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O Evangelho Segundo o Espiritismo 

Estudos da Moral Cristã Sob a Ótica do Espiritismo
Estudo abordado a partir de 01 de abril de 2009

Estudos anteriores e atuais:

- Primeira Parte - de Explicação a Autoridade da Doutrina
- Notícias Históricas até Resumo da Doutrina de Sócrates
- Capítulo I do ESE

- Capítulo II do ESE

- Capítulo III do ESE

- Capítulo IV do ESE

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 1 e 2 - I Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 1 e 2 - II
Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 1 e 2 - III Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 1 e 2 - IV
Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 1 e 2 - V Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 1 e 2 - VI
Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 3 e 4 - VII Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 3 e 4 - VIII
Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 3 e 4 - IX Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 3 e 4 - X
Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 3 e 4 - XI Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 3 e 4 - XII
Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 3 e 4 - XIII Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 3 e 4 - XIV
Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 3 e 4 - XV Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 3 e 4 - XVI
Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 3 e 4 - XVII Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos itens 3 e 4 - XVIII (breve)

 

 Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte I

Iniciando nosso estudo de hoje, temos como referencial, o Evangelho Segundo o Espiritismo. E é com muita alegria, que adentramos ao capítulo V - BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS.

Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados.
Bem-aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados. - Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois que é deles o reino dos céus. (S. MATEUS, cap. V, vv. 5, 6 e 10.)

Bem-aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o reino dos céus. - Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. - Ditosos sois, vós que agora chorais, porque rireis. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 20 e 21.)

Mas, ai de vós, ricos que tendes no mundo a vossa consolação. - Ai de vós que estais saciados, porque tereis fome. - Ai de vós que agora rides, porque sereis constrangidos a gemer e a chorar. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 24 e 25.)

Vamos compreender um pouco quem é quem.

Temos aqui os pobres, os que têm fome e sede de justiça, os que sofrem perseguição pela justiça e os que têm fome.

Chega a soar estranho, ouvir Jesus dizer que são felizes aqueles que choram....mas atentem , Jesus disse (...) aqueles que AGORA choram (...).: E tem uma particularidade neste capitulo. O Prof Severino Celestino, grande estudioso da Biblia, diz que a tradução correta do hebraico , é ao inves de "Bem Aventurados", Jesus disse: "Avante"!!!!

Eis que Jesus nos dá o consolo no provir. Para quê tanto sofrimento, tantas lágrimas e tanta dor, se não conseguíssemos antever um futuro melhor?

- POBRES : algumas pessoas pensam que atender ao apelo de Jesus e ser POBRE é viver na miséria. Existem diferenças entre pobreza, humildade e provações.

Quando Jesus falou sobre os POBRES estava se referindo aos POBRES DE ESPÍRITO. Olhem que interessante esta definição:

O reino dos céus é dos pobres de espírito, porque Deus não gosta de orgulhosos. Jesus designa por pobres de espírito todos os que não têm orgulho.

Muitas pessoas dizem não ter mais do que o necessário em bens materiais - não compram uma casa, pois são bens perecíveis; possuem um par de sapatos, pois o calçado é supérfluo e assim por diante.

Trabalham apenas o essencial, pois o trabalho remunerado não condiz com o pregado pelo Nazareno, pois precisamos nos dedicar às causas do espírito. Enfim, muitas pessoas compreendem de forma errônea a pobreza.

Jesus, em sua generosa passagem pela Terra, viveu uma vida de desprendimento, mas antes disso, trabalhou como carpinteiro, lembram-se?

Julia: "Ele não estava falando no sentido de pobreza ou riqueza material. Falava da criatura humilde, desapegada das suas riquezas, isenta de sentimentos de posse, vantagens ou fama".

Expositor@: Quando foi chegado seu momento de nos transmitir as mensagens, saiu a peregrinar e a pregar as boas novas de nosso pai. Como ficar carregando malas, móveis, sapatos e gêneros alimentícios em percursos tão distantes?

Jesus precisava transmitir uma mensagem profunda para a humanidade. Poderia Ele, se ocupar de costurar, cozinhar, pescar ou trabalhar? Não!! Ele tinha que aproveitar ao máximo seu tempo de pregação. lembram-se que ele desencarnou com 33 anos e que, poucos foram os anos em que ele esteve transmitindo as máximas que calam fundo em nossa alma.

Aliás, vindo para o nosso dia-a-dia, vemos que Jesus era um ótimo chefe, pois sabia delegar e explorar as virtudes e qualidades de seus discípulos, não só as trabalhistas, como as morais.

Bom, no capítulo VII do Evangelho, estudaremos em maior profundidade sobre os pobres de espírito. Para finalizar sobre eles, colocarei uma parábola que ilustra bem essa questão:

"Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e que todos os dias se regalava esplendidamente. Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que estava deitado ao seu portão, desejoso de fartar-se com migalhas que caiam da mesa do rico, mas ninguém lhas dava; e os cães vinham lamber-lhe as úlceras.

"Morreu o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado.

"No Hades, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão e a Lázaro no seu seio.

"E clamou: Pai Abraão, tem compaixão de mim! E manda a Lázaro que molhe a ponta do seu dedo, e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama!

"Mas Abraão respondeu: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens na tua vida e Lázaro do mesmo modo os males; agora, porém, ele está consolado, e tu em tormentos. Demais, entre nós e vós está firmado um grande abismo, de modo que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de lá passar para nós.

"Ele replicou: Pai, eu te rogo, então, que os mandes à casa de meu pai (pois tenho cinco irmãos) para os avisar a fim de não suceder virem eles também para este lugar de tormento! Mas Abraão disse: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: Não, Pai Abraão, mas se alguém for ter com eles dentre os mortos, hão de se arrepender. Replicou-lhe Abraão: se não ouvem a Moisés e aos profetas tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos. " (Lucas, Cap. XVI, v. 19-31.)

Exposto em 02-02-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte II

Vamos aproveitar colocações feitas por Cairbar Schutel, e enfatizaremos algumas que dizem respeito aos pobres de espírito:

(CS)O rico passou toda a sua vida a se fartar esplendidamente, a desprezar os pobres, a desprezar Deus, a não curar da sua Lei, a dar as costas à Religião, a gozar e a folgar, mas, quando morreu, não pode continuar a viver como vivia, vestindo-se de púrpura, comendo manjares, bebendo licores. porque no mundo dos Espíritos não há púrpuras, não há manjares, não há licores.

Ele já se havia fartado com os prazeres da Terra, não podia fartar-se depois com os prazeres do Céu, porque não os havia buscado, nem havia adquirido o tesouro com que se conquista as glorias celestes.

Lázaro representa os excluídos da sociedade terrena, aqueles que, quando muito, podem chegar ao portão dos grandes templos, aqueles que não podem atravessar os umbrais dos palácios dourados, aqueles que essa sociedade corrompida do mundo despreza, amaldiçoa, cobre de labéus, crava de setas venenosas que lhes chagam o corpo todo.

Os Lázaros não são esses pobres orgulhosos do mundo, que não têm muitas vezes o que comer e o que vestir, mas estão cobertos com a púrpura do orgulho; não é essa gente que não tem dinheiro mas tem vaidade; não tem palácios, mas tem egoísmo; não tem jantares opíparos, mas tem prazeres nefastos; não, os pobres, de que Lázaro serviu de símbolo na parábola, são os que sofrem com resignação, são os que desprezam os bens da Terra, porque buscam as coisas de Deus;

São aqueles que se vêem usurpados daquilo que por direito lhes pertence no mundo, mas, pacientes e resignados, não se revoltam, porque crêem no futuro e esperam as dádivas que lhes estão reservadas por Deus;

Eles sabem, porque estudam, esperam e oram, que existe um Criador, um Pai Supremo, que lhes dará o prêmio de suas vigílias, um salário pelos seus afazeres morais, uma luz para sua orientação espiritual;

E que esse prêmio, esse salário, essa luz, embora, às vezes, pareça tardar, não faltará, porque a Justiça de Deus é infalível, é indefectível!(CSchutel)


Bem, nem tanto ao céu - nem tanto ao mar. Desprezar os bens terrenos, como vimos logo acima, não significa deixarmos de amparar materialmente a nós e àqueles que de nós dependem e isso é válido para chefes de famílias, que constituíram uma nova família e deixam á míngua e ao 'Deus dará' a família primeira.

Enfim, nesta parábola tem muito a ser 'destrinchado', nos prendemos apenas ao orgulho.

Finalizando os comentários acerca dos pobres de espírito, temos um excelente trabalho de Amílcar Del Chiaro Filho, com uma síntese de alguns nomes de respeito na Doutrina Espírita. Vejamos:

Huberto Rohden traduz a primeira Bem-aventurança por – Bem-aventurados os pobres pelo espírito. Rohden faz um ácido comentário sobre a ignorância dos tradutores, e chama de arrogantes profanadores os que deturparam uma das mais sublimes mensagens do Cristo. Huberto Rohden – Foi padre e o primeiro católico a traduzir no Brasil o Novo Testamento diretamente do grego, em 1930.

Rohden afirma que nem no texto grego do primeiro século, nem na tradução latina da Vulgata, se encontra o tópico “pobres de espírito”, e sim, pobres PELO espírito, ou pobres SEGUNDO o espírito. Uma palavrinha faz diferença, né?

Cairbar Schutel, no Parábolas e Ensinos de Jesus, comenta: Os pobres de espírito são os humildes que nunca mostram saber o que sabem, e nunca dizem ter o que tem; a modéstia é o seu distintivo, porque os verdadeiros sábios são os que sabem que não sabem.


E, com as sábias palavras de Caibar, encerraremos as definições para os pobres EM espírito:

" (...) sem a humildade nenhuma virtude se mantém. A humildade é o propulsor de todas as grandes ações e rasgos de generosidade, seja na Filosofia, na Arte, na Ciência, na Religião."

Exposto em 09-02-2011 por Fiorell@!

 

 Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte III

Adentremos a outro dos bem-aventurados. Os que têm SEDE E FOME DE JUSTIÇA. Gente, tenho até medo de falar disso mas, vejam como podemos interpretar melhor os fatos.

"..Assim, pobre de espírito é a criatura altamente qualificada, que já adquiriu a humildade através de um duro conflito íntimo, e não um ser fraco que ainda luta para alcançar esta virtude. É na simplicidade de coração, na humildade de espírito, que está a grandeza da alma".

Vamos nos apoiar, mais uma vez, em Rohden para adentrarmos a este item e alguns poderão ficar decepcionados, mas eis que o 'dente por dente' continua a ir por água abaixo, diante dos ensinamentos do Mestre Jesus.

Huberto Rohden diz que não se trata de justiça como coisa jurídica, mas de relação, atitude justa e reta que o homem assume em face de Deus.

Rohden diz ainda: Podem os violentos conquistar a Terra, apoderar-se dela à força de armas e carnificinas — mas eles nunca possuirão a Terra, e menos ainda os homens da terra. O verdadeiro possuir não é um ato físico, material, mas uma atitude metafísica, espiritual.

Pastorino vem reforçar estas colocações ao afirmar que a tradução correta da bem-aventurança — Os que tem fome e sede de justiça, é: os que tem fome, que aspiram a perfeição, os que desejam o ajustamento, no sentido de justeza.

Eliseu Rigonatti em, 52 lições de Catecismo Espírita, nos diz:

Os mansos possuirão a Terra porque os violentos terão que se encarnar em mundos inferiores até que se tornem mansos, isto é, bondosos. Aos poucos os maus serão expulsos da Terra e aqui só se encarnarão os bons.

O certo seria dizermos: bem-aventurados os que têm fome e sede de ajustamentos às Leis Divinas, buscando a religação com o Eu divino que se encontra em nosso interior.

E não podemos comentar este item, sem colocar as sábias palavras de Caibar Schutel em Parábolas e Ensinos de Jesus:

"Bem-aventurados os que se revoltam contra a injustiça, mas são resignados e calmos.

Ai dos indiferentes, dos acomodatícios, dos covardes, dos servis, que em proveito próprio aplaudem a injustiça!

Há muita diferença entre a resignação e a indiferença.

A resignação é a conformidade ativa nos inevitáveis acontecimentos da vida. A indiferença é a submissão passiva às injustiças deprimentes.

A resignação é cheia de amor, de sentimentos nobres, de elevadas paixões. A indiferença nulifica o amor, aniquila a nobreza d’alma, destrói as virtudes e deprime a moralA resignação nas provas é obediência aos decretos de Deus. A indiferença nos sofrimentos é dureza de coração e ausência de submissão à vontade divina.

O resignado é santo, porque a resignação nasce da paciência, e a paciência é filha dileta da Caridade. O indiferente é um anormal: tem cérebro e não pensa; tem coração e não sente; tem alma e não ama.

O resignado não aparenta sofrimento, porque conhece a Lei de Deus e a ela se submete com humildade. O indiferente também não mostra sentir a dor, mas, orgulhoso e alheio aos ditames celestes, repele de si a idéia do sofrimento.

A resignação é excelente virtude, que precisamos cultivar; a indiferença é manifestação do egoísmo, que precisamos extirpar.

A resignação é a coragem da virtude. A indiferença é a covardia da paixão vil.

Aquela eleva, dignifica, enaltece, santifica. Esta deprime, desmoraliza, deprava e mata.

"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos."Bem-aventurados os que não se submetem às injustiças da Terra, nem pactuam com os opressores, os vossos turibulários das altas posições!"

E
u, particularmente, gostei imensamente da definição de resignação, dada por Caibar.

Quando ouvia alguém dizer que fulano ou cicrano era resignado, já imaginava uma criatura triste, lamuriosa e chorosa....Hoje, vejo que existe alegria e felicidade na resignação!

E foi Jesus, lá nos idos, que nos prometeu isso...

Como disse nosso companheiro "Homem de Bem" no  Salmo 118 - versículo 75. Senhor, eu sei que tuas normas são justas e que por "fidelidade" me fazes sofrer. Por fidelidade e não castigo ou penalização.

E nossa companheira Honey diz: "A resignação é a virtude mãe de todas as outras......por isso devemos sempre pensar na necessidade de cultivá-la.........sem resignação apenas atrasamos o nosso caminho à evolução, com ela nos tornamos mais submissos às Leis Divinas q guiam a vida de todos, sem exceção."

Exposto em 16-02-2011 por Fiorell@!

 

 Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte IV

Podemos passar a outra bem-aventurança, muito interessante de ser observada. os bem-aventurados que sofrem perseguição pela justiça.

Aliás, essa bem-aventurança não foi muito fácil de ser pesquisada....Mas, uma coisa unânime se pôde apreender:

Perseguidos e perseguidores se confundem, no desenrolar da história. Quem hoje persegue, amanhã será perseguido e quem hoje foi perseguido, pode ter perseguido ontem....

Vemos isso com clareza, quando o cristianismo virou religião e houveram cruzadas, inquisições, guilhotinas e tantas outras atrocidades em nome de Jesus.

Aliás, tempos antes, víamos os seguidores de Jesus sendo lançados aos leões....

Existe o EVANGELHO SEGUNDO TOMÉ, O DÍDIMO (Apostolo Dídimo Judas Tomé). Este Evangelho é um dos mais de 50 textos da Biblioteca de Nag-Hammadi, encontrada numa caverna no Egito em 1947.

É uma tradução de um original grego, provavelmente escrito em meados do primeiro século. Portanto, ele é um dos documentos mais antigos de nossa tradição cristã, já que os quatro Evangelhos incluídos na Bíblia foram escritos provavelmente entre os anos 80 e 120 de nossa era.

Estes são os ensinamentos ocultos expostos por Jesus, o vivo, que Judas Tomé, o gêmeo, escreveu. Destacamos a parte que nos cabe no tema de hoje:

Bem-aventurados os que são odiados e perseguidos. Mas os que vos perseguirem não encontrarão lugar".

Jesus disse: "Bem-aventurados aqueles que foram perseguidos em seu interior. São eles que realmente conheceram o pai. (...)"

Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos, então, sereis conhecidos e compreendereis que sois filhos do Pai vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis na pobreza e sereis essa pobreza."

Bom, estas partes que evidenciamos do Evangelho de Tomé, nos remetem ao comentário de Rohden, contido no início destes estudos, sobre traduções e, podemos até sem leviandade complementar, sobre as compreensões acerca das palavras do Mestre.

Olha a profundidade desde ensinamento!!!!! Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos, então, sereis conhecidos e compreendereis que sois filhos do Pai vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis na pobreza e sereis essa pobreza."

Nos faz refletir da necessidade que temos de, primeiramente, conhecermos a nós mesmos. No momento que nos conhecermos, nos mais recônditos escaninhos do nosso ser, certamente, nos tornaremos pessoas bem melhores e felizes. E, em nos tornando pessoas melhores e felizes, faremos felizes as pessoas que nos cercam......

Vou colocar o link do evangelho segundo Tomé....é muito diferente do que vimos até então.
http://www.guia.heu.nom.br/evangelho_de_tome.htm

Todas estas colocações que foram feitas, pelos companheiros, nos fazem lembrar também de quem são os verdadeiros pobres EM espírito.

Bom, trazendo para os dias atuais, não devemos crer que seremos felizes ao sermos perseguidos em nosso trabalho, em nosso lar ou em nossas crenças. Existem duas faces a serem observadas.

A primeira é a de que, levando-se em conta o raciocínio de que 'haja o escândalo, mas não sejamos nós os desencadeadores dele', devemos nos dar por felizes em sermos perseguidos e não os perseguidores. Bom sinal!!

A segunda, reside no fato de algumas pessoas, ao se notarem, de alguma maneira perseguidas, tornam-se verdadeiros mártires e envergam pelo caminho da auto-compaixão e da auto-misericórdia, óh eu sou perseguido.

Se nos motivarmos pela evolução a que estamos sujeitos, reside aí uma oportunidade de lapidação e crescimento individuais. Nossa paciência,resignação e compreensão são colocadas em jogo.

Exposto em 23-02-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte V

Atentem que até então utilizamos a palavra compreensão e não aceitação. Compreender algo é olhar em sua totalidade e perceber os diversos ângulos que a envolvem. Aceitar é ter como forma de pensar e agir.

Ou seja, compreender um perseguidor é verificar e antever todos os motivos e causas que o levam a perseguir. Aceitar a perseguição é aceitar que se deva perseguir. E, se formos mais além neste raciocínio, teremos que:

Aceitar o perseguidor, é aceitá-lo como ser humano, filho de Deus e criatura falível, em crescimento e envolvido, assim como nós, por defeitos e falhas a serem buriladas.

Delicado e necessário que reflitamos bem sobre estas duas palavras: compreender e aceitar, e as variáveis que a envolvem.

Temos uma mensagem de Santo Agostinho contida na Revista Espírita em abril de 1862, que nos fala da perseguição feita ao espiritismo, uma das faces que podemos trazer a nós que buscamos esclarecer e propagar a Doutrina Espírita:

Vamos! bravos, filhos! estou feliz de vos ver reunidos, lutando com zelo e persistência. Coragem! trabalhai rudemente no campo do Senhor; porque, eu vo-lo digo, chegará um tempo em que não será mais à portas fechadas que será preciso pregar a doutrina santa do Espiritismo. Flagelou-se a carne, deve-se flagelar o Espírito; ora, em verdade vos digo, quando esta coisa chegar, estareis perto de cantar, todos juntos, o cântico de ação de graças, e há de se estar perto de ouvir um único e mesmo grito de alegria sobre a Terra! Eu vo-lo digo, antes da idade de ouro e do reino do Espírito, são necessários os dilaceramentos, os ranger de dentes e as lágrimas. As perseguições já começaram. Espíritas! sede firmes, e permanecei de pé: estais marcados pelo ungido do Senhor. Sereis tratados de insensatos, de loucos e de visionários; não se fará mais ferver o azeite, não se levantarão mais cadafalsos nem fogueiras mas o fogo de que se servirá para vos fazer renunciar às vossas crenças será mais pungente e mais vivo ainda. Espíritas! despojai-vos, pois, do homem velho, uma vez que é ao homem velho que se fará sofrer; que as vossas novas túnicas sejam brancas; cingi as vossas frontes de
coroas e preparai-vos para entrar na liça. Sereis amaldiçoados: deixai vossos irmãos vos chamar racca, orai por eles, ao contrário, e afastai de suas cabeças o castigo que o Cristo disse reservar àqueles que dissessem racca aos seus irmãos!

Preparai-vos para as perseguições pelo estudo, pela prece e pela caridade; os servidores serão expulsos de entre seus senhores e tratados de loucos! Mas, à porta da morada, reencontrarão a Samaritana e, embora pobres e privados de tudo, repartirão ainda com ela o último pedaço de pão e suas roupas. A esse espetáculo, os patrões dirão a si mesmos:
Mas, quem são, pois, esses homens que expulsamos de nossas casas! Eles não têm senão um pedaço de pão para viver esta noite, e o dão; não têm senão um casaco para se cobrir, e o partilham em dois com um estranho. Será então que suas portas serão abertas de novo, porque sois vós os servidores do senhor; mas, desta vez, eles vos acolherão, vos abraçarão; vos conjurarão a bendizê-los e lhes ensinar a amar; não vos chamarão mais servidores, nem escravos, mas vos dirão: Meu irmão, vem sentar-te à minha mesa; não há mais do que uma única e mesma família sobre a Terra, como não há senão um único e mesmo pai no céu.

Ide, ide, meus irmãos! pregai e, sobretudo, sede unidos: o céu vos está preparado.

SANTO AGOSTINHO. (Médium, Sr. E. Vézy).

Ressalto que podemos mesclar estas duas últimas bem-aventuranças , para que a compreendamos melhor. Bem-aventurados os que clamam pela justiça e os que por ela serão perseguidos.

Exposto em 02-03-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte VI

Vamos aproveitar colocações feitas por Cairbar Schutel, e enfatizaremos algumas que dizem respeito aos pobres de espírito:

(CS)O rico passou toda a sua vida a se fartar esplendidamente, a desprezar os pobres, a desprezar Deus, a não curar da sua Lei, a dar as costas à Religião, a gozar e a folgar, mas, quando morreu, não pode continuar a viver como vivia, vestindo-se de púrpura, comendo manjares, bebendo licores. porque no mundo dos Espíritos não há púrpuras, não há manjares, não há licores.

Ele já se havia fartado com os prazeres da Terra, não podia fartar-se depois com os prazeres do Céu, porque não os havia buscado, nem havia adquirido o tesouro com que se conquista as glorias celestes.

Lázaro representa os excluídos da sociedade terrena, aqueles que, quando muito, podem chegar ao portão dos grandes templos, aqueles que não podem atravessar os umbrais dos palácios dourados, aqueles que essa sociedade corrompida do mundo despreza, amaldiçoa, cobre de labéus, crava de setas venenosas que lhes chagam o corpo todo.

Os Lázaros não são esses pobres orgulhosos do mundo, que não têm muitas vezes o que comer e o que vestir, mas estão cobertos com a púrpura do orgulho; não é essa gente que não tem dinheiro mas tem vaidade; não tem palácios, mas tem egoísmo; não tem jantares opíparos, mas tem prazeres nefastos; não, os pobres, de que Lázaro serviu de símbolo na parábola, são os que sofrem com resignação, são os que desprezam os bens da Terra, porque buscam as coisas de Deus;

São aqueles que se vêem usurpados daquilo que por direito lhes pertence no mundo, mas, pacientes e resignados, não se revoltam, porque crêem no futuro e esperam as dádivas que lhes estão reservadas por Deus;

Eles sabem, porque estudam, esperam e oram, que existe um Criador, um Pai Supremo, que lhes dará o prêmio de suas vigílias, um salário pelos seus afazeres morais, uma luz para sua orientação espiritual;

E que esse prêmio, esse salário, essa luz, embora, às vezes, pareça tardar, não faltará, porque a Justiça de Deus é infalível, é indefectível!(CSchutel)


Bem, nem tanto ao céu - nem tanto ao mar. Desprezar os bens terrenos, como vimos logo acima, não significa deixarmos de amparar materialmente a nós e àqueles que de nós dependem e isso é válido para chefes de famílias, que constituíram uma nova família e deixam á míngua e ao 'Deus dará' a família primeira.

Enfim, nesta parábola tem muito a ser 'destrinchado', nos prendemos apenas ao orgulho.

Finalizando os comentários acerca dos pobres de espírito, temos um excelente trabalho de Amílcar Del Chiaro Filho, com uma síntese de alguns nomes de respeito na Doutrina Espírita. Vejamos:

Huberto Rohden traduz a primeira Bem-aventurança por – Bem-aventurados os pobres pelo espírito. Rohden faz um ácido comentário sobre a ignorância dos tradutores, e chama de arrogantes profanadores os que deturparam uma das mais sublimes mensagens do Cristo. Huberto Rohden – Foi padre e o primeiro católico a traduzir no Brasil o Novo Testamento diretamente do grego, em 1930.

Rohden afirma que nem no texto grego do primeiro século, nem na tradução latina da Vulgata, se encontra o tópico “pobres de espírito”, e sim, pobres PELO espírito, ou pobres SEGUNDO o espírito. Uma palavrinha faz diferença, né?

Cairbar Schutel, no Parábolas e Ensinos de Jesus, comenta: Os pobres de espírito são os humildes que nunca mostram saber o que sabem, e nunca dizem ter o que tem; a modéstia é o seu distintivo, porque os verdadeiros sábios são os que sabem que não sabem.


E, com as sábias palavras de Caibar, encerraremos as definições para os pobres EM espírito:

" (...) sem a humildade nenhuma virtude se mantém. A humildade é o propulsor de todas as grandes ações e rasgos de generosidade, seja na Filosofia, na Arte, na Ciência, na Religião."

Exposto em 09-03-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte VII

Nos estudos passados de O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V item 1 e 2, vimos um pouco das bem-aventuranças.

Vale ressaltar que, em momento algum, Jesus apregoou que deveríamos ser Mártires diários, mas sim, seguidores de seus passos em busca de Deus, Pai, de forma a não sermos portadores de rancores, iras, ódios, orgulhos, presunções e nem desencadeadores de escândalos, guerras e atos menos dignos.

Em paralelo, as bem-aventuranças nos instigam a aceitarmos as dificuldades, as dores, as privações e tantas outras situações nem tão confortáveis, de maneira a trabalharmos nossa resignação, nossa humildade e nosso desprendimento.

Hoje, adentraremos ao item 3 do Capítulo V, que traz como título JUSTIÇA DAS AFLIÇÕES., mas não sem antes, dizer aos companheiros para que, em momento oportuno, leiam a prece contida no final do Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulada PELOS INIMIGOS DO ESPIRITISMO. O prefácio é assaz importante e vem ao encontro do que falávamos no encontro passado, acerca dos perseguidores e da doutrina Espírita, na belíssima mensagem de Santo Agostinho.

Pelo pouco que vimos das bem-aventuranças, já nos é possível compreender que existe algo de JUSTO nas aflições. Aliás, se olharmos Deus com os olhos corretos, já veremos sua justeza e misericórdia.

Necessitamos, porém, de palavras de consolo; necessitamos, porém, de palavras de encorajamento.

E eis que temos as palavras de Jesus, temos os esclarecimentos trazidos pela Codificação Espírita, temos nosso mentor individual, temos leituras edificantes, temos amigos solidários, temos familiares que nos amam, temos o ar e a natureza, temos as belezas nas galáxias e no fundo do mar.... Uffa... Não nos falta a presença de Deus!!! Seu amparo e a Sua compreensão em todos nossos momentos de fraqueza, de erro e de incerteza.

E também em nossos momentos de vitórias contra nossas mazelas, em nossos momentos de conquistas e superações pessoais. Cabe a nós, unicamente a nós mesmos, a forma como vemos, sentimos e buscamos cada uma dessas passagens. Em A Gênese temos a seguinte colocação:

44. Os aflitos existem em grande número; não é de admirar, portanto, que tantas pessoas acolham uma doutrina que consola, de preferência às doutrinas que desesperam, porque é aos deserdados mais que aos felizes do mundo, que o Espiritismo se dirige(...)"

Escolhemos o que nos consola, ao invés de escolhermos o que nos faz entrar em desespero....

E, no consolo da Codificação Espírita, temos a seguinte passagem no capítulo V, item 3:

"As compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra não podem ocorrer senão na vida futura; sem a certeza na vida futura essas máximas seriam um contra-senso, bem mais, seriam um engodo".

Vemos nos capítulos anteriores do Evangelho uma seqüência e, esta seqüência, não se deu ao acaso. Existe lógica e coerência nela. Nesta seqüência, vemos que Jesus não veio destruir a Lei, vemos que o Reino Dele não é deste mundo, vemos que existem muitas moradas na casa de nosso Pai e, anterior a este mesmo estudo, vimos que ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.

Aprendemos a conhecer o porquê de Jesus ter estado entre nós, sobre o consolador prometido, sobre a vida futura e que a Terra não é a única morada, além do fato de que, precisamos morrer e nascer, numa seqüência contínua e até quando se fizer necessária, para que possamos alcançar o Reino de Deus. Se, realmente, conseguimos entender estes capítulos, teremos maior facilidade para compreender a necessidade das aflições, para compreender porque elas existem e como devemos proceder diante das mesmas.

Bom, por que elas existem? Vejamos o que nos diz a questão 114 do Livro dos Espíritos:

Perg.: Os Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que procuram melhorar-se? Resposta - Os Espíritos mesmos se melhoram; melhorando-se passam de uma ordem inferior para uma superior.

Nesta pergunta, temos a referência à Escala Espírita, constante das questões anteriores, mas também nos mostra que existem vários graus a serem galgados e conquistados. De nós, única e tão somente, é que depende a forma como haveremos de galgá-los.

Não podemos asseverar por nossas vidas passadas e nem pelo nosso passado presente, mas podemos dar testemunho daquilo que esperamos para as encarnações vindouras. E, em sendo assim, saberemos que nosso futuro depende de nosso hoje. Sabemos que para não sofrermos maiores aflições, devemos desde já, retificarmos nossa moral, nossa conduta e nosso pensar.

Aliás, quando falamos em futuro, muitos ainda se esquecem de observar pela ótica espiritual e, presos á matéria, questionam como será o futuro de nossos filhos e netos em um Planeta sujeito aos desmandos dos homens e á sua arbitrariedade. Como consolo, temos a lucidez da questão 926 do Livro dos Espíritos:

A civilização, criando novas necessidades, não é a fonte de NOVAS aflições? Resp.: Os males deste mundo estão na razão das necessidades ARTIFICIAIS que criais para vós mesmos. Aquele que sabe limitar os seus desejos e ver sem cobiça o que está fora das suas possibilidades, poupa-se a muitos aborrecimentos nesta vida. O mais rico é aquele que tem menos necessidades.

Uffa....é para pensarmos, não é mesmo?

Ainda assim, pela mente de muitos passa a questão: mas e hoje? Como faço para viver meu hoje em meio a tantas dores, sofrimentos? Por que para mim nada dá certo? Por que comigo as coisas não prosperam e não sou feliz? Adentremos a este item no próximo encontro.

Exposto em 16-03-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte VIII

Vejamos o item 4 CAUSAS ATUAIS DAS AFLIÇÕES e tentemos compreendê-las, não nos esquecendo nunca de que, para Deus, não existem prediletos e nem preteridos; Deus não fecha os olhos para uns e nem sai em perseguição a outros. No Evangelho lemos as seguintes frases:

"As vicissitudes da vida são de duas espécies, ou se assim se quer, têm duas fontes bem diferentes que importa distinguir: umas têm sua causa na vida presente, outras fora dela".
"Remontando à fonte dos males terrestres, se reconhecerá que muitos são a conseqüência natural do caráter e da conduta daqueles que os suportam".

Na questão 398 do Livro dos Espíritos, temos uma colocação interessante acerca das vicissitudes:

Perg.: As tendências instintivas do homem, sendo uma reminiscência do seu passado, pelo estudo dessas tendências ele poderá reconhecer as faltas que cometeu?

Interpretando a pergunta, temos que em vista dos caminhos que percorremos quase sem perceber dentro de nossos instintos, e estes caminhos sendo quase que lembranças perdidas de nosso passado apagado de nossa mente pela atual encarnação, se as estudarmos poderemos compreender as faltas que cometemos?

Resp.:Sem dúvida, até certo ponto; mas é necessário ter em conta a melhora que se possa ter operado no Espírito e as resoluções que ele tomou no seu estado errante. A existência atual pode ser muito melhor que a precedente. (1)

(1) Nota do tradutor: As pessoas que tanto se interessam por saber o que foram em vidas anteriores devem prestar atenção a estes itens. Pelo estudo de suas tendências atuais, não esquecendo o progresso que devem ter realizado, teriam uma idéia do que foram e do que fizeram.

Enquanto não refizermos nossos pensamentos, atos e sentimentos, não importará se estamos na Terra ou no plano espiritual, continuamos sendo seres humanos, com defeitos e qualidades, como aqui. E, muito embora eu esteja muito aquém deste nobre estudioso da Doutrina Espírita, gostaria de ressaltar que:

"Sem dúvida, até certo ponto". Muitos de nós achamos que nasceu com problemas de pele é porque saiu ateando fogo aos outros no passado. Ou que nasceu sem voz é porque ingeriu substância corrosiva para se envenenar. Muito cuidado, companheiros, nestas interpretações.

Usemos desta chave para abrir portas que nos levem a algum lugar e não para portas que nos remetam a dramas de consciência que nem sabemos se são verídicos ou a energias negativas desnecessárias.

Exposto em 21-03-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte IX

Doravante enumerarei tópico a tópico deste item, pois são muito importantes e preciosos de serem vistos e revistos, vida afora.

"Quantos homens tombam por suas próprias faltas! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!".

Imprevidência, orgulho e ambição. Nem tudo é material. Nem tudo que ambicionamos é matéria ou esta ligado a dinheiro e posse.

Quantos de nós não ambicionam uma posição de status numa empresa (não pelos altos salários, mas pelo status que isso proporciona), quantos de nós, como já se vê desde a antigüidade 'cobiçamos a mulher do próximo' e quantas vezes, não achamos que a grama do vizinho é a mais bonita?

E, quando dizemos por suas próprias faltas, vejamos o que nos diz a questão 933 do Livro dos Espíritos:

Perg.: Se é o homem, em geral, o artífice dos seus sofrimentos materiais, sê-lo-á também dos sofrimentos morais?
resp.: Mais ainda, pois os sofrimentos materiais são ás vezes independentes da vontade, enquanto orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, enfim, constituem torturas da alma. Inveja e ciúme!! Felizes os que não conhecem esses dois vermes vorazes!! Com a inveja e o ciúme não há calma, não há repouso possível. para aqueles que sofrem desses males, os objetos de sua cobiça, do seu ódio e do seu despeito se erguem diante dele como fantasmas que não o deixam em paz e o perseguem até o sono. O invejoso e o ciumento vivem num estado de febre contínua. É essa uma situação desejável? Não compreendeis que, com essas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários e que a Terra se transforma para ele num verdadeiro inferno?".

Pois é amigos. Quantas vezes já não dissemos que cada um de nós faz seu próprio céu e seu próprio inferno?

Existe um aparte muito lúcido e coerente, feito por Herculano Pires. Adoraria colocá-lo inteiro, mas me conterei. Vou ressaltar apenas algumas frases:

"As vezes, o ciúme nem tem objeto determinado. Há pessoas que se mostram naturalmente ciumentas de todos os que se elevam, de todos os que saem da vulgaridade (entenda-se aqui todos que saem do lugar comum, que se destacam), mesmo quando não tenham no caso nenhum interesse direto, mas unicamente por não poderem atingir o mesmo plano".

"(...) se formasse a maioria da sociedade, tudo desejariam rebaixar ao seu próprio nível. Temos nestes casos o ciúme aliado à mediocridade".

"O homem só é infeliz, geralmente, pela importância que liga ás coisas deste mundo".

Prosseguiremos com as colocações de Herculano Pires em nosso próximo encontro. A paz do Mestre esteja com todos.

Exposto em 23-03-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte X

"(...) se elevar seu pensamento ao infinito, que é o seu destino, as vicissitudes da Humanidade lhe parecerão mesquinhas e pueris, como mágoa de criança que se aflige ao perder um brinquedo(...)".

"Aquele que só encontra a felicidade na satisfação do ORGULHO e dos apetites grosseiros é infeliz quando não os pode satisfazer (...).

"No estado de civilização o homem pondera a sua infelicidade, a analisa, e por isso é mais afetado por ela, mas pode também ponderar e analisar os seus meios de consolação"

Encerro este trecho de Herculano Pires, lembrando a todos mais uma vez, de que as ferramentas estão ao nosso dispor. Cabe-nos escolher qual a obra que realizaremos.

Leiam mais tarde, por favor, este link que leva diretamente a uma página de obras Póstumas, aonde temos muito sobre orgulho e egoísmo:

http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/op/op-22.html

Livre-arbítrio, sempre. Ferramentas temos,podemos construir para o bem ou para o mal. O trabalho que teremos para fazer, será o mesmo, com a grande diferença que, se optarmos pelo mal, haveremos de trabalhar dobrado em reparação, para alcançarmos e fazermos o bem.
A outra colocação que encontramos no Evangelho Segundo o Espiritismo e que alude às causas atuais das aflições, é:
"Quantas pessoas arruinadas por falta de ordem, de perseverança, por má conduta e por não terem limitado seus desejos".
Na questão 911 temos: Perg.: Não existem paixões de tal maneira vivas e irresistíveis que a vontade seja impotente para as superar?
Resp.: - Há muitas pessoas que dizem: "EU QUERO"!!Mas a vontade está somente em seus lábios. Elas querem mas estão muito satisfeitas de que assim não seja. Quando o homem julga que não pode superar suas paixões é que o seu Espírito nela se compraz, como conseqüência de sua própria inferioridade. Aquele que procura reprimi-las compreende a sua natureza espiritual; vencê-las é para ele um triunfo do Espírito sobre a matéria".
E as paixões hoje são quase as mesmas de ontem, senão mais açuladas, mais violentas e devastadoras, no homem que prossegue inquieto. Joanna de Ângelis
Farei diferente: instigarei a todos a serem perseverantes!!!!! A perseverança no bem, a disciplina com que buscamos tudo em nossa vida e a consciência do que realmente nos é necessário, nos bastam para que sejamos felizes!!!

E, no próprio livro dos Espíritos, já temos um direcionamento : 912-Pergunta: Qual o meio mais eficaz de se combater a predominância da natureza corpórea?
Resposta:- Abnegação.

Abnegar-se...abnegação...abnegação é incompatível com o egoísmo e o orgulho....

"A abnegação e o devotamento são uma prece continua e encerram um ensinamento profundo. A sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender essa verdade, em vez de clamarem contra suas dores, contra os sofrimentos morais que neste mundo vos cabem em partilha. Tomai, pois, por divisa estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõe. O sentimento do dever cumprido vos dará repouso ao espírito e resignação. O Espírito de Verdade. (Havre, 1863.)
 

Exposto em 28-03-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte XI

Paixão, orgulho, egoísmo, males da humanidade de onde surgem os motivos das aflições vividas hoje!! Grandes inimigos que temos dentro de nós mesmos. Aliás, lembrei-me da passagem em que temos dois animais dentro de nós...trata de sentimento diferente, mas bem serve para estes....alimentarei o ódio ou o perdão? Alimentarei o amor ou a revolta? ...e assim por diante...

Eis a questão. Falarmos de nossas mazelas, ainda nos é complicado, mas o importante é que mesmo que seja no silêncio de nosso eu, reflitamos sobre o assunto. As aflições serão diminuídas quando compreendermos o porquê delas existirem. E como compreender esse trem? Ou como iniciar esta compreensão?

Luiz Gabina  nos diz em 'Jesus e as Aflições dos Homens - IX Encontro Espírita sobre Jesus' o seguinte:

Começamos pelo seguinte questionamento: O que é aflição?

Quando estamos aflitos, angustiados, ansiosos, preocupados ou inquietos é sinal de que fomos tomados pela aflição e por conseguinte, estamos desarmonizados.
A aflição, para nós, é um estado da alma que se caracteriza por um desconforto, ela é relativa porque depende da intensidade de cada indivíduo. É também um dos mecanismos da lei para estímulo do progresso do espírito.

O homem por si só é o arquiteto da sua aflição. Possui, ele, na sua capacidade intelectiva e sensitiva, a felicidade e a infelicidade de produzir a aflição em diversos matizes e em diferentes graus de intensidade.
O meio pelo qual estamos envolvidos, nos induz diretamente para alguns tipos de aflições. Se estivéssemos centrados em coisas úteis, evitaríamos prejuízos ao nosso corpo físico e a nossa alma, tais como: O homem aflige-se por liberdade e confunde com libertinagem; O homem aflige-se pelo gozo e destrói a sua paz interior; O homem aflige-se por amor e deixa-se levar pela paixão animalizante; O homem aflige-se por dinheiro e envolve-se com uma penitenciária dourada; O homem aflige-se pelo poder que o leva a loucura; O homem aflige-se com o medo da morte e mostra o quanto é vítima da escuridão ou mostra o quanto é enfraquecido e sedento de luz e de entendimento.

As aflições são processos depurativos que chegam ao homem, convidando à meditação em torno da problemática da existência e deve ser conduzida com responsabilidade.

A misericórdia divina faz com que a minha aflição sirva de termômetro, porque ela vai medir meu estado espiritual, que representa o patrimônio de que dispõe para recuperar a minha paz. Com isto, ela me leva a vitória sobre mim mesmo.

Quando o Senhor Jesus nos fala dos "Bem-aventurados os aflitos..." será que somos todos nós? Ou ele se refere, apenas, àqueles que retiram o bom proveito; àqueles que encontram na dor desafios para superarem a si mesmo; aos que se abraçam à fé ardente sobrepondo as conjunturas dolorosas; ou todos que transformam dificuldades e provações em experiência e sabedoria?

Exposto em 30-03-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte XII

Como ser bem-aventurado na aflição? Como aprender com as dificuldades? Bem, se queremos respostas, temos de buscá-las. Vamos lá. Quando estamos em um campo de batalha que fazemos? Buscamos conhecer o terreno aonde combateremos, buscamos saber mais acerca do inimigo, criamos estratégias de ação e buscamos resultados. O mesmo se dá quando estamos prestando algum concurso, não é mesmo? Ou seja, em diversos setores de nosso viver buscamos conhecer aquilo a que nos candidatamos. Bem, se queremos ser bem-aventurados nas aflições, subentende-se que queremos por elas passar tirando real proveito, crescimento e aprendizado. E como fazer isso? Conhecendo aquilo que nos atormenta e travando junto a isso verdadeira batalha. Vejamos mais uma passagem de o Evangelho Segundo o Espiritismo neste capítulo de bem-aventurados os aflitos item 4:

“Quantas uniões infelizes, porque resultaram dos cálculos do interesse ou da vaidade, nada tendo com isso o coração!”

Temos como referência em o Livro dos Espíritos a seguinte questão: Orgulho e vaidade – questão 933 do LE e para falar sobre estes dois irmãos, orgulho e vaidade, nada como a grande referência dada por Ney Pietro Peres em seu livro Manual Prático do Espírita:

(...) Procuremos, agora, ilustrar, entre os defeitos que mais comumente manifestam-se em nós, o orgulho e a vaidade. Busquemos tranqüilamente conhecê-los, tão profundamente quanto possível, sem mascarar os seus impulsos dentro de nós mesmos. Entendamos que a tolerância começa de nós para nós mesmos. Assim, o nosso trabalho de prospecção interior é suave, e não podemos nos maldizer ou nos martirizar pelos defeitos que ainda temos. Vamos, então, trazer aos níveis de nossa consciência aquelas manifestações impulsivas que nos dominam de certo modo, e que, progressivamente, desejamos controlar.

Vejamos, então, como identificar em nós o orgulho e a vaidade.

Vaidade
“O homem, pois, em grande número de casos,é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade, acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria.”
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo V. Bem-aventurados os Aflitos. Causas Atuais das Aflições.)

A vaidade é decorrente do orgulho, e dele anda próxima. Destacamos adiante as suas facetas mais comuns:

a. Apresentação pessoal exuberante (no vestir, nos adornos usados, nos gestos afetados, no falai demasiado);
b. Evidência de qualidades intelectuais, não poupando referências à própria pessoa, ou a algo que realiza;
c. Esforço em realçar dotes físicos, culturais ou sociais com notória antipatia provocada aos demais;
d. Intolerância para com aqueles cuja condição social ou intelectual é mais humilde, não evitando a eles referências desairosas;
e. Aspiração a cargos ou posições de destaque que acentuem as referências respeitosas ou elogiosas à sua pessoa;
f. Não reconhecimento de sua própria culpabilidade nas situações de descontentamento diante de infortúnios por que passa;
g. Obstrução mental na capacidade de se auto-analisar, não aceitando suas possíveis falhas ou erros, culpando vagamente a sorte, a infelicidade imerecida, o azar.

Exposto em 06-04-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte XIII

A vaidade, sorrateiramente, está quase sempre presente dentro de nós. Dela os espíritos inferiores se servem para abrir caminhos às perturbações entre os próprios amigos e familiares. É muito sutil a manifestação da vaidade no nosso íntimo e não é pequeno o esforço que devemos desenvolver na vigilância, para não sermos vítimas daquelas influências que encontram apoio nesse nosso defeito. De alguma forma e de variada intensidade, contamos todos com uma parcela de vaidade, que pode estar se manifestando nas nossas motivações de algo a realizar, o que é certa¬mente válido, até certo ponto. O perigo, no entanto, reside nos excessos e no desconhecimento das fronteiras entre os impulsos de idealismo, por amor a uma causa nobre, e os ímpetos de destaque pessoal, característicos da vaidade.

A vaidade, nas suas formas de apresentação, quer pela postura física, gestos estudados, retórica no falar, atitudes intempestivas, reações arrogantes, reflete, quase sempre, uma deformação de colocação do indivíduo, face aos valores pessoais que a sociedade estabeleceu. Isto é, a aparência, os gestos, o palavreado, quanto mais artificiais e exuberantes, mais chamam a atenção, e isso agrada o intérprete, satisfaz a sua necessidade pessoal de ser observado, comentado, “badalado”. No íntimo, o protagonista reflete, naquela aparência toda, grande insegurança e acentuada carência de afeto que nele residem, oriundas de muitos fatores desencadeados na infância e na adolescência. Fixações de imagens que, quando criança, identificou em algumas pessoas aparentemente felizes, bem sucedidas, comentadas, admiradas, cujos gestos e maneiras de apresentação foram tomados como modelo a seguir.

Se relembrarmos o item abordado: “Quantas uniões infelizes, porque resultaram dos cálculos do interesse ou da vaidade, nada tendo com isso o coração!”, veremos o quanto estes detalhes realçados diante de nosso comportamento fazem toda a diferença e influência. Ney Pietro prossegue:

O vaidoso o é, muitas vezes, sem perceber, e vive desempenhando um personagem que escolheu. No seu íntimo é sempre bem diferente daquele que aparenta, e, de alguma forma, essa dualidade lhe causa conflitos, pois sofre com tudo isso, sente necessidade de encontrar-se a si mesmo, embora às vezes sem saber como.

O mais prejudicial nisso tudo é que as fixações mentais nos personagens selecionados podem estabelecer e conduzir a enormes bloqueios do sentimento, levando as criaturas a assumirem um caráter endurecido, insensível, de atitudes frias e grosseiras. O Aprendiz do Evangelho terá aí um extraordinário campo de reflexão, de análise tranqüila, para aprofundar-se até as raízes que geraram aquelas deformações, ao mesmo tempo que precisa identificar suas características autênticas, o seu verdadeiro modo de ser, para então despir a roupagem teatral que utilizava e colocar-¬se amadurecidamente, assumindo todo o seu íntimo, com disposição de melhorar sempre.

Orgulho

“Aquele que só encontra a felicidade senão na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz quando não os pode satisfazer, enquanto que aquele que não se interessa pelo supérfluo se sente feliz com aquilo que, para os outros, constituiria infortúnio.”
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Quarto. Capítulo 1. Penas e Gozos Terrenos. Parte dos comentários à resposta da pergunta 933.).

“O orgulho vos induz a julgardes mais do que sois, a não aceitar uma comparação que vos possa re¬baixar, e a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. E o que acontece, então? Entregai-vos à cólera.”
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo IX. Bem-aventurados os Brandos e Pacíficos. A Cólera.).

As principais reações e características do tipo predominantemente orgulhoso são:
a. Amor-próprio muito acentuado: contraria-se por pequenos motivos;
b. Reage explosivamente a quaisquer observações ou críticas de outrem em relação ao seu comportamento;

Exposto em 11-04-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte XIV

Prosseguindo com as principais reações e características do tipo predominantemente orgulhoso, temos:

c. Necessita ser o centro de atenções e fazer prevalecer sempre as suas próprias idéias;
d. Não aceita a possibilidade de seus erros, mantendo-se num estado de consciência fechado ao diálogo construtivo;
e. Menospreza as idéias do próximo;
f. Ao ser elogiado por quaisquer motivos, enche-se de uma satisfação presunçosa, como que se reafirmando na sua importância pessoal;
g. Preocupa-se muito com a sua aparência exterior, seus gestos são estudados, dá demasiada importância à sua posição social e ao prestígio pessoal;
h. Acha que todos os seus circundantes (familiares e amigos) devem girar em torno de si;
i. Não admite se humilhar diante de ninguém, achando essa ati¬tude um traço de fraqueza e falta de personalidade;
j. Usa da ironia e do deboche para com o próximo nas ocasiões de contendas.

Compreendemos que o orgulhoso vive numa atmosfera ilusória, de destaque social ou intelectual, criando, assim, barreiras muito densas para penetrar na realidade do seu próprio interior. Na maioria dos casos o orgulho é um mecanismo de defesa para encobrir algum aspecto não aceito de ordem familiar, limitações da sua formação escolar-educacional, ou mesmo o resultado do seu próprio posicionamento diante da sociedade da imagem que escolheu para si mesmo, do papel que deseja desempenhar na vida de “status”.

E preferível nos olharmos de frente, corajosamente, e lutar por nos¬sa melhora, não naquilo que a sociedade estabeleceu, dentro dos limites transitórios dos bens materiais, mas nas aquisições interiores: os tesouros eternos que “a traça não come nem a ferrugem corrói!”. (Ney Pietro Peres - manual prático do Espírita).

Nem sempre as questões propostas para nossa melhoria nos assemelham fáceis, no entanto, eis que são possíveis. A constância, ou seja, a perseverança com que abraçarmos esta busca, fará toda a diferença. Como Francisco de Assis nos estimula com a seguinte frase: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente, você estará fazendo o impossível.", eis que a dificuldade não é nova e nem inatingível, mas antes, faz parte de todo o processo evolutivo a que estamos sujeitos.

O outro item que encontramos no Evangelho é:

Que de dissensões, de disputas funestas, poderiam ser evitadas com mais moderação e menos suscetibilidade!

A tal da suscetibilidade é a Expressão de despeito ou de mágoa na pessoa que se julga ofendida pelo que outrem lhe diz. = MELINDRE.

Ao abordarmos anteriormente o tema melindre, como em tantos outros, percebemos diversas faces. A que nos chama atenção é a de que algumas pessoas são rotuladas como melindrosas, quando na realidade, o seu interlocutor geralmente é grosseiro, cheio de verdades e julgamentos, claro que com a ‘boa intenção’ de fazê-la crescer ou apreender os ensinamentos da espiritualidade. Fato é que ambas as partes necessitam rever posturas.

Algumas pessoas não se dão ao trabalho de reconhecer a oportunidade do diálogo e outras, ao se verem acuadas, simplesmente fecham-se ao mesmo. Os que se acreditam mais evoluídos deveriam ser o primeiros a darem um passo na direção dessa modificação, evitando julgamentos, críticas e apontamentos desnecessários.

Exposto em 13-04-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte XV

Tudo bem simples e redondo, podemos partir para outro item? Não! Muito temos a compreender sobre a tal suscetibilidade e eis que em Laços de Afeto Wanderley S. de Lima nos dá alguns referenciais do que ocorre, por exemplo, dentro da casa espírita:

Costuma-se asseverar que ele é a doença pertinaz de nossos meios espíritas. Somente a criatura abnegada nos serviços do bem não padece suas injunções a ponto de se agrilhoar. É o melindre — reação de apego doentio às nossas criações.

No campo moral podemos concebê-lo com as seguintes facetas:

- Personalismo magoado.
- Indicador de nosso contágio pelo egocentrismo.
- Rebeldia do orgulho.

Surge com mais assiduidade nos relacionamentos de pouca profundidade afetiva, nos quais escasseiam os valores da sinceridade, do diálogo e do bem-querer.

Sua faina consiste em minar as energias através da mágoa crescente, expressada em complexos mecanismos de tristeza, decepção, desânimo e revolta. E depois de alcançar as fibras mais sensíveis do sentimento, promove um “campo de guerra” nos pensamentos que penetra as faixas da fantasia e da obsessão.

Exposto em 18 e 20-04-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte XVI

Que de dissensões, de disputas funestas, poderiam ser evitadas com mais moderação e menos suscetibilidade! E eis que adentramos a tantas vulnerabilidades que ingenuamente alimentamos em nosso dia-a-dia, que não poderia ser diferente junto ao melindre:

Analisado por um prisma psicopatológico, o estágio agudo do melindre, processado em cólera muda ou manifesta, corresponde a uma fuga momentânea da realidade para uma incursão alienante em “quadro esquizofrênico” de rápida duração, no qual a mente raia pelos campos delirantes e persecutórios(...).

Gente, que loucura, não? Aliás, literalmente loucura!! Viram que comparativo é tecido entre um simples rompante de melindre e a esquizofrênia? Porém, sinto em dizer. Melindre não acontece em simples rompantes e se perpetua existências afora se não nos propormos a trabalhá-lo. As consequências são mais fortes e basta observarmos a definição de esquizofrênia para percebermos o que é que estamos alimentando em nós quando o assunto é melindre:

Embora seja discutida como se fosse uma doença única, a esquizofrenia pode ser considerada como uma síndrome heterogênea, ou ainda, como um grupo de transtornos com causas heterogêneas. A sua pode ser considerada a história da própria psiquiatria, uma vez que a quantidade de estudiosos desta enfermidade é vasta. Neste contexto, o psiquiatra francês Benedict Morel (1809-1873) foi quem primeiro se utilizou do termo démense precoce, o qual seria latinizado, mais tarde, por Emil Kraepelin (1856-1926) como dementia precox. Caberia, porém, ao suíço Eugen Bleuer, em 1911, a criação do termo “esquizofrenia” que indica a presença de um cisma entre pensamento, emoção e comportamento (esquizo = cisão, frenia = mente).
Muito embora se considere a esquizofrenia um achado raro, atualmente se sabe que a sua prevalência é algo em torno de 1% em todo mundo; entretanto, apenas uma pequena parcela desta população recebe o tratamento adequado.

Não há características patognomônicas da doença, ou seja, os sinais e os sintomas não são exclusivos da esquizofrenia, podendo-se, assim, encontrá-los em outros distúrbios psiquiátricos e/ou neurológicos. Dessa maneira, a sintomatologia esquizofrênica se apresenta demasiada abrangente. É interessante notar, no entanto, a presença importante das alucinações e dos delírios.

Ainda, pela complexidade do distúrbio, foram diferenciados vários tipos de esquizofrenias, sendo estes os principais subgrupos: paranóide – caracterizada, fundamentalmente, pela presença de delírios de perseguição ou de grandeza; desorganizada ou hebefrênica – caracterizada, principalmente, por uma regressão acentuada a um comportamento primitivo; catatônica – caracterizada por uma acentuada perturbação psicomotora; indiferenciada – nesta modalidade, pacientes dificilmente se encaixam em um dos outros tipos; residual – em que os delírios e/ou alucinações são pobres.(...).

Exposto em 18 e 25-04-2011 por Fiorell@!

 

Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte XVII

finalizando o item "Que de dissensões, de disputas funestas, poderiam ser evitadas com mais moderação e menos suscetibilidade", eis que nos apoiaremos no restante da escrita de Wanderley S. de Lima:

(...) Há pessoas propensas a se melindrarem graças à posição íntima de se colocarem como vítimas da vida. Assediadas por “culpas de outras vidas”, que mais não são que seus desvarios de auto-piedade e pieguismo, elaboram um sensível sistema psíquico que as predispõe a se sentirem perseguidas pela “má sorte”, pelos “obsessores” e pela indiferença dos outros em relação a elas. No fundo são vítimas de si mesmas. São casos de desajuste reencarnatório em bases de rebeldia e inconformação com sua atual existência, promovendo uma insatisfação persistente com tudo e com todos, em lamentável egocentrismo de opiniões e interesses onde quer que se movimentem.

A atitude de suscetibilidade é a responsável pela grande maioria dos litígios, cismas, agastamentos e das querelas do relacionamento dentro das nossas casas espíritas.

Nisso encontramos mais uma forte razão para o urgente investimento na melhora emocional das relações interpessoais dos integrantes de nossas agremiações de amor.

O melindre é a resposta irracional da emoção demonstrando plena ausência de inteligência intrapessoal.

As criaturas educadas emocionalmente têm sempre respostas adequadas ao teste do melindre. Reagir com equilíbrio, elaborar soluções criativas aos impasses e agir com espontâneo amor são respostas de quem é dotado de farta inteligência emotiva, lograda em refregas nas vivências do Espírito que amadureceu para a vida, O melindre é a pobre resposta do sentimento agredido.

As casas espíritas compostas por relacionamentos de conteúdo moral elevado tais como a assertividade, a empatia, o conhecimento mútuo, a amizade favorecem uma convivência saudável e harmoniosa que ensejam defesas contra o “vírus” contagiante do orgulho ofendido.

Por longo tempo ainda estagiaremos sob os alvitres do amor próprio ferido, já que ainda não guardamos a suficiente abnegação e humildade para superá-lo integralmente. Nada mais natural que recebermos seus reflexos. Contudo, se já temos em nós a luz do Evangelho e do Espiritismo para guiar nossos passos, compete-nos empreender árdua luta para não permanecermos por tempo demasiado sob sua influência perniciosa, a fim de não permitirmos os dolorosos trâmites da subjugação e da perda energética seguida de doenças variadas, sobretudo, no sistema circulatório.

Enredados em suas malhas, procuremos meditar e orar, estudemos suas origens em nós e afastemos tudo quanto possa dar-lhe guarida por mais tempo.

Empreendamos nossos melhores esforços pela casa espírita mais fraterna e de relações honestas, sinceras, onde encontremos o clima desejável de confiança e afeto para dirimirmos as dúvidas naturais de nossa convivência, que também se encontra em aperfeiçoamento e aprendizado, não permitindo as brechas das imaginações doentias que são campo arado para a ofensa e a desavença.

Lembremos, por fim, que o futuro trabalhador do movimento espírita é, quase sempre, originado das experiências cotidianas de nossas Casas, onde muito experienciou nas sendas da suscetibilidade ferida. Ante esse fato, ficam para nós as indagações: qual terá sido o recurso de superação adotado pelo trabalhador nas questões melindrosas? Terá ele desenvolvido habilidades emocionais inteligentes para lidar harmoniosamente com tal imperfeição, ou apenas adquiriu o hábito de se insensibilizar e se tornar imune às agressões?

Precisamos dessas respostas, pois elas explicam e geram muitos fatos!(...).

Exposto em 27-04-2011 por Fiorell@!

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