Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos - parte VII
Nos
estudos passados de O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V item 1 e
2, vimos um pouco das bem-aventuranças.
Vale
ressaltar que, em momento algum, Jesus apregoou que deveríamos ser
Mártires diários, mas sim, seguidores de seus passos em busca de Deus,
Pai, de forma a não sermos portadores de rancores, iras, ódios, orgulhos,
presunções e nem desencadeadores de escândalos, guerras e atos menos
dignos.
Em
paralelo, as bem-aventuranças nos instigam a aceitarmos as dificuldades,
as dores, as privações e tantas outras situações nem tão confortáveis, de
maneira a trabalharmos nossa resignação, nossa humildade e nosso
desprendimento.
Hoje,
adentraremos ao item 3 do Capítulo V, que traz como título JUSTIÇA DAS
AFLIÇÕES., mas não sem antes, dizer aos companheiros para que, em momento
oportuno, leiam a prece contida no final do Evangelho Segundo o
Espiritismo, intitulada PELOS INIMIGOS DO ESPIRITISMO. O prefácio é assaz
importante e vem ao encontro do que falávamos no encontro passado, acerca
dos perseguidores e da doutrina Espírita, na belíssima mensagem de Santo
Agostinho.
Pelo
pouco que vimos das bem-aventuranças, já nos é possível compreender que
existe algo de JUSTO nas aflições. Aliás, se olharmos Deus com os olhos
corretos, já veremos sua justeza e misericórdia.
Necessitamos, porém, de palavras de consolo; necessitamos, porém, de
palavras de encorajamento.
E eis que
temos as palavras de Jesus, temos os esclarecimentos trazidos pela
Codificação Espírita, temos nosso mentor individual, temos leituras
edificantes, temos amigos solidários, temos familiares que nos amam, temos
o ar e a natureza, temos as belezas nas galáxias e no fundo do mar....
Uffa... Não nos falta a presença de Deus!!! Seu amparo e a Sua compreensão
em todos nossos momentos de fraqueza, de erro e de incerteza.
E também
em nossos momentos de vitórias contra nossas mazelas, em nossos momentos
de conquistas e superações pessoais. Cabe a nós, unicamente a nós mesmos,
a forma como vemos, sentimos e buscamos cada uma dessas passagens. Em A
Gênese temos a seguinte colocação:
44. Os
aflitos existem em grande número; não é de admirar, portanto, que tantas
pessoas acolham uma doutrina que consola, de preferência às doutrinas que
desesperam, porque é aos deserdados mais que aos felizes do mundo, que o
Espiritismo se dirige(...)"
Escolhemos o que nos consola, ao invés de escolhermos o que nos faz entrar
em desespero....
E, no
consolo da Codificação Espírita, temos a seguinte passagem no capítulo V,
item 3:
"As
compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra não podem ocorrer
senão na vida futura; sem a certeza na vida futura essas máximas seriam um
contra-senso, bem mais, seriam um engodo".
Vemos nos
capítulos anteriores do Evangelho uma seqüência e, esta seqüência, não se
deu ao acaso. Existe lógica e coerência nela. Nesta seqüência, vemos que
Jesus não veio destruir a Lei, vemos que o Reino Dele não é deste mundo,
vemos que existem muitas moradas na casa de nosso Pai e, anterior a este
mesmo estudo, vimos que ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de
novo.
Aprendemos a conhecer o porquê de Jesus ter estado entre nós, sobre o
consolador prometido, sobre a vida futura e que a Terra não é a única
morada, além do fato de que, precisamos morrer e nascer, numa seqüência
contínua e até quando se fizer necessária, para que possamos alcançar o
Reino de Deus. Se, realmente, conseguimos entender estes capítulos,
teremos maior facilidade para compreender a necessidade das aflições, para
compreender porque elas existem e como devemos proceder diante das mesmas.
Bom, por
que elas existem? Vejamos o que nos diz a questão 114 do Livro dos
Espíritos:
Perg.:
Os Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que
procuram melhorar-se? Resposta - Os Espíritos mesmos se melhoram;
melhorando-se passam de uma ordem inferior para uma superior.
Nesta
pergunta, temos a referência à Escala Espírita, constante das questões
anteriores, mas também nos mostra que existem vários graus a serem
galgados e conquistados. De nós, única e tão somente, é que depende a
forma como haveremos de galgá-los.
Não
podemos asseverar por nossas vidas passadas e nem pelo nosso passado
presente, mas podemos dar testemunho daquilo que esperamos para as
encarnações vindouras. E, em sendo assim, saberemos que nosso futuro
depende de nosso hoje. Sabemos que para não sofrermos maiores aflições,
devemos desde já, retificarmos nossa moral, nossa conduta e nosso pensar.
Aliás,
quando falamos em futuro, muitos ainda se esquecem de observar pela ótica
espiritual e, presos á matéria, questionam como será o futuro de nossos
filhos e netos em um Planeta sujeito aos desmandos dos homens e á sua
arbitrariedade. Como consolo, temos a lucidez da questão 926 do Livro dos
Espíritos:
A
civilização, criando novas necessidades, não é a fonte de NOVAS aflições?
Resp.: Os males deste mundo estão na razão das necessidades ARTIFICIAIS
que criais para vós mesmos. Aquele que sabe limitar os seus desejos e ver
sem cobiça o que está fora das suas possibilidades, poupa-se a muitos
aborrecimentos nesta vida. O mais rico é aquele que tem menos
necessidades.
Uffa....é
para pensarmos, não é mesmo?
Ainda
assim, pela mente de muitos passa a questão: mas e hoje? Como faço para
viver meu hoje em meio a tantas dores, sofrimentos? Por que para mim nada
dá certo? Por que comigo as coisas não prosperam e não sou feliz?
Adentremos a este item no próximo encontro.
Exposto em
16-03-2011 por Fiorell@!