.
4 I João cap. 4 v. v. 2 a 6.
5 Kardec, A. Revista Espírita 1863, págs. 354,
382 e ss.
6 1 Timóteo; 4:16.
7 Hebreus; 13:9.
8 “Como tu fizeste, assim se fará contigo; o
teu feito tornará sobre a tua cabeça” (Obadias;
1:15).
9 Provérbios; 4:2.
10 1 João; 4:6.
11 Pires, J. H. e Abreu, J. O Verbo e a Carne
– 2 análises do roustainguismo, 30.
12 Apocalipse; 2:15.
13 1 Timóteo 4:1.
14 Champion, F. Religiosidade Flutuante,
Ecletismo e Sincretismo. In: Delumeau, J. As
Grandes religiões do Mundo, p.705.
15 João; 15:26 e 27.
(atualizado em
10-02-2011)
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