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O Evangelho Segundo o Espiritismo 

Estudos da Moral Cristã Sob a Ótica do Espiritismo
Estudo abordado a partir de 01 de abril de 2009

Estudos anteriores e atuais:

- Primeira Parte - de Explicação a Autoridade da Doutrina
- Notícias Históricas até Resumo da Doutrina de Sócrates
- Capítulo I do ESE

- Capítulo IV do ESE

- Capítulo V do ESE

 

 

 Capítulo II - Meu Reino não é deste mundo

A Vida Futura 1 – “Tornou, pois a entrar Pilatos no pretório, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Reino dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: O meu Reino não é deste mundo: se o meu Reino fosse deste mundo, certo que os meus ministros haviam de pelejar para que eu não fosse entregue aos judeus; mas por agora o meu Reino não é daqui. Disse-lhe então Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu o dizes que eu sou rei. Eu não nasci nem vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade; todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”. (João, cap. XVIII, 33-37)

Nesta passagem vemos já se cumprir aquilo ao o que o Mestre se propunha: todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Acaso Pilatos ouviu o Mestre? Acaso intercedeu em seu favor diante do que lhe fora revelado? Não. E por que? Porque ele ainda não pertencia à verdade e à luz. Apenas lavou as mãos, após saciar sua mórbida curiosidade. Curiosidade mórbida é aquela que não acrescenta, apenas se informa e se compraz com a informação, principalmente se for capciosa ou maledicente, injuriosa ou sensacionalista. Vejamos o que nos diz Kardec:

2 – Por estas palavras, Jesus se refere claramente à vida futura, que ele apresenta, em todas as circunstâncias, como o fim a que se destina a humanidade, e como devendo ser o objeto das principais preocupações do homem sobre a terra. Todas as suas máximas se referem a esse grande princípio. Sem a vida futura, com efeito, a maior parte dos seus preceitos de moral não teria nenhuma razão de ser. É por isso que os que não crêem na vida futura, pensando que ele apenas falava da vida presente, não os compreendem ou os acham pueris. Esse dogma pode ser considerado, portanto, como o ponto central do ensinamento do Cristo. Eis porque está colocado entre os primeiros, no início desta obra, pois deve ser a meta de todos os homens. Só ele pode justificar os absurdos da vida terrestre e harmonizar-se com a justiça de Deus.

E de justificativa para os absurdos que nos envolvem eis que nossa busca é incessante, NE? Quando pensamos já ter visto de tudo, eis que uma coisa nova surge e nos deixa pasmos. Ou, o velho se repete e nos pomos a questionar: até quando, Senhor? Um ciclo vicioso nos prende em determinadas etapas de nosso viver e nos parece que nada flui. Cremos na vida futura, cremos na possibilidade de aqui estarmos para aprendizado e até mesmo para resgate de atitudes, mas nos vemos paralisados. Que força é essa que contraria nossas crenças, nossa fé e as verdades de que já tomamos conhecimento? Quem sabe não seja a nossa falta de compreensão do porvir e a força que damos ao imediatismo em nosso sentir, ser e estar? Vejamos mais sobre a vida futura, alicerce de nossa crença.

3 – Os judeus tinham idéias muito imprecisas sobre a vida futura. Acreditavam nos anjos, que consideravam como os seres privilegiados da criação, mas não sabiam que os homens, um dia, pudessem tornar-se anjos e participar da felicidade angélica. Segundo pensavam, a observação das leis de Deus era recompensada pelos bens terrenos, pela supremacia de sua nação no mundo, pelas vitórias que obteriam sobre os inimigos. As calamidades públicas e as derrotas eram os castigos da desobediência. Moisés o confirmou, ao dizer essas coisas, ainda mais fortemente, a um povo ignorante, de pastores, que precisava ser tocado antes de tudo pelos interesses deste mundo. Mais tarde, Jesus veio lhes revelar que existe outro mundo, onde a justiça de Deus se realiza. É esse mundo que ele promete aos que observam os mandamentos de Deus. É nele que os bons são recompensados. Esse mundo é o seu reino, no qual se encontra em toda a sua glória, e para o qual voltará ao deixar a Terra.

Ainda nos assemelhamos aos rudes pastores a que se referiu Kardec, porque muitos de nós ainda necessitamos ser tocados pelas coisas do mundo. Uma cura, um milagre, uma mudança inexplicável nos quadros da vida, a ascensão em determinado setor, as necessidades materiais, enfim, quantos de nós já nos conscientizamos da efemeridade daquilo que vivemos e da necessidade de aprender a ser, estar e existir em harmonia com o amor divino? Até mesmo aqueles que alardeiam assim já ter compreendido anda estão distantes desta real compreensão, posto que palavras são a própria fortaleza que cada qual busca para alicerçar sua própria crença ou seu próprio existir e, atitudes, são a demonstração clara desse viver.

Somos ainda movidos a palavras. Somos ainda movidos a nos mostrarmos importantes em determinado segmento, diante de determinada situação e perante determinadas pessoas, no entanto, quem o é o é pura e simplesmente, sem necessidade de se auto-afirmar ou de alardear suas condições. E quando chamados a esclarecer nossas posturas, vamos observar quem é que nos chama. Estamos sendo convocados pelo Mestre Jesus ou por Pilatos? Queremos lavar nossas mãos diante daquilo que já realizamos, da importância que já adquirimos perante a sociedade e determinados segmentos ou apenas fazemos e realizamos por obediência filial? Reflitamos se estamos a serviço da Terra e de nós mesmos, ou se estamos a serviço da eternidade.

Ah, Fiorella, mas como estar a serviço da eternidade com contas a pagar, escola das crianças, roupas, alimentos e toda sorte de necessidades que possuímos em nosso cotidiano? Mas gente, quem disse que aqui estamos para contemplação ou para sermos beneméritos de alguma instituição ou favores alheios? Aqui estamos para cumprir com nossos deveres carnais. Faz tempo que não falo nisso, mas eis a oportunidade novamente se fazendo. Não estamos aqui para vivermos na flauta. Se ganhamos 1 ou 10, não importa. Importa sejamos úteis e estejamos atuantes diante do desenrolar dos fatos.

Talvez 1 não me assegure as inúmeras despesas que possuo, mas 1 ainda é mais do que nada. Se Deus é pelos pássaros, por que não haverá de ser por um filho que sinceramente busca o trabalho? Toda a diferença está em nosso interior. Se acomodados, 10 não significam nada. Se dispostos, 1 significa um milhão. Ainda sobre a mensagem do Mestre, temos:

Jesus, entretanto, conformando o seu ensino ao estado dos homens da época, evitou lhes dar os esclarecimentos completos, que os deslumbraria em vez de iluminar, porque eles não o teriam compreendido. Ele se limitou a colocar, de certo modo, a vida futura como um princípio, uma lei da natureza, à qual ninguém pode escapar. Todo cristão, portanto, crê forçosamente na vida futura, mas a idéia que muitos fazem dela é vaga, incompleta, e por isso mesmo falsa em muitos pontos. Para grande número, é apenas uma crença, sem nenhuma certeza decisiva, e daí as dúvidas, e até mesmo a incredulidade.

Estes dias em uma comunidade do Orkut, alguém perguntou por que o espiritismo não revelava onde está o corpo da moça envolvida com o goleiro de um time aí. Fui buscar respostas concretas e diretas, mas não é necessário. A pergunta dela assemelha-se á frase embutida na pergunta de Pilatos: Já que és Rei, por que não te salvas? Assim o foi na crucificação, em que um dos companheiros de martírio do Cristo blasfemava: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Quer dizer, para o incauto e descrédulo, sempre é necessário comprovar algo, mostrar palpavelmente aquilo a que se propõe uma criatura. Nossos conceitos, de épocas anteriores a esta do Cristo, são bárbaros e distorcidos e nem a vinda do Cristo parece ter aclarado a mente de milhares de criaturas, que ainda crêem na morte tal qual um castigo divino. Vejam esta parte narrada por Cairbar Schutel:

(...) Vê-se que os dois condenados que foram crucificados com Jesus tiveram as pernas quebradas; contudo não aplicaram o mesmo processo a Jesus, por haverem constatado a sua morte, cumprindo-se a profecia: "Nenhum dos seus ossos será quebrado". O mundo de então era uma barbaridade. Punia-se um crime com um crime maior; não se educava o delinquente, não o corrigiam, mas o condenavam. E a pena era: tortura, suplício, morte! A idéia que os donos do poder faziam da morte, pela legislação antiga, era a extinção da alma ou a sua deportação para o inferno. A teoria da "vida única", tal como a concebiam os doutores da Lei, os governadores e os sacerdotes, não podia mesmo estabelecer diferença entre um assassino e um ladrão. Os que acreditavam na imortalidade tinham desse princípio uma noção muito vaga, aliando-a à idéia do juízo final e à da ressurreição da carne, tal como a concebem atualmente os católicos romanos e os protestantes. Jesus veio destruir todos esses dogmas e crenças hereditárias, demonstrando o que é, verdadeiramente, a morte, erguendo sobre o princípio da imortalidade a Religião do Perdão e do Amor. (...).

E ainda nos assustamos com as coisas que vemos hoje em dia, não? Nossa cultura contém traços dolorosos e nos redimirmos deles tem-nos custado séculos, encarnações e mais encarnações. Ainda assim, feliz é a criatura que se depara com a oportunidade do perdão e do amor, ou seja, no que vem de Deus todos nós somos felizes, mas e de nós para com o próximo? E o próximo para conosco? Teremos perdoado? Fomos perdoados? Amamos de maneira incondicional? Tanto temos a caminhar. Tanto já caminhamos. Perseveremos, somos os maiores beneficiados, com certeza.

Como dica, acessem este vídeo acerca de Cairbar: História de Cairbar Schutel.

Exposto em 11-08-2010 por Fiorell@!

 

 

Capítulo II - A realeza de Jesus

O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em muitos outros, o ensinamento do Cristo, quando os homens se mostraram maduros para compreender a verdade. Com o Espiritismo, a vida futura não é mais simples artigo de fé, ou simples hipótese. É uma realidade material, provada pelos fatos. Porque são as testemunhas oculares que a vêm descrever em todas as suas fases e peripécias, de tal maneira, que não somente a dúvida já não é mais possível, como a inteligência mais vulgar pode fazer uma idéia dos seus mais variados aspectos, da mesma forma que imaginaria um país do qual se lê uma descrição detalhada. Ora, esta descrição da vida futura é de tal maneira circunstanciada, são tão racionais as condições da existência feliz ou infeliz dos que nela se encontram, que acabamos por concordar que não podia ser de outra maneira, e que ela bem representa a verdadeira justiça de Deus.

Ainda assim, eis que muitos não aceitam e dizem que isso tudo é coisa do demônio. Mas gente, quem é o demônio? Um espírito, certo? Se é espírito é por não estar encarnado. Ou seja, se só enxergam o bem ou o mal é tendencionismo de quem assim enxerga. A realidade e os fatos, aí estão. Querer aceitar ou não é liberdade de cada um. E mais, perceber que cada um tem em conformidade com seus atos, faz com que percebamos que não existem protegidos e preteridos. Se deixarmos de teimosia infundada, veremos a justiça divina, não a justiça punitiva, mas a justiça que é justa em sua concepção, dando a cada um segundo suas obras.

A Realeza de Jesus 4 – O reino de Jesus não é deste mundo. Isso todos compreendem. Mas sobre a Terra ele não terá também uma realeza? O título de rei nem sempre exige o exercício do poder temporal. Ele é dado, por consenso unânime, aos que, por seu gênio, se colocam em primeiro lugar em alguma atividade, dominando o seu século e influindo sobre o progresso da humanidade. É nesse sentido que se diz: o rei ou o príncipe dos filósofos, dos artistas, dos poetas, dos escritores, etc.

O mundo em que conhecemos o Mestre Jesus, era um mundo regido pelos interesses pessoais, pela barbárie, pelas leis que oprimem e castigam indistintamente, por homens mesquinhos e vis, por criaturas perversas dentro da própria religiosidade que professam. Algo mudou de lá para cá? Teremos evoluído? Teremos aprendido algo? Sim, embora continuemos em muitos aspectos guiados por estes mesmos sentimentos!! Jesus veio buscar aqueles que assim se dispuseram a segui-lo e fazer jus a esta morada. Jesus veio nos dar a oportunidade de conhecer algo diferente daquilo que até então conhecíamos e isso ocorre diariamente. É o milagre do amor, a germinar em corações sedentos de paz e de luz, amor e misericórdia.

E quem é o carro chefe deste milagre de amor? Quem é o condutor mor? O Mestre Jesus, nosso Rei, Guia, irmão, Conselheiro, Caminho e tantas outras definições que queiramos dar-lhe. Ele é a ponte entre Deus, suas leis e a sua criação, nós. Através de Jesus, passaremos pelas Leis do pai, apreendendo-as e assimilando-as, praticando-as e alardeando-as, até chegarmos ao Pai. Jesus é a grande ponte, mas outras pontes se fazem em nosso viver e temos visto isto através de muitos e muitos irmãos, sejam espíritas ou não. Verdadeiras pontes entre o abismo de nossas deficiências e o amor que nos fortalece. Verdadeiras pontes que se dispõe a nos doar, seja através de psicografias, trabalhos voluntários, arrecadações diversas, disseminação dos ensinamentos Cristãos, e tantas outras maneiras de ser ponte entre aquilo que somos/fazemos/ansiamos e aquilo a que verdadeiramente chegaremos.

Não existem apenas pontes construídas solidamente, mas existem outras tantas e de acordo com a necessidade e disponibilidade para que a tarefa se concretize. A cada pé o seu sapato, a cada percurso a transpor a sua ponte. Pequenas, grandes, sólidas, momentâneas e de todos os tipos – pontes que estão sob a liderança de uma só criatura – Jesus. Prosseguindo:

Essa realeza, que nasce do mérito pessoal, consagrada pela posterioridade, não tem muitas vezes maior preponderância que a dos reis coroados? Ela é imperecível, enquanto a outra depende das circunstâncias; ela é sempre abençoada pelas gerações futuras, enquanto a outra é, às vezes, amaldiçoada. A realeza terrena acaba com a vida, mas a realeza moral continua a imperar, sobretudo, depois da morte. Sob esse aspecto, Jesus não é um rei mais poderoso que muitos potentados? Foi com razão, portanto, que ele disse a Pilatos: Eu sou rei, mas o meu reino não é deste mundo.

O grande erro daqueles que aguardavam o cumprimento das profecias, foi justamente, o de aguardar um rei com a visão terrena. Embora elucidados por João Batista e tantas outras pequenas pontes espalhadas pelo mundo de então, a maioria esmagadora aguardava um rei repleto de riquezas, que ostentasse toda a pompa e poderio com que se acreditava ser necessário vencer guerras, tomar impérios e libertar povos. E qual não foi a surpresa ao se depararem com um carpinteiro? E surpresa maior foi a daqueles que notaram que tinha quem acreditasse, confiasse e se sentisse melhor seguindo a este carpinteiro. O cúmulo da afronta à materialidade reinante.

Por que os doutores do templo uniram-se a Pilatos e a tantos outros reis? Porque havia influência da matéria e dos ganhos pessoais! Puxa, impossível, inclusive, não fazer analogia com nossa família ou familiares. Aquela tia chata que ninguém pensaria em convidar para uma festa é a primeira a ser enumerada, porque com muita certeza ela trará fartura de alimentos e presentes; aquele pai que ninguém tolera ou concorda com suas atitudes é o mesmo que tem todos aos seus pés, porque lhes fornece casa, comida e tudo do que dispõe. Quem quer se revoltar contra isso tudo e assumir seus próprios pensamentos e atitudes?

Lembram-se de Francisco de Assis? Tinha tudo isso e muito mais de seu rico pai, mas preferiu permanecer nu em meio à multidão do que ter de vestir um par de meias que fosse e abdicar de sua crença e de seus ideais. Com certeza não eram materialistas.

Vemos aos montes, famílias cujas pessoas caminham na honestidade, no amor e na boa intenção, mas que são preteridos por aqueles que possuem recursos e possa ‘comprar’ companhia e tudo o mais de que necessitam. Nós não queremos ver nossos filhos vendidos e nem queremos ver aqueles que nos são caros deixarem-se sucumbir a estas situações, mas todos precisam do aprendizado. Avós que compram netos com sorvete, estranhos que compram crianças com passeios e coca-cola, adultos que compram adultos em troca daquilo que lhes é caro ou necessário. Em épocas de eleições, nem preciso me alongar na busca de exemplos, pois vemos aos montes. Vale lembrar que comprador e comprados passam por situações de aprendizado, envolvendo a dor, com muita certeza.

Assim o era na época de Jesus e assim o será enquanto o ser humano ainda for guiado pelos desejos e necessidades imediatistas, custem o que custar. Muito melhorou e se modificou, mas não nos esqueçamos que não somos os mesmos habitantes daquela época. Quem, uma vez mais lhes pergunto, não nos garante que existem habitantes de outros mundos, em evolução similar ás nossas e que não estiveram aqui à época de Jesus? Já aprendemos que Deus cria incessantemente, que existe troca entre as diversas moradas e que nada está parado no ciclo evolutivo.

O que fica de todo este ensinamento é que Jesus é de uma realeza imperecível e que se mantém e propaga pelo mundo todo através dos séculos. E quem foi o primeiro rei da Normandia? Quem foi o décimo rei da França? Quem são eles em relação aos nossos dias atuais? Estarão tão presentes como o Mestre Jesus? Não. Apenas a realeza moral de Jesus alcançou nossos tempos. Nos próximos trechos a serem abordados, veremos o testemunho de além túmulo de uma Rainha e estas conjecturas se confirmarão.

O Ponto de vista.
5 – A idéia clara e precisa que se faça da vida futura dá uma fé inabalável no porvir, e essa fé tem conseqüências enormes sobre a moralização dos homens, porque muda completamente o ponto de vista pelo qual eles encaram a vida terrena. Para aquele que se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é infinita, a vida corporal não é mais do que rápida passagem, uma breve permanência num país ingrato. As vicissitudes e as tribulações da vida são apenas incidentes que ele enfrenta com paciência, porque sabe que são de curta duração e devem ser seguidos de uma situação mais feliz. A morte nada tem de pavoroso, não é mais a porta do nada, mas a da libertação, que abre para o exilado a morada da felicidade e da paz. Sabendo que se encontra numa condição temporária e não definitiva, ele encara as dificuldades da vida com mais indiferença, do que resulta uma calma de espírito que lhe abranda as amarguras.

Como diz o Divaldo P. Franco em uma de suas palestras, não é porque somos espíritas e cremos na vida futura que temos pressa em morrer. Muita calma lá. Temos nossos apegos do lado de cá. Temos nossos caminhos a percorrer, nossas provas a cumprir, nossa responsabilidade a levar avante. Porém, sabemos que nada do que temos seguirá conosco, a não ser coisas imperceptíveis á matéria e inalienáveis perante a eternidade. A nossa fé tem de ser maior do que é. ‘Ah, sou temente a Deus e cumpro com todos os meus deveres’. Mas ninguém falou isso. Ninguém disse que temos de ter medo de Deus e fazer aquilo que é devido ou obrigatório.

Nossa função, enquanto seres buscam a perfeição, é a de olharmos para o perfeito com os olhos perenes e não olhos que haverão de caducar. Nossa função é a de estarmos com fé perante a vida e aos desígnios e isso significa sermos obedientes. Se nos é dito, confia e segue, não querem que sejamos robôs ou manipuláveis, mas sim que compreendamos que tudo passa e se faz necessário que sigamos. É necessário que alimentemos o bem e o amor. É necessário que embora o mundo nos mostre dor e tristeza, que creiamos naquilo que o pai nos mostra: amor e gozos eternos.

Não os amores a que estamos habituados, não os gozos fáceis que confundimos com banalidades, mas o amor que edifica e constrói, o gozo de quem vê o bem e o amor construindo e edificando. E, por mais que nos esforcemos em nossa caminhada individual, teremos sempre um irmão de jornada a amparar e a socorrer, assim como também o fomos e somos. Nossa felicidade se fará plena quando os que amamos também estiverem felizes e, se estamos aprendendo a amar a humanidade, imaginem o trabalho que temos à frente. E já vou lembrando: de nada vai adiantar sair trabalhando pelo distante e que não está ligado a nós de maneira direta, se deixarmos os que são prementes em nossa lista de lado, ou seja, não adianta fazer caridade fora da família e tratar aos pais, irmãos e filhos como peças de um jogo de xadrez, onde cada qual pode proporcionar um resultado e possui uma função específica de ser. Emmanuel nos convida a escolhermos o abrigo seguro:

(...)Diante de quaisquer provações da vida; quando tudo te pareça incompreensão, barrando-te os passos; se as circunstâncias do mundo te arrebatarem a presença de criaturas queridas; no momento em que todos os recursos se te afigurem extintos; perante os sofrimentos que te alcancem os seres amados; ou à frente de inibições orgânicas que julgues irreversíveis, ilhando-te nos problemas da enfermidade; não desanimes. Pensa em Deus, refugia-te em Deus, espera por Deus e confia em Deus, porquanto, ainda mesmo quando te suponhas a sós, em meio de tribulações incontáveis, Deus está conosco e com Deus venceremos.(...)

Na hora da dor e do desespero, parece que nossas forças se encontram minadas e não conseguimos fazer essa ligação com Deus, crendo e confiando que Ele está conosco, pelo contrário, criamos um diálogo mental que não nos dá nenhuma margem de piedade (eu não presto, não valho nada e assim por diante) ou que nos coloca em um pedestal inatingível (por que você fez isso comigo, Deus? Que te fiz para merecer tamanha injustiça?), quando devíamos disciplinar nossos impulsos e nossa mente, pondo-nos a ler e reler as orientações que nos foram ofertadas, a repisá-las e repassá-las ausentando-nos da onda de auto-flagelo emocional que nos acomete.

Certo é que em determinadas horas temos tão profundo pesar e lastimar, que sequer sentimos coragem de conversar com Deus ou de fazer qualquer coisa. Sejamos fortes e resistamos a estas ondas... Elas nos são motivo de aprendizado e não de afogamento.

Exposto em 18-08-2010 por Fiorell@!

 

 

Capítulo II - Ponto de vista - parte II

Diante do capítulo II Meu reino não é deste mundo, já abordamos um pouco sobre a vida futura e acerca da realeza de Jesus, onde já pudemos compreender a grande diferença entre o temporário e o eterno. Ainda neste capítulo, com o subtítulo O PONTO DE VISTA, eis que pudemos perceber que a crença na vida futura nos dá, por tabela, a fé no porvir. É claro que não nos basta acreditar na vida futura e cometer desatinos ou acreditar em facilidades, mas este continuar do ser nos facilita a compreensão de muitas coisas, principalmente frente á dor. Vejamos mais um pouco do que nos diz Kardec neste ponto:

Pelas simples dúvida sobre a vida futura, o homem concentra todos os seus pensamentos na vida terrena. Incerto do porvir, dedica-se inteiramente ao presente. Não entrevendo bens mais preciosos que os da Terra, ele se porta como a criança que nada vê além dos seus brinquedos e tudo faz para os obter. A perda do menor dos seus bens causa-lhe pungente mágoa. Um desengano, uma esperança perdida, uma ambição insatisfeita, uma injustiça de que for vítima, o orgulho ou a vaidade ferida, são tantos outros tormentos, que fazem da sua vida uma angústia perpétua, pois que se entrega voluntariamente a uma verdadeira tortura de todos os instantes.

Recentemente aqui em minha cidade um conhecido nosso viu-se á mercê deste exemplo, levando-o à mais bruta conseqüência. Estava ele em seu carro, numa estrada esburacada, quando o carro que vinha em sentido contrário, ao desviar de um buraco, chocou-se com seu retrovisor. Como tinha barulho de tudo quanto é lado, acredito eu que o motorista não se deu conta do ocorrido e seguiu viagem. Este nosso conhecido, no entanto, perdeu completamente a noção das coisas e iniciou uma caçada desenfreada pelo outro automóvel.

No final das contas, deu 5 tiros no motorista do outro veículo, afora as crianças que também foram baleadas. Pai de família, trabalhador idôneo de uma grande empresa pública, eis que agora é o assassino que matou um homem na frente dos filhos e no dia dos pais. Não esqueçamos de vibrar por ele logo mais, por favor. Reencontros do passado entre desafetos, vulnerabilidade espiritual do agressor, enfim, quem pode explicar o que realmente ocorreu junto a estes homens?

Por outro lado, se quiséssemos arriscar um medicamento ou preventivo para a situação, diríamos que é necessário o desapego, a fé inabalável e, sobretudo, a disciplina das emoções. Talvez nosso conhecido estivesse sob o efeito dos vapores, como dizem nossos amigos da espiritualidade, talvez ele estivesse à mercê de desencarnados que tramavam sua derrocada, talvez tenha sido um marionete frente á situação entre o motorista e seus desafetos do passado, porém, a certeza que temos é que em dado momento ele apenas distanciou-se completamente do dever filial e da fé na justiça divina.

Por isso, acredito eu que naqueles momentos em que nos achamos completamente no direito em agir de forma equivocada (somos de carne e osso, não somos santos, temos imperfeições, sei que estou errando e etc.), trazemos para nós mais do que a simplicidade do ato que estamos praticando, seja proferir palavras bruscas a alguém, seja cometer adultério, seja lá o que for.

Diante do nosso conhecimento estamos sendo imprevidentes e imediatistas, completamente materialistas, posto que conscientemente nos distanciamos da oportunidade de praticar e aprender um pouco mais acerca da humildade, do perdão, da renúncia, da tolerância, do auto-domínio e tantas outras virtudes a que somos chamados praticar nos instantes de desvario ou de luxúria. Vejamos um pouco mais do que nos esclarece Kardec acerca do ponto de vista material ou terreno:

Sob o ponto de vista da vida terrena, em cujo centro se coloca, tudo se agiganta ao seu redor. O mal o atinge, como o bem que toca aos outros, tudo adquire aos seus olhos enorme importância. É como o homem que, dentro de uma cidade, vê tudo grande em seu redor: os cidadãos eminentes como os monumentos; mas que, subindo a uma montanha, tudo lhe parece pequeno.

Isso é mais comum e abrangente do que sequer imaginamos. Hoje mesmo passei por experiência que reflete um pouco disso. Fui ao mercado e na hora de pagar, a máquina de cartão estava quebrada. A atendente pediu-me que fosse a outro balcão para processar o pagamento. Chegando lá, eu e minhas sacolas, tivemos de esperar um bonitão fotografar uns frascos de shampoo, encaixotar tudo, quase me dar uma cotovelada e, finalmente a moça passou meu cartão. Recusado. Uma vez, duas vezes. Então sugeri que eu voltasse lá com outro cartão.

Deixei as coisas em casa e voltei lá. Com outro cartão. Ela passou uma vez. Recusado. Passou a segunda. Recusado. Passou a terceira, recusado novamente. E eu ali, afirmando que esse não cartão não tinha dúvidas que poderia ser passado. Enfim, na quarta vez o trem foi aceito. Enquanto isso acotovelavam-se outras pessoas para pagar, entregar e retirar sacolas. Aí eu quase disse: uffa, hoje não é o meu dia.

Mas me censurei imediatamente e corrigi: só por conta disso não será meu dia? Corrigi o pensamento, aprumei a coluna e quando saí de lá tudo estava em paz. Se eu tivesse persistido no primeiro pensamento, com alguma certeza eu teria escorregado e caído, ou alguém teria esbarrado em mim ou ou ou, mas eu quis dar ao fato a importância que ele tinha e ela era mínima. Essa postura de confiança, positivismo e equilíbrio é a mesma que necessitamos ter em todos os momentos.

Uma conquista pequena, diante do tanto que ainda temos de conquistar, mas que com certeza faz toda a diferença em nosso exercício diário da disciplina, da fé de que aqui estamos não apenas para resgatar e passar por tormentos e da prática daquilo que alardeamos. Vejamos mais:

Assim acontece com aquele que encara a vida terrena do ponto de vista da vida futura: a humanidade, como as estrelas no céu, se perdem na imensidade; ele então se apercebe de que grandes e pequenos se confundem como as formigas num monte de terra; que operários e poderosos são da mesa estatura; e ele lamenta essas criaturas efêmeras, que tanto se esfalfam para conquistar uma posição que os eleva tão pouco e por tão pouco tempo. É assim que importância atribuída aos bens terrenos está sempre na razão inversa da fé que se tem na vida futura.

Tendo-se o formigueiro como exemplo, a custa de muita observação e estudo foi que os homens puderam perceber a hierarquia dentro de um formigueiro. Aliás, nem sei se podemos utilizar o termo hierarquia, haja vista a grande sincronia existente entre os vários tarefeiros das variadas tarefas. Uma coisa não caminha sem o amparo da outra. Comida não adentra ao formigueiro se não tiver quem as transporte e estas só serão transportadas se forem localizadas. A distribuição só se dará graças a tarefeiros que sabem qual o caminho indicar e assim por diante, em uma grande produção coordenada, vai se beneficiando o formigueiro da ajuda mútua e da colaboração entre todos.

De nossa parte, só o fato de trabalharmos de sapato social já faz com que nossa postura se modifique, mesmo que este sapato tenha sido comprado em uma liquidação de quinta categoria. Os sapatos sociais são o status de nossa nova posição e se cuidem, porque vamos utilizá-lo não apenas para desfilar no rol das vaidades que alimentamos, mas também para pisar naqueles que acreditamos serem nossos inferiores. E por que? A troco de que?

Se almejamos determinada posição social, não nos incomodamos em passar a rasteira em nosso concorrente, fazendo até mesmo que seus próprios esforços nos sirvam beneficamente. Não nos enganemos, porque para as empresas somos perfeitamente substituíveis e ao aceno de economia e rendimento maiores, seremos trocados sem pestanejar. E que teremos angariado com nosso trabalho descortês, desumano e ausente de fraternidade? Apenas os aplausos da galera que ficar e um ‘Bem-feito, quem mandou ser tão arrogante?”

Augusto Cury, que com tanta propriedade vem tratando dos deslizes do ser eterno frente a si próprio, possui um livro intitulado “ Você é insubstituível”. Se tiverem a oportunidade, leiam o trem e revejam conceitos acerca de si próprios. Até lá, não se esqueçam que Augusto Cury trata do ser eterno, enquanto as empresas tratam do ser lucrativo.

Se a sua fé anda vacilante e cambaleante, perceba se não é justamente por estardes dando maior valor ás cosias da Terra do que às do Céu. E entendam, coisas da Terra são nossos filhos, nossos pais, nossa casa, nosso trabalho (remunerado ou não) e assim por diante. O apego não é apenas a roupas, calçados, carros e comida. Prossegue Kardec:

6 – Se todos pensarem assim, dir-se-á, ninguém mais se ocupando das coisas da Terra, tudo perigará. Mas não, porque o homem procura instintivamente o seu bem estar, e mesmo tendo a certeza de que ficará por pouco tempo em algum lugar, ainda quererá estar o melhor ou o menos mal possível. Não há uma só pessoa que, sentindo um espinho sob a mão, não a retire para não ser picada. Ora, a procura do bem estar força o homem a melhorar todas as coisas, impulsionado como ele é pelo instinto do progresso e da conservação, que decorre das próprias leis da natureza. Ele trabalha, portanto, por necessidade, por gosto e por dever, e com isso cumpre os desígnios da Providência, que o colocou na Terra para esse fim. Só aquele que considera o futuro pode dar ao presente uma importância relativa, consolando-se facilmente de seus revezes, ao pensar no destino que os aguarda.

Exposto em 25-08-2010 por Fiorell@!

 

 

Capítulo II - Ponto de vista - parte III e Uma Realeza Terrena

Prosseguindo com o capítulo II, Meu reino não é deste mundo, temos a continuidade do item 6, que consta do subtítulo PONTO DE VISTA:

Deus não condena, portanto, os gozos terrenos, mas o abuso desses gozos, em prejuízo dos interesses da alma. É contra esse abuso que se previnem os que compreendem estas palavras de Jesus: O meu reino não é deste mundo.

Como na sinopse de hoje (conheça o envio diário de Sinopses Espíritas clicando aqui!), onde Ermance Dufaux nos alerta de que mesmo àquele a quem é dado lhe será tirado, e já vimos isso em outras passagens do evangelho e dos estudos, eis que nada nos pertence realmente. Aquele carro pomposo com o qual desfilamos na rua, causando inveja e até mesmo ira a algumas criaturas mal amadas, não é nosso. Está conosco. Aquele nosso cabelo que jogamos para lá e para cá, não é nosso, está conosco neste momento. E assim se segue que, se mal tratarmos o cabelo ele perde o viço, a beleza e pode até cair. O carro, se não pagarmos as prestações e os impostos referentes a ele, ser-nos-á retirado e assim consecutivamente. São bens que estão conosco e que devem ser utilizados/usufruídos com parcimônia.

Recordemos que embora tudo isso possa nos trazer conforto, paz, status, regalias e uma série de outras coisas, aqui está para a transitoriedade do estar encarnado. Ainda que reencarnemos 500 vezes, talvez não tenhamos novamente a mesma situação material. Os materialistas dirão: corre aproveitar tudo o que temos direito, não sabemos do dia de amanhã ou até aquela frase batida de que a terra há de comer, mas é isso no que cremos?

Cremos que nossas dores são reflexo das desordens e desarmonias que já causamos a nós mesmos e a outras criaturas. Cremos que se hoje algo ainda não nos está bem é por falta de resignação e até mesmo humildade em aceitar a situação ou a vida como elas são. Se temos fé e ela não nos proporciona todas as alegrias que os supostos iluminados desfrutam, lembremo-nos de que estamos em campos de provas e expiações, estamos em ambientes onde a felicidade ainda não é a mais perfeita e completa e, enquanto irmãos estiverem envoltos em pranto e dor, assim não o será. Eis porque a seguinte passagem nos diz:

Aquele que se identifica com a vida futura é semelhante a um homem rico, que perde uma pequena soma sem se perturbar; e aquele que concentra os seus pensamentos na vida terrestre é como o pobre que ao perder tudo o que possui, cai em desespero.

A proporção da dor é relativa. Sabemos da transitoriedade e da efemeridade de tudo. Sabemos que se hoje estamos em um campo onde a família nos falta, faz parte do aprendizado que necessitamos neste momento. Não nos torturemos com a ausência, antes, saibamos reconhecer que temos a oportunidade de fazer coisas que aqueles que possuem família não podem. Conscientizemo-nos de que se uma porta está fechada, outras tantas estão abertas e disponíveis diante da diversidade da vida, do aprender e do necessitar.

Não deixemos que nossas lutas façam em nosso viver um mar de lamentações, dores e angústias desnecessárias. Somos esperados com ansiedade em algum lugar. Somos necessários frente a inúmeras pessoas e, antes de mais nada, somos filhos do criador e como tais, sujeitos à perfeição e à felicidade. Aceitemos se ela se apresenta amarela ao invés de laranja, azul ao invés de verde e tudo o mais nos será facilitado. No item 7 temos:

7– O Espiritismo dá amplitude ao pensamento e abre-lhe novo horizonte. Em vez dessa visão estreita e mesquinha, que o concentra na vida presente, fazendo do instante que passa sobre a terra o único e frágil esteio do futuro eterno, ele nos mostra que esta vida é um simples elo do conjunto harmonioso e grandioso da obra do Criador, e revela a solidariedade que liga todas as existências de um mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo e os seres de todos os mundos. Oferece, assim, uma base e uma razão de ser à fraternidade universal, enquanto a doutrina da criação da alma, no momento do nascimento de cada corpo, faz que todos os seres sejam estranhos uns aos outros. Essa solidariedade das partes de um mesmo todo explica o que é inexplicável, quando apenas consideramos uma parte. Essa visão de conjuntos, os homens do tempo de Cristo não podiam compreender, e por isso o seu conhecimento foi reservado para mais tarde.

Quando observamos a vida como algo que acaba, que me irá importar a criatura lá do outro lado da rua? Quero mais é que ela se vire, porque eu vou me virar e de mim mesma cuidar. Se a mata Atlântica está sendo devastada, 'che me ne freggo io'? Meus filhos e netos que se virem. Não me compete cuidar daquilo que está longe da minha visão, salvo seja do meu interesse.Vejam o testemunho de nossa irmã que vem do plano espiritual nos mostrar a sua surpresa e a sua compaixão para com os semelhantes:

Instruções dos Espíritos UMA REALEZA TERRENA UMA RAINHA DE FRANÇA Havre, 1863
8 – Quem poderia, melhor do que eu, compreender a verdade destas palavras de Nosso Senhor: Meu reino não é deste mundo? O orgulho me perdeu sobre a Terra. Quem, pois, compreenderia o nada dos reinos do mundo, se eu não o compreendesse? O que foi que eu levei comigo, da minha realeza terrena? Nada, absolutamente nada. E como para tornar a lição mais terrível, ela não me acompanhou sequer até o túmulo! Rainha eu fui entre os homens, e rainha pensei chegar no Reino dos Céus. Mas que desilusão! E que humilhação, quando, em vez de ser ali recebida como soberana, tive de ver acima de mim, mas muito acima, homens que eu considerava pequeninos e os desprezava, por não terem nas veias um sangue nobre! Oh, só então compreendi a fatuidade dos homens e das grandezas que tão avidamente buscamos sobre a Terra!

Deparar-se com uma situação como esta é comum a todos nós. Com muita certeza já nos vimos nessa tremenda saia justa. Alguns já aprenderam outros não. Este capítulo de O Evangelho Segundo o Espiritismo é um referencial importante no que diz respeito às hierarquias e ás relações que travamos no mundo terreno. Os valores aqui evidenciados e levados em alta conta (de quem somos filho, em qual colégio estudamos, qual nossa posição dentro da empresa e até mesmo dentro da casa espírita) não são valores que levaremos conosco, já que teremos novos pais, novos conhecimentos e novas funções. Levaremos isto que nossa irmã ressalta:

Para preparar um lugar nesse reino é necessária a abnegação, a humildade, a caridade, a benevolência para com todos. Não se pergunta o que fostes que posição ocupastes, mas o bem que fizestes, as lágrimas que enxugastes.

Por vezes isso nos parece tão óbvio. Óbvio a nós que já nos demos conta da impossibilidade em perpetuar os bens terrenos para o lado de lá. Óbvio para nós que já sentimos na pele a dor causada pela arrogância e prepotência de outros. Porém, ao mesmo tempo em que somos cordatos com o enunciado pela ex-rainha, também nos vemos às voltas com o esquecimento e até mesmo a falta de compreensão profunda no que diz respeito às verdades abordadas.

Em algum momento o estalo se faz e nos vemos realmente na pele de quem crê, pratica e vivencia aquilo que esta nossa irmã disse, assim como tantas outras coisas que são ditas nas palestras da casa espírita, nos seminários, estão nos livros, nas mensagens e até nas letras de músicas. E quando este momento se fizer em nós, ou se repetir nos esforçados da evolução, lembremo-nos também do nosso próximo, cuja verdade ainda está distante de seu ser. Tomemos as palavras desta nossa irmã como referencial de compaixão e piedade:

Oh, Jesus! Disseste que teu reino não era deste mundo, porque é necessário sofrer para chegar ao Céu, e os degraus do trono não levam até lá. São os caminhos mais penosos da vida os que conduzem a ele. Procurai, pois o caminho através de espinhos e abrolhos e não por entre as flores! Os homens correm atrás dos bens terrenos, como se os pudessem guardar para sempre. Mas aqui não há ilusões, e logo eles se apercebem de que conquistaram apenas sombras, desprezando os únicos bens sólidos e duráveis, os únicos que lhes podem abrir as portas dessa morada. Tende piedade dos que não ganharam o Reino dos Céus. Ajudai-os com as vossas preces, porque a prece aproxima o homem do Altíssimo, é o traço de união entre o Céu e a Terra. Não o esqueçais!

Que assim saibamos ser meritórios e também realizar.

Exposto em 01-09-2010 por Fiorell@!

 

 

Capítulo III - Há muitas moradas na Casa de Meu Pai - parte I

Temos como primeiro referencial o subtítulo Diferentes Estados da Alma na Erraticidade.

Gostaria de convidá-los a um momento íntimo de reflexão. Para tanto, sugiro que fechem seus olhos. Pedirei para abri-los no momento oportuno. Confiem e relaxem. Sigam estas orientações, mantendo-se no foco de que estamos em um ambiente fraterno e de aprendizado. Adentrem ao vosso ser e mantenham-se ligados neste ambiente, sem mergulharem no que lhes será pedido. Apenas recordem. Recordem de alguma dor ou sofrimento. Recordem alguma separação ou como é mais conhecida, a perda de um ente querido. Vasculhem dentro de si e vejam o que é que está a latejar. Tragam lá do íntimo, aquela dor insuperável, aquela angústia inenarrável, aquela chaga na alma que não se fecha. Sintam essa dor que se agiganta dentro do seu peito e confiem que ela pode cessar através do amor.

E agora, percebam que ao vosso lado está alguém que vos ama incondicionalmente. Que tem a força e o poder para movimentar mares, curar cegos, fazer andar paralíticos, alimentar e saciar uma multidão a partir de 5 pães. Percebam que este que se fez homem entre nós está manso e pacífico ao vosso lado. Senta-se junto a cada um de nós. Toma nossas mãos em suas mãos e amorosamente nos diz:

1 – Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim. – Há muitas moradas na casa de meu pai. Se assim não fosse, eu vo-lo teria dito; pois vou preparar-vos o lugar.

E neste ato de amor e humildade, eis que esta criatura, Jesus de Nazaré, quer aliviar nossa dor, refazer o sorriso em nosso lábios, propagar brando calor em nosso ser. Eis que esta criatura se põe aos nossos serviços, indo buscar a felicidade e a cura a todos nós, implorando ao Pai que nos perdoe por nossas deficiências e fragilidades. O que ele nos pediu em troca? Nada, absolutamente nada. E ainda nos deu o caminho para perpetuar essa união com o Pai: vá e não erres mais. Ele, neste momento, segundo as nossas disposições, quer uma vez mais nos auxiliar a esquecer mágoas, retirar rancores, aplacar a saudade e nos dar a oportunidade de perdoar e sermos perdoados. Ele, neste momento, nos dá uma vez mais, o momento sublime para que busquemos nossos desafetos e nos reconciliemos. Ele crê e confia em nós. Intercedeu junto a Deus por nós, inclusive, no momento em que mais sofria e lhe doíam as nossas atitudes. Perdoou a cada um de nós lá no passado remoto. Compreendeu nossas fragilidades no hoje e no agora. E, libertos que estamos de todos os sofrimentos que carregamos inutilmente, neste momento se assim o desejarmos, podemos abrir nossos olhos e ver o que mais nos prometeu e cumpre este irmão maior:

E depois que eu me for, e vos aparelhar o lugar, virei outra vez e tomar-vos-ei para mim, para que lá onde estiver, estejais vós também. (João, XIV: 1-3).

E lá se foi essa criatura ímpar. Lá se foi este ser deixando em nós a certeza de que voltaria e assim voltou. Deixando em nós a promessa de que prepararia o nosso lugar, nos mostrando o caminho e nos levando consigo em paz, união e fraternidade. Onde ele estiver nós também estaremos. Imaginaram que dádiva é esta? Perceberam que benção nos é ofertada e sem nada nos ser solicitado a não ser que amássemos nosso criador e às suas criaturas? Será que diante de tão profunda, sincera e sólida promessa, devemos continuar a alimentar as dores e sofrimentos que ressuscitamos a instantes? Será que enquanto ele trabalha por nós e aplaina nosso caminho, cabe-nos permanecer aqui a alimentar a mágoa, o ódio, a vingança, a volúpia, a sensualidade, a insensatez, o orgulho, a vaidade e a auto-comiseração? Será que onde ele aparelhou para nós, ou seja, o terreno que ele limpou e retirou entulhos e calhaus, cabe-nos depositar sementes de ervas daninhas dos sentimentos desajustados que insistimos em alimentar? Será que onde ele aparelhou, ou seja, as peças que ele fez encaixarem-se em harmonia e utilidade, cabe-nos chegar e desmontar tudo com nossos sentimentos menos dignos? Que estas palavras do Mestre possam nos servir de guia e referencial para os próximos momentos de nossa vida.

2 – A Casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos Espíritos desencarnados estações apropriadas ao seu adiantamento. Independentemente da diversidade dos mundos, essas palavras podem também ser interpretadas pelo estado feliz dos Espíritos na erraticidade.

 Mais do que espaços físicos ou delimitados por paredes, rochas ou o que quer que seja, eis que o reflexo de nosso interior também pode representar uma das moradas do pai. Se um interior rico e cheio de venturas, a felicidade nos envolve. Se tristes e fechados, a dor e a sombra nos acolhe. Compreender que estamos delimitados única e tão somente pela nossa moralidade e evolução nos dá a alegria de saber que a mudança de um estado ou ambiente para outro é uma questão de nosso querer, buscar e merecer. Ninguém está sujeito até o fim dos tempos a permanecer no mesmo lugar, até porque não existe o fim do tempo, mas sim a eternidade. Vejamos mais um pouco:

Conforme for ele mais ou menos puro e liberto das atrações materiais, o meio em que estiver, o aspecto das coisas, as sensações que experimentar, as percepções que possuir, tudo isso varia ao infinito. Enquanto uns, por exemplo, não podem afastar-se do meio em que viveram, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos. Enquanto certos Espíritos culpados erram nas trevas, os felizes gozam de uma luz resplandecente e do sublime espetáculo do infinito. Enquanto, enfim, o malvado, cheio de remorsos e pesares freqüentemente só sem consolações separado dos objetos da sua afeição geme sob a opressão dos sofrimentos morais, o justo, junto aos que ama, goza de uma indizível felicidade. Essas também são, portanto, diferentes moradas, embora não localizadas nem circunscritas.

É isso. Tanto podemos realizar para percorrer estes mundos infinitos e, em muitos momentos, nos amarramos ao passado á dor e ao sofrimento. Deixamos de desfrutar de um céu límpido acreditando que sempre terá chuva. Deixamos de percorrer campos floridos porque erguemos em nós barreiras tão sólidas que até aparecem em nosso corpo somatizadas como doenças e alergias diversas. Tanto por alegrar-se e realizar e nossa vibração teima em permanecer na angústia e na tristeza. Descuidamos de nosso corpo físico e o resultado é a falta de harmonia no conjunto divino: mente, espírito e corpo se sobrecarregam querendo suprir as necessidades e os cuidados que deixamos de acalentar.

Diversas Categorias de Mundos Habitados
3 – Do ensinamento dado pelos Espíritos, resulta que os diversos mundos possuem condições muito diferentes uns dos outros, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Dentre eles, há os que são ainda inferiores à Terra, física e moralmente. Outros estão no mesmo grau, e outros lhe são mais ou menos superiores, em todos os sentidos. Nos mundos inferiores a existência é toda material, as paixões reinam soberanas, a vida moral quase não existe. À medida que esta se desenvolve, a influência da matéria diminui, de maneira que, nos mundos mais avançados, a vida é por assim dizer toda espiritual.

Podemos apenas acrescentar que nos Mundos Inferiores é perceptível: seres rudimentares; forma humana sem beleza; instintos, não há sentimentos de delicadeza ou de benevolência; não tem noção do justo e do injusto; a força bruta é a única lei; carentes de indústrias e de invenções; passam a vida na conquista de alimentos. Já vimos isso nos tempos iniciais da Terra. Depois temos:

4 – Nos mundos intermediários, o bem e o mal se misturam, e um predomina sobre o outro, segundo o grau de adiantamento em que se encontrarem. Embora não possamos fazer uma classificação absoluta dos diversos mundos, podemos, pelo menos, considerando o seu estado e o seu destino, com base nos seus aspectos mais destacados, dividi-los assim, de um modo geral: mundos primitivos, onde se verificam as primeiras encarnações da alma humana; mundos de expiação e de provas, em que o mal predomina; mundos regeneradores, onde as almas que ainda têm o que expiar adquirem novas forças, repousando das fadigas da luta; mundos felizes, onde o bem supera o mal; mundos celestes ou divinos, morada dos Espíritos purificados, onde o bem reina sem mistura. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiações e de provas, e é por isso que nela está exposto a tantas misérias.

Enfatizando, temos o sonho de consumo de todo espírito: Mundos Superiores! Lá a forma humana, é mais embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo, purificada; o corpo não tem a materialidade terrestre, não está sujeito às necessidades, nem às doenças ou deteriorações que predominância da matéria provoca; sentidos mais apurados; leveza do corpo permite locomoção rápida e fácil, deslizando pela superfície, usando apenas a vontade; é rápido o desenvolvimento dos corpos e curta ou quase nula a infância; vida mais longa do que na Terra; a morte não causa pavor, é considerada uma transformação feliz; a livre transmissão do pensamento; relações amistosas entre os povos; só a superioridade moral e intelectual estabelece diferença entre as condições e dá a supremacia; a autoridade merece o respeito de todos, pois está estabelecida no mérito e na justiça; amor e fraternidade prendem uns aos outros todos os homens; possuem bens adquiridos mais ou menos por meio da inteligência; o mal, nesses mundos, não existe; os mundos felizes não são orbes privilegiados, visto que Deus não é parcial para qualquer dos seus filhos; a todos dá os mesmos direitos e as mesmas facilidades para chegarmos a tais mundos.

É para estes mundos que Deus nos criou. E perceberam que não falamos para este mundo, mas sim para estes mundos, posto que sejam diversos e infinitos, assim como nós. O que temos de ter em mente é que não mais estamos lá naquele outro em que é tudo na base da força bruta, mas estamos em um onde se mescla esse proceder. Estamos a um passo do mundo de regeneração e podemos entender que o objetivo é o de que façamos a transição entre aqueles mundos expiatórios e os mundos felizes; encontraremos nele a calma e o repouso, acabando por depurar-nos; estaremos sujeitos às leis que regem a matéria; e também libertos das paixões, isentos do orgulho, da inveja e do ódio; lá não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade; lá seremos ainda de carne e teremos de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação.

Exposto em 08-09-2010 por Fiorell@!

 

Capítulo III - Há muitas moradas na Casa de Meu Pai - parte II

No encontro passado nos despedimos falando acerca do fato de que nosso mundo é um mundo de provas e expiações. Falar nisso, que tal recordarmos diferenças entre provas e expiações? Provas são testes, oportunidades de aquisição de experiência, dificuldades que nada têm a ver com equívocos ou erros cometidos no passado. Riqueza, beleza, vida fácil, tanto quanto pobreza, feiúra, vida difícil são provas. Expiação decorre de faltas cometidas pelo Espírito. Segundo a questão 998 de O Livro dos Espíritos, a expiação se cumpre durante a existência corporal mediante as provas a que o Espírito se acha submetido e, na vida espiritual, pelos sofrimentos morais, inerentes ao estado de inferioridade do Espírito. Prosseguindo com o que nos é dito em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo III – Há muitas moradas na casa de meu Pai, eis que temos:

5 – Os Espíritos encarnados num mundo não estão ligados a ele indefinidamente, e não passam nesse mundo por todas as fases do progresso que devem realizar, para chegar à perfeição. Quando atingem o grau de adiantamento necessário, passam para outro mundo mais adiantado, e assim sucessivamente, até chegarem ao estado de Espíritos puros. Os mundos são as estações em que eles encontram os elementos de progresso proporcionais ao seu adiantamento. É para eles uma recompensa passarem a um mundo de ordem mais elevada, como é um castigo prolongarem sua permanência num mundo infeliz, ou serem relegados a um mundo ainda mais infeliz, por se haverem obstinado no mal.

Muito tem se falado acerca de transição e expurgo. Aliás, cada coisa que a gente tem visto que valha-me Deus o quanto ainda somos místicos e gostamos de um floreio para tantas coisas. Está aqui, simples e básico: quando atinge o grau de adiantamento necessário o espírito passa para um mundo mais adiantado e assim sucessivamente até chegar ao estado de espírito puro. Ponto. Ninguém se purificará na Terra, posto que este não é um mundo puro. Ponto. Os mundos são estações em que os espíritos encontram aquilo de que necessitam para progredir. Ponto. Temos tudo o que necessitamos aqui na Terra, desde a própria busca do sustento e do cuidado para com o próximo, até o intercâmbio com a espiritualidade. Mas o trem é aqui e agora.

O intercâmbio com a espiritualidade é um dos mecanismos de que dispomos para nosso progresso e adiantamento, mas não é a finalidade de existirmos. Temos compromissos assumidos na espiritualidade, temos facilidade para nos relacionarmos com o mundo etéreo, mas isso não significa que devamos abandonar a parte material que nos cabe. Aliás, como somos extremistas. Ou somos materialistas ao extremo ou meio que vivemos nas nuvens. A relação entre os dois mundos se dá para aprendizado, troca e benefício mútuos. A espiritualidade não está ao nosso dispor para salvaguardar nossas aspirações mundanas.

Por outro lado, vimos aqui os termos recompensa e castigo. Não é aquela recompensa de quem está comprando um filho ou uma criança. Não é aquele castigo de quem está descontando seu nervosismo e suas frustrações no primeiro bode expiatório que aparece. Ambas as situações são consequências naturais daquilo que foi feito, pensado, sentido, dito, vivenciado. Somos um conjunto tão forte e potente, que não podemos acreditar que um pensamento bobo não tem peso e nem que aquela pequena infração no trânsito não trará maiores consequências.

Fato é que para o adiantamento das informações que possuímos, nos é cobrado da moralidade muito mais do que as palavras ou a execução por temor. É solicitado a cada um de nós que realizemos o trem com amor, dedicação, afinco, crença e fé. É solicitado a cada um de nós que se observe se analise, se compreenda e colabore para a própria melhoria. Os nossos erros não são mais medidos pelo erro em si, mas pela reincidência em errar. A cobrança não se dá porque temos de prestar contas, mas sim como consequência natural de nosso despertar de consciência e de nosso adiantamento moral. Não podemos esquecer a frase: A quem muito é dado, muito lhe será cobrado, mas que esta frase não seja um peso, mas sim a constatação de que Deus não nos dá mais do que podemos suportar. Prosseguindo:

Destino da Terra e Causa das Misérias Humanas
6 – Admira-se de haver sobre a Terra tantas maldades e tantas paixões inferiores, tantas misérias e enfermidades de toda sorte, concluindo-se que miserável coisa é a espécie humana. Esse julgamento decorre de uma visão estreita, que dá uma falsa idéia do conjunto. È necessário considerar que toda humanidade não se encontra na Terra, mas apenas uma pequena fração dela. Porque a espécie humana abrange todos os seres dotados de razão, que povoam os inumeráveis mundos do Universo. Ora, o que seria a população da Terra, diante da população total desses mundos? Bem menos que a de um lugarejo em relação a de um grande império. A condição material e moral da humanidade terrena nada têm, pois, de estranho, se levarmos em conta o destino da Terra e a natureza de sua população.

Não podemos analisar apenas aquilo que salta aos olhos. Faz-se necessário que verifiquemos o que não é alardeado pela imprensa, o que muitas vezes foi feito pela mão direita sem que a esquerda saiba. Ontem mesmo conversava com uma amiga e ela me contava da peripécia do fim de semana. Namorado dela, um missionário, chegou do exterior para ficar apenas 5 dias no Brasil. Entre todos os compromissos, eles também foram evangelizar. Evangelizar é levar a palavra de Deus através dos ensinamentos do Mestre Jesus. E eles foram evangelizar para um homem que já é de Deus, um Pastor, mas um homem que estava distante da própria palavra que pregava.Ele não estava sendo hipócrita, estava sendo fraco, com pouca fé, mas não estava agindo de má fé. Seu filho está preso e embora ele console e dê a palavra para muitos irmãos, inclusive colegas do próprio filho na prisão, sequer foi visitá-lo em todos estes anos de reclusão.

Ele é um homem de Deus. Auxilia na comunidade, mesmo morando em um lugar extremamente retirado, sem luz na rua, sem asfalto e tantos outros benefícios que nós temos. Toda semana sua esposa leva alimento para o filho na prisão, assim como também leva a palavra de Deus. Mas faltava o Pastor. Faltava esse homem compreender seus próprios sentimentos e atitudes. Então, veio um missionário lá do exterior para auxiliá-lo a despertar.

Esse é um mundo perdido? Nossa Terra é feita apenas de maldade, interesses pessoais e exploração? E nós, que estamos tão pertinho deste irmão, que fizemos por ele? Primeiro que, conforme falamos no encontro passado, o fato dele ser Pastor e de ajudar aos necessitados o fez ser visto como alguém infalível e cheio de virtudes que ainda não possui. Segundo que diante dessa chamada ‘hierarquia’, onde ele é tido como homem de Deus, não cabia a ninguém alertá-lo dos seus erros ou dificuldades. E lá estamos nós endeusando aqueles que nos cercam, querendo que eles sejam divindades encarnadas. Lembram-se do Messias que todos esperavam? Acaso esperavam alguém montado numa mula ou num burro?

Enfim, a reflexão a que somos convidados é a de que aquilo que se nos mostra não é a totalidade reinante na Terra, tanto para o mal quanto para o bem. Também somos chamados a prestar atenção que estamos em um mundo de provas e expiações, ou seja, aqui ainda não é o mar de rosas, embora consigamos torná-lo suave e perfumado diante de nossas posturas fraternas e solidárias. Vejamos mais:

7 – Faríamos uma idéia muito falsa da população de uma grande cidade, se a julgássemos pelos moradores dos bairros mais pobres e sórdidos. Num hospital, só vemos doentes e estropiados; numa galé, vemos todas as torpezas, todos os vícios reunidos; nas regiões insalubres, a maior parte dos habitantes são pálidos, fracos e doentes. Pois bem: consideremos a Terra como um arrabalde, um hospital, uma penitenciária, um pantanal, porque ela é tudo isso a um só tempo, e compreenderemos porque as suas aflições sobrepujam os prazeres. Porque não se enviam aos hospitais as pessoas sadias, nem às casas de correção os que não praticam crimes, e nem os hospitais, nem as casas de correção, são lugares de delícias.

Ninguém espera chegar a um hospital e encontrar alegria e paz, salvo aquela que conseguimos desenvolver em nosso interior diante da fé e da gratidão por termos a oportunidade de nos tratar e de tratar aos que nos são caros. Lembram-se do livro Bastidores da Obsessão onde são relatados fatos do plano encarnado e espiritual? Além da dor e sofrimento ali visível, existem também os desafetos e os algozes do plano espiritual que em muitos momentos contribuem para o ambiente pesado que presenciamos nos hospitais. Em uma das internações da Fiorellinha ficamos em um quarto onde mal cabiam as duas camas, as cadeiras dos acompanhantes e os armarinhos... Devia ser 2,5 por 5 a medida do quarto, no entanto, quando realizávamos o evangelho parecia que as paredes se alargavam e uma paz imensa nos invadia. As crianças se sentiam melhor e nós, as mães, víamo-nos reconfortadas e fortalecidas, além de nos sentirmos úteis junto aos trabalhadores daquele local.

Via-se isso em todos os quartos? Não, muito pelo contrário. O nosso era especial? Também não, apenas nosso estado íntimo se dispunha a ser diferente da imensa dor que víamos, ouvíamos e sentíamos naquele ambiente. Se me perguntarem direi sem pestanejar que eu adorava aquele cubículo de quarto, mas para outros aquele quarto era um castigo. Finalizando temos:

Ora, da mesma maneira que, numa cidade, toda a população não se encontra nos hospitais ou nas prisões, assim a humanidade inteira não se encontra na Terra. E como saímos do hospital quando estamos curados, e da prisão quando cumprimos a pena, o homem sai da Terra para mundos mais felizes, quando se acha curado de suas enfermidades morais.

Temos tanto a percorrer e estamos aqui presos às vaidades, aos amores não correspondidos e a toda gama de sentimentos distantes do que realmente importa. Temos tanto a visitar, percorrer, conhecer e realizar! Não vamos abraçar o mundo e nem devemos, mas temos todos a oportunidade de nos curarmos e sairmos do hospital – todos temos a oportunidade de evoluir e passar a novos mundos mais evoluídos.

Exposto em 15-09-2010 por Fiorell@!

 

 

Capítulo III - Há muitas moradas na Casa de Meu Pai - parte III

Encerramos o encontro passado falando acerca do destino da Terra e causas atuais das aflições. Foi quando Ringo veio em pvt e perguntou-me sobre a previsão do fim do mundo para 2012. Não me recordo exatamente da pergunta dele, mas resolvi fazer a ligação deste tema ao capítulo do Evangelho, haja vista o fato de que para explicarmos este chamado fim de mundo, recomendamos que as pessoas leiam o capítulo III de O Evangelho Segundo o Espiritismo, ou seja, este que estamos estudando, e também o capítulo XVIII de A Gênese, que Marcio alegremente já nos recomendou.

 Buscando por complementos para aquilo que encontramos em O Evangelho Segundo o Espiritismo, e eu diria complementos e não acréscimos, eis que temos na obra O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel a Francisco Xavier, a seguinte questão:

14 – Como compreender a afirmativa dos astrônomos relativamente à morte térmica do planeta?
– É certo que todo organismo material se transformará, um dia, revestindo novas formas. As energias do Sol, como as forças telúricas do orbe terrestre, serão esgotadas aqui, para surgirem noutra parte. Alguns astrônomos calculam a morte térmica do planeta para daqui a um milhão de anos, aproximadamente. Já se disse, porém, que a vida é um eterno presente. E o nosso primeiro dever não é o de contar o tempo, demarcando, em bases inseguras, a duração das obras conhecidamente sagrada para as edificações definitivas do nosso espírito, as quais são inacessíveis a todas as transformações da matéria, em face do Infinito.


Afora os dados técnicos e científicos ofertados nessa resposta, tem algo que muito me chama a atenção e que tem me servido de base para todo o resto: ‘o nosso primeiro dever não é contar o tempo’. Sabe-se que uma hora o mundo se findará, dada a condição da matéria de extinguir-se. Sabe-se que se um louco apertar um botão poderá causar grande devastação em vários pontos do globo se não nele inteiro. Mas gente, também sabemos que ao dormirmos nesta noite, poderemos não acordar encarnados amanhã. Também sabemos que ao atravessar a rua podemos ser colhidos por um automóvel ou até mesmo uma bicicleta e sermos arremessados para a vida pós morte e, no entanto, por conta disso saímos contando os minutos em que sobrevivemos à morte durante o sono ou que não fomos tolhidos por algum veículo desgovernado? Não!

É sobre este princípio que somos chamados a refletir. 'Mas Fiorella, se o mundo acabar em 2012 muita coisa vai mudar e muita coisa será desnecessária. Meus valores e conceitos serão diferentes'. É mesmo? Será que não continuaremos a exercer muito mais o lucro em nossas ações do que ações propriamente ditas de amor e desprendimento? Em 2.000 foi maior alarde: o mundo vai acabar na virada do século. Uffa, não acabou, beleza, mas é nós que fizemos deste aviso em prol de nossa eternidade?

Mais ou menos como as promessas de vira de ano. Vou começar o ano fazendo estas e estas alterações em minha vida, vou fazer aquela faculdade que sempre sonhei, vou visitar aquela parenta distante, com certeza vou parar de fumar e por aí vai. Mas e se morrermos na véspera? De que nos adiantará ter estipulado uma data para sermos e realizarmos determinadas coisas? Entendo quando se fala em projetar o futuro, acrescentando sobriedade e equilíbrio às nossas aspirações e desejos, mas quando falamos em evolução e moralidade, por que deixar para amanhã?

Por que temos de correr agora? Por que alguém disse que o apocalipse será daqui 2 anos? Por que alguém nos asseverou que todo o mundo se perderá em revoluções e renovações? Ué....o que me dizem então das pessoas que morreram em tsunamis, enchentes, terremotos e outras situações coletivas? Será que devemos acreditar que todos foram pegos de surpresa, já que o mundo só acaba daqui 2 anos? Ou será que evolutivamente estas criaturas já encontraram a definição para aquilo que querem e buscam?

O André Luiz Ruiz fala em um destes vídeos do programa Transição, que cabe somente a nós escolher o que queremos ser diante da imensa Seara. E eu fico aqui pensando que nós podemos escolher em qual frente queremos trabalhar, mas não podemos nos auto-promover. O que é auto-promoção neste caso? Bem, vejamos o que ele nos diz em determinado trecho do vídeo O Mundo de Regeneração – parte 1/3 em 4’47’’: ele nos diz que estamos em um mundo de Provas e Expiações e que após este mundo, cuja qualificação não é absoluta, adentraremos ao chamado Mundo Superior, mas que a natureza não dá saltos e nisso também somos respeitados, haja vista nossa própria velocidade evolutiva e nesse respeitar, eis que temos um outro mundo, o chamado de Transição, que está entre este mundo de provas e expiações e os mundos superiores.

No mundo de transição/regeneração é o bem quem predomina sobre o mal, encontramos muita similaridade com nosso mundo terreno. Estamos sujeitos às necessidades do corpo – sonhos, objetivos, ambições -, estamos sujeitos a dor – doença, morte física -, ao aprendizado e á evolução até que estejamos plenos e aptos para adentrar ao Mundo Superior. E que vantagem Maria leva, então, se lá é tudo igual? Ah, gente Maria leva uma vantagem sem igual e a mais bella de todas. Maria assume seus próprios erros e passa a caminhar em conformidade com isto que assumiu. Seus erros do passado lá estão e fazem parte de sua história e de sua evolução. Maria conscientiza-se que antes de ser ela mesma, é alguém que comete falhas e erros e pára de atribuí-los a outrem. Maria percebe que o mundo de regeneração não é um espaço físico, mas sim uma localização interior. Passa a ser autêntica, não batendo no peito e dizendo que é aquilo o que é e que ninguém pode tirar-lhe a paz da consciência, mas sim, reconhece que seus erros e desacertos foram por ela praticados e ainda serão, haja vista a sua não superioridade, mas reconhece-os e quer fazer diferente. Não se orgulha dos erros do pretérito e nem se envergonha dilacerando-se em culpa, mas tem a plena consciência daquilo que realmente é e foi. Esta é a paz alcançada Esta é a regeneração que principia dentro de si mesma e não em outro Planeta ou em outro mundo.

Como então podemos nos auto-promover a determinados mundos, apenas por pararmos de fazer sexo ou deixarmos de comer carne? Apenas por não nos ligarmos mais na pintura de nosso cabelo ou na modelagem de nosso corpo? Ah, me perdoem, mas isso tudo são características externas. As internas são muito mais exigentes e profundas, haja vista nossa dificuldade em calar uma agressão ou julgamento. Outra colocação que encontramos pertence novamente muito mais a uma questão íntima que devemos nos fazer do que propriamente a respostas que poderemos encontrar em fulano ou beltrano. Para fazer este auto-questionamento, primeiro trarei uma passagem do livro O Consolador, por Emmanuel:

Questão 233 – Por que razão o homem da Terra tem sido tão lento na solução do problema do seu conhecimento próprio?
– Isso é explicável. Somente agora a alma humana poderá ensimesmar-se o bastante para compreender as necessidades e os escaninhos da sua personalidade espiritual. Antigamente a existência do homem resumia-se na luta com as forças externas, de modo a criar uma lei de harmonia entre ele próprio e a natureza terrestre. Muitos séculos decorreram para enfrentar os perigos comuns. A organização da tribo, da família, das tradições, das experiências coletivas, exigiu muitos séculos de luta e de infortúnios dolorosos. A ciência das relações, o aproveitamento das forças materiais que o rodeavam, não requisitaram menor porção de tempo. Agora, porém, nas culminâncias da sua evolução física, o homem não necessitará preocupar-se, de modo tão absorvente, com a paisagem que o cerca, razão pela qual todas as energias espirituais se mobilizam, nos tempos modernos, em torno das criaturas, convocando-as ao sagrado conhecimento de si mesmas, dentro dos valores infinitos da vida.


Vejam que interessante. Ainda temos de trazer nosso próprio sustento, nos protegermos da chuva e das intempéries diversas, inclusive do calor Piauiense, mas já temos mecanismos para isso. Muito tempo levou para que as situações se adequassem e adaptassem como temos visto diante da evolução do ser humano, mas não podemos esquecer que se ainda temos de nos ocupar com nossa própria subsistência, podemos ir ao trabalho lendo livros edificantes ou ouvindo mensagens e palestras, até mesmo em nosso celular. Vejam só, até no tempo que julgamos ‘perder’ no trânsito ou no engarrafamento, podemos empregá-lo de maneira benéfica e construtiva dentro de nossas necessidades evolutivas e de auto-conhecimento. Como acreditar que, de repente, tudo isso se perderá diante da destruição do nosso planeta e teremos de recomeçar do zero?

Se assim não acreditamos, vejamos então esta outra pergunta a de número 230:

230 – Como iniciar o trabalho de iluminação da nossa própria alma?
– Esse esforço individual deve começar com o autodomínio, com a disciplina dos sentimentos egoísticos e inferiores, com o trabalho silencioso da criatura por exterminar as próprias paixões. Nesse particular, não podemos prescindir do conhecimento adquirido por outras almas que nos precederam nas lutas da Terra, com as suas experiências santificantes – água pura de consolação e de esperança, que poderemos beber nas páginas de suas memórias ou nos testemunhos de sacrifício que deixaram no mundo.


Vejam lá! Exemplos, direcionamentos, conselhos e tudo o mais recebemos em profusão. Diariamente nos vemos às voltas com situações que podem levar avante essa nossa determinação em nos melhorarmos, desde aquele e-mail repleto de piadas preconceituosas que resolvemos não passar adiante, até aquela alma que chega até nós dizendo-nos das suas dificuldades e ao invés de mostrar-lhe as leis de ação e reação, acolhemos seu coração em bálsamos de refrigério e de paz.

É gente, deixar de lado o egoísmo e a vaidade, sermos mansos e pacíficos é um exercício também da fraternidade e da compaixão. Se não entendemos as dores alheias e o seu esforço em melhorar-se no presente, não conseguiremos também evoluir, posto que também queremos nos melhorar no presente. Quero me melhorar agindo de forma diferente e isso não significa que eu vou mudar de trabalho ou de cidade, significa que encararei a vida e as pessoas de maneira diversa daquela que venho encarando.

Será muito fácil deixar meus olhos se encherem de lágrimas ante a visão de uma criança no lixão sendo atacada por um urubu, como aquela foto que ganhou uma premiação e repercutiu em tudo quanto é caixa de e-mail da vida, e acusar a sociedade e até mesmo seus pais por relapso, exploração e crueldade. Gente adianta eu acusar alguém? É como quando alguém cai na rua... Aquele que está quase sendo bom fala para todos: “Olha, fulano caiu. Olha só, ele machucou a testa. Ele precisa de ajuda para levantar’. Já aquele que está a caminho da regeneração não fica parado ou alardeando fatos e verdades: vai e coloca a mão na massa: socorre o caído, ajuda-o a atravessar a rua, intercede pelos seus passos até onde lhe é permitido.

Acabei de me lembrar de uma pessoa que anos atrás andava por uma escadaria da estação de trem e viu uma jovem sentada no chão e chorando desesperadamente. Fez meia volta e veio ter com ela. Acabou levando-a para o compromisso onde ia, repartiu com ela as horas que ia passar junto a um amigo em uma lanchonete e, na volta para casa, vendo sua pré-disposição em não voltar para a própria casa, acolheu-a em seu lar. Louca essa pessoa, ainda mais nos dias de hoje, mas foi seu coração quem falou mais alto. Foi a fraternidade que imperou naquele momento, embora o descuido e descaso para com a própria segurança, que aliás, é outro ponto que podemos abordar em outra ocasião. Mas gente, aquela criatura que chorava não pediu amparo ao seu mentor? A outra criatura que passava não estava com o coração aberto a auxiliar? No fim, sabiam que um aborto foi evitado? E hoje achamos que deve ser alguma drogada na nóia... mas será que essa criatura que se drogou também não tem família? Será que ela também não rogou auxílio? E se formos nós os instrumentos deste momento de renovação?

Basta dizer que não fazemos sexo e nem dizemos palavrão? Basta dizermos que não comemos carne e que vamos á casa espírita ‘x’ vezes na semana? E nas oportunidades que temos de ser humildes e fraternos, somos? E eis a pergunta que André Luiz Ruiz faz: Se a regeneração é uma transformação moral, por que ela ainda não chegou em mim? Se essas transformações forem verdadeiras em mim, o ódio não estará mais sufocando o coração, o orgulho não estará mais ferindo, assim como a inveja não estará mais produzindo malefícios. Todos nos revelaremos a Deus, não com pompa e orgulho, mas seguindo até ele pelas suas leis. A regeneração chegará a mim quando eu assim me dispuser. Não serão filósofos, religiosos e cientistas a adentrarem ao mundo de regeneração por conta de seus títulos ou conhecimentos, mas sim aquele que verdadeiramente se regenerar.

Mundo de Regeneração – entrevista de André Luiz Ruiz em 3 partes

A chegada da nova Era – entrevista de Divaldo Pereira em 3 partes

Exposto em 22-09-2010 por Fiorell@!

 

Capítulo III - Há muitas moradas na Casa de Meu Pai - parte IV

I – Mundos Superiores e Inferiores - 8 – A classificação de mundos inferiores e mundos superiores é antes relativa do que absoluta, pois um mundo é inferior ou superior em relação aos que se acham abaixo ou acima dele, na escala progressiva.
Tomando a Terra como ponto de comparação, pode fazer-se uma idéia do estado de um mundo inferior, supondo os seus habitantes no grau evolutivo dos povos selvagens e das nações bárbaras que ainda se encontram em nosso planeta, como restos do seu estado primitivo. Nos mundos mais atrasados, os homens são de certo modo rudimentares. Possuem a forma humana, mas sem nenhuma beleza; seus instintos são temperados por nenhum sentimento de delicadeza ou benevolência, nem pelas noções do justo e do injusto; a força bruta é sua única lei. Sem indústrias, sem invenções, dedicam sua vida à conquista de alimentos. Não obstante, Deus não abandona nenhuma de suas criaturas. No fundo tenebroso dessas inteligências encontra-se, latente, a vaga intuição de um Ser Supremo, mais ou menos desenvolvida. Esse instinto é suficiente para que uns se tornem superiores aos outros, preparando-se para a eclosão de uma vida mais plena. Porque eles não são criaturas degradadas, mas crianças que crescem.

Isso é visível dentro até de um mesmo estado ou cidade, onde as culturas e a migração proporcionaram uma mescla. Em determinada estação de metrô descem inúmeros japoneses, em outra embarcam muitos judeus, numa outra desembarcam pessoas que possuem uma característica mais humilde e assim por diante. Nossa cidade é a herança de italianos e portugueses, muitos deles vindos do litoral. Há cerca de alguns meses parece que tudo se transformou. Uma empresa muito grande se estabeleceu por aqui, por conta de obras na região e trouxe coisa de 90% da mão de obra de outros estados. De repente nos vemos em meio a pessoas que são totalmente diferentes das da nossa cidade e parecem vir de outro mundo. Porém a minha cidade em comparação com outras é tida como cidade do interior e por aí vai sucessivamente. E assim podemos encontrar nos diferentes mundos.

Citando a Revista Espírita de Abril de 1859 “Mas sabemos que mesmo os nossos antropófagos não estão no último grau da escala, e que há mundos onde a brutalidade e a ferocidade não têm analogias na Terra. Esses Espíritos são, pois, ainda inferiores aos mais inferiores de nosso mundo, e vir entre os nossos selvagens, para eles, é um progresso. Se não visam mais alto, é porque sua inferioridade moral não lhes permite compreender um progresso mais completo. O Espírito não pode avançar senão gradualmente; deve passar, sucessivamente, por todos os graus, de modo que cada passo adiante seja uma base para assentar um novo progresso”.

Entre esses graus inferiores e mais elevados, há inumeráveis degraus, e entre os Espíritos puros, desmaterializados e resplandecentes de glória, é difícil reconhecer os que animaram os seres primitivos, da mesma maneira que, no homem adulto, é difícil reconhecer o antigo embrião.

Assim somos nós, após galgarmos degraus evolutivos nos tornamos tão similares que é impossível dizer quem veio de onde, porém, conservasse nossa individualidade. Então recordei-me dos estudos que realizamos acerca de O Livro dos Espíritos, quando chegamos no item VI Escala Espírita, lá no capítulo I do segundo livro. Lembrei-me que de certa forma brincávamos sobre sermos espíritos da segunda ordem e não da terceira e que em dados momentos nossa amiguinha Fraterna dizia: eu sou da segunda ordem. Há controvérsias, posto que se afirma que somos todos pertencentes à Terceira ordem, do contrário não estaríamos mais neste orbe e eu ainda não consigo aceitar isso como realidade incontestável.

Por que não consigo? Justamente porque em variados locais e variadas referências, lemos e somos instruídos de que cada um se encontra em um grau evolutivo diferente e que compete-nos não compactuar, mas compreender estas disparidades. Oras, por que só pode ter alguém pior do que eu, ou seja, a criatura que está lá entre a décima e a sexta classe? Ou então por que devo encarar as pessoas que mostram através de seus atos e posturas que já estão pelo menos entre a quinta (espíritos benévolos) e a terceira classe (Espíritos Prudentes) como seres de outro mundo?

Se sabemos que os espíritos imperfeitos vem a este Planeta com a oportunidade bendita de redenção e de aprendizado e que existem espíritos iluminados como Chico, Madre Tereza e outros, por que não posso crer que nesta fase de transição pela qual passa nosso planeta, propenso à categoria de regeneração, existam mais criaturas benévolas e propensas ao bem do que alguns ícones que surgem aos olhos de milhares?

Entendo que isso mexa diretamente com nosso orgulho e vaidade, altivez e arrogância, mas será que também não encontramos isso nas criaturas que se dizem presidentes disto e daquilo, dirigentes daquilo e daquele outro? Oras, está lá no Livro dos Espíritos: “Quando encarnados, são bons e benevolentes para com os semelhantes; não se deixam levar pelo orgulho, nem pelo egoísmo, nem pela ambição; não provam ódio, nem rancor, nem inveja ou ciúme, fazendo o bem pelo bem.” Podemos encontrar este tipo de comportamento em muitas criaturas que, inclusive, já se sentem felicidade quando fazem o bem e quando impedem o mal, embora tenham ainda imperfeições, posto que do contrário já seriam Espíritos perfeitos.

Entendo também que por essa sequência de pensamento, pessoas que passam por profundas transformações podem enquadrar-se nesta listagem sem ter de necessariamente, morrer para mudar de escala. Será que não é assim com todos? Podemos pegar trechos da infância e juventude de Francisco de Assis e condenar determinadas atitudes, mas ele além de estar talhado para o bem assim o vivenciou quando finalmente despertou para sua real missão e condição encarnatória. E por que eu digo que isto ocorreu no momento em que ele ‘despertou’? porque até então ele estava propenso, mas desconectado. Tinha as sementes brotadas em solo fértil, mas ainda não havia se dado conta.

Em nossa melhoria e evolução também temos essa possibilidade, observadas a nossa vontade direta de melhoria e nosso empenho em assim procedermos. Também temos essa possibilidade sem dar saltos, mas seguindo dentro do nosso próprio ritmo. Só podemos andar devagar e escorados? O que nos impede de andarmos mais rápido? Se nossa conquista for superficial, as provas estão aí para validarmos nosso ser e estar. Vamos confiar um pouco mais em nossa capacidade e em nossa potencialidade. Convido-os a serem conscientes dos próprios potenciais, mas com o cuidado de não serem prepotentes e orgulhosos. Sigamos:

9 – Nos mundos que atingiram um grau superior de evolução, as condições da vida moral e material são muito diferentes das que encontramos na Terra. A forma dos corpos é sempre, como por toda parte, a humana, mas embelezada, aperfeiçoada, e sobretudo purificada. O corpo nada tem da materialidade terrena, e não está, por isso mesmo sujeito às necessidades, às doenças e às deteriorações decorrentes do predomínio da matéria. Os sentidos, mais sutis, têm percepções que a grosseria dos nossos órgãos sufoca. A leveza específica dos corpos torna a locomoção rápida e fácil. Em vez de se arrastarem penosamente sobre o solo, eles deslizam, por assim dizer, pela superfície ou pelo ar, pelo esforço apenas da vontade, à maneira das representações de anjos ou dos manes dos antigos nos Campos Elíseos. Os homens conservam à vontade os traços de suas existências passadas, e aparecem aos amigos em suas formas conhecidas, mas iluminadas por uma luz divina transfiguradas pelas impressões interiores, que são sempre elevadas. Em vez de rostos pálidos, arruinados pelos sofrimentos e as paixões, a inteligência e a vida esplendem, com esse brilho que os pintores traduziram pela auréola dos santos.

Quem tiver um tempinho, dê uma lida na passagem contida em março de 1858 da Revista Espírita acerca de Júpiter e alguns outros mundos. Comprometo-me a colocar no site da Sob na página de Textos.

Exposto em 29-09-2010 por Fiorell@!

 

Capítulo III - Há muitas moradas na Casa de Meu Pai - parte V

A pouca resistência que a matéria oferece aos Espíritos já bastante adiantados, facilita o desenvolvimento dos corpos e abrevia ou quase anula o período de infância. A vida, isenta de cuidados e angústias, é proporcionalmente muito mais longa que a da Terra. Em princípio, a longevidade é proporcional ao grau de adiantamento dos mundos. A morte não tem nenhum dos horrores da decomposição, e longe de ser motivo de pavor, é considerada como uma transformação feliz, pois não existem dúvidas quanto ao futuro. Durante a vida, não estando à alma encerrada numa matéria compacta, irradia e goza de uma lucidez que a deixa num estado quase permanente de emancipação, permitindo a livre transmissão do pensamento.

Ao ler esta passagem, recordei-me de nossas crianças. Elas não tem as mesmas preocupações que nós (ou não deveriam), posto que aos adultos compete o sustento do lar, as responsabilidades em suprir as necessidades materiais, em educar e conduzir os mais jovens. Às crianças é dada a oportunidade de assimilarem o novo mundo em que se encontram através dos olhos dos que estão responsáveis pela sua vida, mas também possuem toda a liberdade de ver e observar conforme seu estágio de compreensão. É por isso que vemos elas dizerem que algo é feio e bonito naquela mesma altura que a todos envergonha....Por isso elas se expressam do querer ou não fazer determinadas coisas sem medo e até mesmo sem noção de que estão magoando ou ferindo, elas estão usando a simples expressão de seu espírito em conformidade com a sua vivência e capacidade.

Assim estaremos nós outros quando dos mundos mais avançados. Como as crianças, teremos necessidades da matéria e outras realidades que fazem parte do existir neste mundo, mas estaremos mais aptos e libertos de uma série de dificuldades e empecilhos com os quais já teremos aprendido a lidar. Mágoa, expectativas frustradas, rancor, revolta, ódio, orgulho e tantas outras coisas já não serão o tempero diário de nosso viver. Essa lucidez no sentir nos deixará aptos a experenciar novas situações e a realizar novos trabalhos em prol de nossa própria evolução e daqueles que estão ao nosso redor. Nossa individualidade se manterá, mas seremos um em meio ao coletivo.

Achar-se em Deus é perder-se de si mesmo, não é assim a frase? No que diz respeito aos mundos intermediários ou transitórios, na Revista Espírita, maio de 1859 temos a nota a seguir e cuja comunicação também indicamos. Leremos apenas a nota: (...) Nota - Essa comunicação confirma, uma vez mais, essa grande verdade que nada é inútil na Natureza; cada coisa tem seu objetivo, sua destinação; nada está no vazio, tudo está habitado, a vida está por toda parte. Assim, durante a longa série de séculos que escoaram antes da aparição do homem na Terra, durante esses lentos períodos de transição atestados pelas camadas geológicas, antes mesmo da formação dos primeiros seres orgânicos; sobre essa massa informe, nesse árido caos onde os elementos estavam confundidos, não havia ausência de vida; seres que não tinham nem nossas necessidades, nem nossas sensações físicas aí encontravam refúgio. Deus quis que, mesmo nesse estado imperfeito, ela servisse para alguma coisa. Quem, pois, ousaria dizer que entre esses milhares de mundos que circulam na imensidão, um só, um dos menores, perdido na multidão, tivesse o privilégio exclusivo de ser povoado. Qual seria, pois, a utilidade dos outros? Deus não os teria feito senão para recrear nossos olhos? Suposição absurda, incompatível com a sabedoria que brilha em todas as suas obras. Ninguém contestará que há, nessa idéia de mundos ainda impróprios para a vida material, e todavia povoados por seres vivos apropriados a esse meio, alguma coisa de grande e sublime onde se encontra, talvez, a solução de mais de um problema. (...)

Fica-nos fácil de alinhavar um raciocínio: se dentro de nosso limitado entendimento compreendemos que Deus não desperdiça, não comete injustiças, não cria nada em vão e nada faz que não seja sábio e bondoso, eis que não nos é possível acreditemos que Ele criou uma raça tão incompleta e imperfeita como nós para que assim permanecêssemos. Também não nos limitou nas possibilidades e tão pouco na diversidade, haja vista a fartura de elementos no reino animal, vegetal e mineral. Sabemos da existência da vida pós morte física. Puxa, alinhavando tudo isso, como não conseguir conceber e crer que existam outras formas de vida e outros mundos que sequer vislumbramos? Se Deus criou um planeta a La estilo Terra, por que não pode ter criado outros tantos semelhantes? Faz-se necessário que alarguemos nossa visão, para nos conscientizarmos de nossa limitação na compreensão e também na real acepção do que seja Deus e suas criações. Prosseguindo com o texto de O Evangelho:

10 – Nos mundos felizes, a relação de povo para povo, sempre amigáveis, jamais são perturbadas pelas ambições de dominação e pelas guerras que lhes são conseqüentes. Não existem senhores nem escravos, nem privilegiados de nascimentos. Só a superioridade moral e intelectual determina as diferentes condições e confere a supremacia. A autoridade é sempre respeitada, porque decorre unicamente do mérito e se exerce sempre com justiça. O homem não procura elevar-se sobre o seu semelhante, mas sobre si mesmo, aperfeiçoando-se. Seu objetivo é atingir a classe dos Espíritos puros, e esse desejo incessante não constitui um tormento, mas uma nobre ambição, que o faz estudar com ardor para os igualar. Todos os sentimentos ternos e elevados da natureza humana apresentam-se engrandecidos e purificados. Os ódios, as mesquinharias dos ciúmes, as baixas cobiças da inveja, são ali desconhecidos. Um sentimento de amor e fraternidade une a todos os homens e os mais fortes ajudam os mais fracos. Suas posses são correspondentes às possibilidades de aquisição de suas inteligências, mas ninguém sofre a falta do necessário, porque ninguém ali se encontra em expiação. Em uma palavra, o mal não existe.

Existe um lugar em que nos aproximamos muito destas venturas citadas acima. Alguém arriscaria dizer onde? Não se processa de forma integral, posto que não é a passagem por uma porta ou portão que nos modifica plenamente, então em determinados momentos vemos aflorar nossas más inclinações e nossas tendências menos dignas, mas que é trabalhador de uma Casa Espírita sabe do que estou falando. O ambiente de paz e fraternidade que se verifica dentro da casa espírita é uma amostragem do que encontraremos nos mundos felizes.

 Salvo momentos de pura invigilância de nossa parte, quando estamos em serviço dentro da Casa Espírita nossa mente emana amor e caridade, não somos maledicentes, esquecemos os problemas de nosso cotidiano e a força do amor é que anima o ambiente, dando ao espaço nuances de elevação e paz que se derramam sobre todos os presentes, facultando-lhes o desejo de ali permanecerem em confraternização de espírito a espírito.

Claro que surgem fofocas, melindres, disse-que-disse e coisas do gênero, mas não é o forte da Casa Espírita. E se estiver sendo, toca colocar todos os trabalhadores em escolas de reforma íntima e em tratamento para que o trem melhore. Falar em Reforma Íntima, hoje recebemos um comentário sobre nossos estudos lá no site da Sob, sobre Reforma Íntima, que nos fez recordar de um sonho, na realidade do sonho da Ieda e, quem sabe, ao invés de mais um livro pronto, Fraterno Caminhar, tenhamos também o dos estudos da Reforma Íntima, se bem que ele carece de uma revisão profunda, além daquela que nosso companheiro Marcio já realizou. Fica aí a dica para quem quiser relembrar o estudo sobre Renovação Interior ou Reforma Íntima, entrar no site da sob na página de estudos. Eis o link: Estudo sobre Reforma Íntima

E por falar em Reforma Íntima, com muita certeza será ela que nos fornecerá o passaporte para os mundos felizes. De nada nos adiantará sofrer, chorar, penar e passar por provas e expiações, se não nos modificarmos diante delas. Se em prova e fizermos tudo de qualquer jeito, algo ficará para trás e teremos de refazer. Se em expiações e revoltados, nem adianta querer acreditar em mundo novo, porque toca refazer esse trem também. Vejamos mais um trecho que encontramos na obra O Céu e o Inferno:

(...) A vida nos mundos superiores já é uma recompensa, visto nos acharmos isentos, aí, dos males e vicissitudes terrenos. Onde os corpos, menos materiais, quase fluídicos, não mais são sujeitos às moléstias, às enfermidades, e tampouco têm as mesmas necessidades. Excluídos os Espíritos maus, gozam os homens de plena paz, sem outra preocupação além da do adiantamento pelo trabalho intelectual. Reina lá a verdadeira fraternidade, porque não há egoísmo; a verdadeira igualdade, porque não há orgulho, e a verdadeira liberdade por não haver desordens a reprimir, nem ambiciosos que procurem oprimir o fraco. Comparados à Terra, esses mundos são verdadeiros paraísos, quais pousos ao longo do caminho do progresso conducente ao estado definitivo. Sendo a Terra um mundo inferior destinado à purificação dos Espíritos imperfeitos, está nisso a razão do mal que aí predomina, até que praza a Deus fazer dela morada de Espíritos mais adiantados. Assim é que o Espírito, progredindo gradualmente à medida que se desenvolve, chega ao apogeu da felicidade; porém, antes de ter atingido a culminância da perfeição, goza de uma felicidade relativa ao seu progresso. A criança também frui os prazeres da infância, mais tarde os da mocidade, e finalmente os mais sólidos, da madureza. (Livro O Céu e o Inferno) (...)

11 – No vosso mundo, tendes necessidade do mal para sentir o bem, da noite para admirar a luz, da doença para apreciar a saúde. Lá, esses contrastes não são necessários. A eterna luz, a eterna bondade, a paz eterna da alma, proporcionam uma alegria eterna, que nem as angústias da vida material, nem os contatos dos maus, que ali não tem acesso, poderiam perturbar. Eis o que o Espírito humano só dificilmente compreende. Ele foi engenhoso para pintar os tormentos do inferno, mas jamais pôde representar as alegrias do céu. E isso por quê? Porque, sendo inferior, só tem experimentado penas e misérias, e não pode entrever as claridades celestes. Ele não pode falar daquilo que não conhece. Mas, à medida que se eleva e se purifica, o seu horizonte se alarga e ele compreende o bem que está à sua frente, como compreendeu o mal que deixou para trás.

Hoje já temos essa ventura, não companheiros? Temos irmãos que nos retratam o mundo espiritual em suas nuances mais bellas e perfeitas, mostrando-nos como a perfeição divina é ainda indescritível ao nosso senso e a nossa percepção, quando mesmo sendo envolvidos pelos eflúvios de amor e de paz das esferas superiores, não conseguimos vislumbrar tais venturas. Mas estamos progredindo, estamos caminhando e temos até novelas, peças e filmes tentando ‘concretizar’ a visão destas paisagens de amor e luz. O que não nos deixa esquecer que por conta de nossa inferioridade e de nosso hábito para com o terrível e insano, eis que nos é mais fácil reconhecer o bem somente depois de já termos sofrido, só conseguimos valorizar a luz após termos tido escuras noites em nosso viver, só aprendemos a agradecer a saúde quando ela nos falta ou nos mostra quão necessária ela é para que levemos avante pequenas coisas como o simples ato de ver, movimentar pernas e braços, ouvir e falar. Muitos já caminham pelo amor, mas a grande maioria ainda é instigada pela dor.

Exposto em 06-10-2010 por Fiorell@!

 

Capítulo III - Há muitas moradas na Casa de Meu Pai - parte VI

12 – Esses mundos afortunados, entretanto, não são mundos privilegiados. Porque Deus não usa de parcialidade para nenhum, de seus filhos. A todos os mesmos direitos e as mesmas facilidades para chegarem até lá. Fez que todos partissem do mesmo ponto, e não dota a uns mais do que os outros. Os primeiros lugares são acessíveis a todos: cabe-lhes conquistá-los pelo trabalho, atingi-los o mais cedo possível, ou abandonar-se durante séculos e séculos no meio da escória humana.
(Resumo do ensinamento de todos os Espíritos Superiores)

Estivemos abordando os mundos felizes, conhecemos o mundo de transição, aquele em que a depuração de nosso ser já se encontra em franco adiantamento e onde predomina o bem, embora ainda tenhamos padecimentos e necessidades similares aos da Terra. Aqui, pela orientação que nos chega pelos Espíritos Superiores, ou seja, aqueles que já ultrapassaram esse mundo de regeneração, precisamos compreender que não adianta olharmos o carro de nosso vizinho e invejá-lo. Não adianta olharmos estes mundos e invejá-los. E nem me venham falar da inveja boa e da inveja ruim. Lembram do tema na sala da Momento? O nosso vizinho trabalhou para conseguir o carro. Caso o tenha ganho por herança, também lhe foi meritório. Caso tenha ganho em uma rifa ou na loteria, igualmente. Então, pára de secar e cobiçar o que não te pertence. Arregaça as mangas e busca a melhoria, a elevação, o trabalho digno, o aproveitamento da hora em benefício de tesouros que não perecerão.

Podemos ter do mesmo que nosso irmão, basta busquemos e conquistemos. Ah, mas eu nunca vou conseguir uma casa na beira da praia da Flórida. Mas é a isso que ambicionas? É isto que teu próximo tem e te comove ou te faz despertar em ciúmes e invejas? A família que ele tem, os amigos que ele possui, a inteligência que ele usa com maestria, a facilidade para dominar artes, ciências e outras situações? Puxa... se você se espelhar em alguém, te espelha em Jesus. Na sua paz, na sua mansuetude, no seu amor incondicional, no seu perdão generoso, no seu caminhar rumo ao Pai.

Ah, Fiorella, Jesus não precisou mandar os filhos para a escola, não precisou pagar o IPVA do carro, não tinha de limpar a casa todo dia, não precisava agüentar um chefe chato, não se preocupava com prestação da casa e tantas outras coisas. Estão certos aqueles que assim objetam, mas estão sendo parciais. Ele teve de tudo o que necessitava e ainda teve de agüentar pretensos chefes chatos (o pessoal lá das Sinagogas), precisou alimentar multidões (o pão e o peixe que ele distribuiu aos milhares que lhe ouviam), precisou saciar a ira de uma multidão enfurecida que se achava dona da verdade e com direito de apedrejar uma mulher que havia errado (o caso da mulher adúltera), precisou curar inúmeras criaturas para que elas abrissem seus olhos para realmente ver e seus ouvidos para realmente ouvir.

Então vem mais um e objeta: ah, mas ele era Jesus, ele tudo podia. Concordo plenamente. Ele tudo pôde, mas só fez o que lhe convinha, ou seja, passou existências e existências em busca de sua depuração, de sua elevação e melhoria e veio até nós como exemplo vivo de que é possível sermos mais do que agiotas, mais do que juízes endividados, sermos mais do que ricos pedintes, mais do que sofredores compulsivos. O Mestre ainda passou por martírios indescritíveis e sabia que assim seria necessário por ser dos desígnios de Deus perante sua missão na Terra.

E nós que acordamos tristes porque não temos com quem falar? Que fazemos? Calamo-nos? Ou tentamos fazer algo diferente? Conheço uma criatura que em certa época de sua vida ganhou (entre aspas) um grande presente de Deus, mas não tinha com quem compartilhar dessa ventura. Chorou, se autocomiserou e depois chacoalhou a poeira, indo ás ruas buscar algum desconhecido com quem compartilhar dessa ventura. Não logrou êxito e entendeu que devia ser grata para seu próprio eu e pronto (aquele que busca recompensas na Terra, não obterá as do Céu). Na segunda vez em que ganhou um presente similar, ao invés de lamentar-se pela solidão, criou mecanismo que lhe proporcionassem a ventura de compartilhar com todos das alegrias vividas. Oras, superou seus obstáculos e suas limitações e ofertou algo melhor de si em termos de buscar soluções e eis que encontrou uma satisfatória, podendo compartilhar com os que se encontravam distantes da alegria que lhe ia na alma.

Esse é um pequeno passo que se aplicado a todas as nossas situações (desentendimentos, frustrações, mágoas, etc.), nos proporcionará a possibilidade de crescermos, valorizarmos o que deve ser valorizado e usufruirmos da paz já aqui na Terra. O céu e o inferno estão dentro de nós, certo? Aos que gostam de se referir ao umbral, eis que ele é um estado de espírito que se torna uma realidade palpável, certo? Então, que tal não mais alimentarmos esse estado de espírito em nós, cessando as lamúrias, cessando as reprovações, cessando as contendas desnecessárias, tolerando mais, perdoando mais e acreditando nos preceitos cristãos?

II – Mundos de Expiações e de Provas SANTO AGOSTINHO - Paris, 1862 13 – Que vos direi, que já não conheçais, dos mundos de expiações, pois que basta considerar a Terra que habitais? A superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encarnação de Espíritos ainda mal saídos das mãos do Criador. Suas qualidades inatas são a prova de que já viveram e realizaram um certo progresso, mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral. Eis porque Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem suas faltas através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que se façam merecedores de passar para um mundo mais feliz.

Quantos sábios conhecemos a história que em algum momento se destacaram por suas obras, até grandiosas para seu tempo, mas que cometeram erros tão cruéis em outros aspectos? Salomão, por exemplo, é um dos que revolucionaram a história através das mudanças operadas como a organização de uma nova estrutura administrativa, dividindo as terras distritos administrativos governados por funcionários nomeados diretamente pela administração central, deu especial importância a cavalaria e aos carros de guerra, dispunha de uma frota de navios comerciais de longo curso, chamados de "navios de Társis". Mostrou, de acordo com a tradição judaica cristã, ser um grande governante e um juiz justo e imparcial. Soube habilmente desenvolver o comércio externo e da indústria, as relações diplomáticas com países vizinhos, o que levou a um progresso considerável das cidades israelitas. Enfim, Salomão se notabilizou pela sua grande sabedoria, prosperidade e riquezas abundantes, bem como um longo reinado sem guerras. Mas, por outro lado, segundo I Reis 11:3, Salomão tinha setecentas mulheres e trezentas concubinas, e "suas mulheres lhe perverteram o coração e o seu coração não era perfeito para com o Jeová seu Deus, como o coração de Davi, seu pai". Com a sua morte, seu filho, sucedeu-lhe no trono e em vez de ouvir o conselho sábio dos anciãos das tribos de Israel para aliviar a carga tributária e os trabalhos compulsórios impostos por seu pai, ele mandou aumentá-los.

Será que esta criatura pode ser considerada como alguém que à Terra aportou ou esteve em forma de expiação? Destacando-se como se destacou frente aos seus à sua época, mas com tamanha carga de erros, não tão graves, mas anda assim erros, não terá ele vindo trazer o progresso ao nosso orbe e, ao mesmo tempo, resgatar débitos e oportunidades perdidas junto a orbes mais avançados? Não afirmo, posto que não sou historiadora bíblica, nem tão pouco conhecedora profunda de bibliografias extra-terrestres, mas fato é que se pode tomá-lo como exemplo do que queremos compreender. Até porque quando Santo Agostinho se refere a trabalho penoso e misérias da vida, não está falando de estivadores ou de favelados, certo? Vimos isso nos encontros passados em que entendemos que muito do que consideramos como miserabilidade nada mais é do que um estado interior.

Exposto em 13-10-2010 por Fiorell@!

 

Capítulo III - Há muitas moradas na Casa de Meu Pai - parte VII

14 – Não obstante, não são todos os Espíritos encarnados na Terra que se encontram em expiação. As raças que chamais selvagens constituem-se de Espíritos apenas saídos da infância, e que estão, por assim dizer, educando-se e desenvolvendo-se ao contato de Espíritos mais avançados. Vêm a seguir as raças semicivilizadas, formadas por esses mesmos Espíritos em progresso. Essas são, de algum modo, as raças indígenas da Terra, que se desenvolveram pouco a pouco, através de longos períodos seculares, conseguindo algumas atingir a perfeição intelectual dos povos mais esclarecidos

Sirvo-me de um artigo da Revista Espírita de abril de 1862 que nos diz o seguinte: (...) Colocamos, de início, em princípio, que todas as faculdades, todas as paixões, todos os sentimentos, todas as aptidões estão na Natureza; que elas são necessárias à harmonia geral, porque Deus nada faz de inútil; que o mal resulta do abuso, assim como da falta de contrapeso e de equilíbrio entre as diversas faculdades. As faculdades não se desenvolvendo todas simultaneamente, disso resulta que o equilíbrio não pode se estabelecer senão com o tempo; que essa falta de equilíbrio produz homens imperfeitos, nos quais o mal domina momentaneamente. (...)

Esta parte é muito clara, ou seja, coloca-nos em igualdade com todas propriedades e criações da natureza, salvo características gerais predominantes, em nosso caso a inteligência. Por outro lado, vejam a colocação feita acerca do mal: o mal é resultante dos abusos cometidos. Palavras de Paulo, o apóstolo da sensatez: Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém, onde este irmão nos alerta de temos a liberdade e até mesmo o direto de agirmos em consonância com nosso desejo e até mesmo nossos instintos, mas ele nos lembra que não será tudo que haverá de nos ser benéfico. Vejam os exemplos tão comuns que vemos: comida em excesso gera flatulência, dores, diarréia e outros reflexos de indisposição na saúde; gastos compulsivos em lojas e compras nos geram contas que não conseguiremos arcar; minutos e momentos de prazer, onde somos guiados pelos nossos instintos mais primitivos, inclusive aqueles que relegam a família em detrimento de seus prazeres, acabam por gerar rompimentos familiares e desafetos por longas datas, enfim, eis que tudo podemos realizar, mas o custo disso tudo será válido?

Todas estas colocações nos levam a uma reflexão bem simples: a diversidade entre seres humanos e a existência do mal é em decorrência de nosso próprio grau de compreensão destas verdades simples. Já temos estas passagens há centenas de anos e não é de hoje que somos chamados à reflexão no tocante ao bom uso que podemos e devemos fazer das situações e de nosso livre-arbítrio. Alguns de nós já compreenderam isso de maneira exemplar, outros ainda estão em processo de compreensão e outros sequer conseguem conceber este tipo de raciocínio, debochando e rindo de qualquer pessoa que tente agir com ponderação e equilíbrio. Vejamos mais um trecho desta matéria da Revista Espírita:

(...) Tomemos, por exemplo, o instinto da destruição; este instinto é necessário, porque, na Natureza, é preciso que tudo se destrua para se renovar; é por isso que todas as espécies vivas são, ao mesmo tempo, agentes destruidores e reprodutores. Mas o instinto de destruição isolado é um instinto cego e brutal; ele domina entre os povos primitivos, entre os selvagens, cuja alma não adquiriu ainda as qualidades reflexivas próprias para regularem a destruição numa justa medida. O selvagem feroz pode, numa só existência, adquirir as qualidades que lhe faltam? Que educação dar-lhe-íeis, desde o berço, para fazerdes deles um São Vicente de Paulo, um sábio, um orador, um artista? Não; é materialmente impossível. (...)

Dentre aquilo que conseguimos conceber a respeito de Deus, este exemplo nos cala fundo: nada na natureza é feito de maneira errada ou descuidada. Aquilo que chamamos de imperfeição é a maneira pela qual fomos criados: simples e ignorantes, sujeitos à perfeição. E novamente ressaltamos: a natureza não dá saltos. Aquele que foi um selvagem feroz, não pode se transformar de uma encarnação á outra em um gênio do amor e da bondade. E assim se processam nossos sentimentos quando já civilizados: existe um caminho a percorrer para que lapidemos nosso orgulho, nossa vaidade e todas nossas imperfeições. Seguindo:

(...) E, no entanto, esse selvagem tem uma alma; qual é a sorte dessa alma depois da morte? É punida por seus atos bárbaros que nada reprimiu? Está colocada em posição igual à do homem de bem? Um não é mais racional que o outro? Está, então, condenada a permanecer eternamente num estado misto, que não é nem a felicidade e nem a infelicidade? Isso não seria justo; porque, se não é mais perfeita, isso não dependeu dela. Não podeis sair desse dilema senão admitindo a possibilidade de um progresso; ora, como pode progredir, se não for tomando novas existências? Poderá, direis, progredir como Espírito, sem retornar sobre a Terra. Mas, então, por que nós, civilizados, esclarecidos, nascemos na Europa antes que na Oceania? Em corpos brancos antes que em corpos negros? Por que um ponto de partida tão diferente, se não se progride senão como Espírito? Por que Deus nos isentou do longo caminho que o selvagem deve percorrer? Nossas almas seriam de uma outra natureza que a sua? Por que, então, procurar fazê-lo cristão? Se o fazeis cristão, é que o olhais como vosso igual diante de Deus; se é vosso igual diante de Deus, porque Deus vos concede privilégios? Agiríeis inutilmente, não chegaríeis a nenhuma solução senão admitindo, para nós um progresso anterior, para o selvagem um progresso ulterior; se a alma do selvagem deve progredir ulteriormente, é que ela nos alcançará; se progredimos anteriormente, é que fomos selvagens, porque, se o ponto de partida for diferente, não há mais justiça, e se Deus não é justo, não é Deus. Eis, pois, forçosamente, duas existências extremas: a do selvagem e a do homem mais civilizado; mas, entre esses dois extremos, não encontrais nenhum intermediário? Segui a escala dos povos, e vereis que é uma cadeia não interrompida, sem solução de continuidade. Ainda uma vez, todos esses problemas são insolúveis sem a pluralidade das existências. (...)

Gente, embora essa leitura tenha sido um pouco extensa, o que nos dá uma visão detalhada do raciocínio aqui exposto, também nos deixa com a simples resposta de que todos os seres humanos possuem alma e a diferença na evolução se por conta da utilização de sua inteligência e livre-arbítrio no decorrer de centenas de anos e até mesmo de séculos a fio. Por que não podemos considerar o selvagem um animal? Porque ele é racional. Gostaria de fazer um pequeno parênteses: Ué, mas já cansei de ouvir dizer que animal tem alma. E tem sim, mas a alma do animal é tão semelhante à alma do homem como a do homem é semelhante à de Deus. Entre o vagão do maquinista e o último vagão tem vários outros. Se o vagão do maquinista é Deus podemos compreender que a nossa alma é o último vagão e que existem várias outras entre Ele e nós, que se diferenciam justamente pela depuração individual. Para quem quiser saber mais sobre a parte relativa aos animais, consulte o Livro dos Espíritos, capítulo XI que trata de Os Três Reinos. Aliás, em breve, quem quiser saber mais sobre os animais e assuntos correlacionados, poderá também acessar o site Os Pequeninos de Francisco que está sendo preparado com muito carinho pelas meninas Cafifi (nossa irmãzinha lá do Portal LEMA), Aninha, Claudia Paz e Luz de Lanterna. Prosseguindo:

Os Espíritos em expiação aí estão, se assim nos podemos exprimir como estrangeiros. Já viveram em outros mundos, dos quais foram excluídos por sua obstinação do mal, que os tornava causa de perturbação para os bons. Foram relegados, por algum tempo, entre os Espíritos mais atrasados, tendo por missão fazê-los avançar, porque trazem uma inteligência desenvolvida e os germes dos conhecimentos adquiridos. È por isso que os Espíritos punidos se encontram entre as raças mais inteligentes, pois são estas também as que sofrem mais amargamente as misérias da vida, por possuírem mais sensibilidade e serem mais atingidas pelos atritos do que as raças primitivas, cujo senso moral é mais obtuso.

A palavra ‘excluído’ está aí até que de forma bonita, porque estes cabras, que no fundo podem ser qualquer um de nós, foram banidos dos mundos de onde vieram, ou seja, foram expulsos por não fazerem jus ou por não terem merecimento em ali permanecer diante da evolução que se processou. Assim serão aqueles que perderem a oportunidade de praticar o bem, de renovarem seus sentimentos e suas más tendências. E a transição se fará de maneira profunda e não apenas selecionando os que matam dos que não matam, porque tirar a paz de espírito de uma pessoa é matar; alimentar-lhe sonhos e esperanças e depois deixar-lhe à deriva é o mesmo que roubar e assim sucessivamente. Somos chamados constantemente a refazermos nossos passos e se insistirmos nos erros, nas provocações e nas represálias, traremos as consequências para nós mesmos, posto que ninguém colhe de terras alheias.

Entenderam o modus operandis das leis divinas ou daquilo que chamamos de vida? As raças mais primitivas não sentem, por exemplo, o baque de um assassinato em família e a sua evolução não lhes permitirá mostrar ao autor algo diferente daquilo que foi praticado, posto que estão todos no mesmo patamar evolutivo. Para as raças mais inteligentes e mais evoluídas, eis a oportunidade prática e de ensino daquilo que já aprenderam, dando da outra face e demonstrando as leis de amor e justiça apregoadas pelo Cristo. Tarefa árdua, não? Principalmente quando é alguém de nosso seio familiar ou fraterno que é ‘levado à força’. No entanto, agiremos com igual barbárie ou faremos como na explicação abaixo:

15 – A Terra nos oferece, pois, um dos tipos de mundos expiatórios, em que as variedades são infinitas, mas têm por caráter comum servirem de lugar de exílio para os Espíritos rebeldes à lei de Deus. Nesses mundos, os Espíritos exilados têm de lutar, ao mesmo tempo, contra a perversidade dos homens e a inclemência da natureza, trabalho duplamente penoso, que desenvolve a uma só vez as qualidades do coração e as da inteligência. È assim que Deus, na sua bondade, torna o próprio castigo proveitoso para o progresso do Espírito.

O mal não existe por criação de Deus. O castigo tão pouco. É a dureza de nosso coração e a permanência em mal utilizar nosso livre-arbítrio que nos deixa sujeitos a estas intempéries e dificuldades. A partir do momento em que nos melhorarmos realmente, passaremos a outro degrau evolutivo e assim subsequentemente. Estaremos livres de todo o mal que queiram nos causar ou que possa nos afetar? Não, ainda lidaremos com ele, Mas à maneira de exemplos vivos da evolução e da depuração, chegando ao patamar do Mestre Jesus e até mesmo mais além, posto que assim ele nos asseverou. Como sequência temos o item Mundos Regeneradores e também é Santo Agostinho quem nos orienta:

16 – Entre essas estrelas que cintilam na abóbada azulada, quantas delas são mundos, como o vosso designados pelo Senhor para expiação e provas! Mas há também entre elas mundos mais infelizes e melhores, como há mundos transitórios, que podemos chamar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, girando no espaço em torno de um centro comum, arrasta consigo mundos primitivos, de provas, de regeneração e de felicidade. Já ouvistes falar desses mundos em que a alma nascente é colocada, ainda ignorante do bem e do mal, para que possa marchar em direção a Deus, senhora de si mesma, na posse do seu livre-arbítrio. Já ouvistes falar das amplas faculdades de que a alma foi dotada, para praticar o bem. Mas ai!, existem as que sucumbem! Então Deus, que não quer aniquilá-las, permite-lhes ir a esses mundos em que, de encarnações em encarnações podem fazer-se novamente dignas da glória a que foram destinadas.

Não é um João-ninguém quem está nos relatando isso. Isto é ensinamento da espiritualidade superior e cabe a nós perceber a grandiosidade de Deus. A propósito recebemos um PPS interessante da meimeimenina falando acerca dos estudos realizados e constantes lá na espiritismo.org (em breve estará disponível para download aqui mesmo.)

Exposto em 20-10-2010 por Fiorell@!

 

Capítulo III - Há muitas moradas na Casa de Meu Pai - parte VIII

117 – Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os felizes. A alma que se arrepende, neles encontra a paz e o descanso, acabando por se purificar. Sem dúvida, mesmo nesses mundos, o homem ainda está sujeito às leis que regem a matéria. A humanidade experimenta as vossas sensações e os vossos desejos, mas está isenta das paixões desordenadas que vos escravizam. Neles, não há mais o orgulho que emudece o coração, a inveja que o tortura e o ódio que os asfixia. A palavra amor está escrita em todas as frontes; uma perfeita equidade regula as relações sociais; todos manifestam a Deus e procuram elevar-se a Ele, seguindo as suas leis.

Falamos aqui se atitudes, palavras e sentimentos concretos. Não falamos de pretensões e atitudes dúbias escondidas em vaidade, orgulho e egoísmo. Estas criaturas não necessitam falar que são amor ou que são luz: percebe-se isso a cada gesto seu e através de seu próprio ser. Para nós, encarnados aqui na Terra, eis o lembrete: quem é algo não precisa bater no peito feito galo madrugador e ficar alardeando aos 4 ventos. Aqui sabemo-nos espíritas. Em determinados momentos é importante que nos posicionemos, mas nunca que nos escondamos e nos escusemos atrás do rótulo de espíritas, cristãos, ou seja, lá o que for. Se somos plenos e sinceros naquilo que estamos alardeando, não será necessário alardear, será visível e inquestionável. Prosseguindo com as bem-aventuranças alcançadas:

Nesses mundos, contudo, ainda não existe a perfeita felicidade, mas a aurora da felicidade. O homem ainda é carnal, e por isso mesmo sujeito às vicissitudes de que só estão isentos os seres completamente desmaterializados. Ainda tem provas a sofrer, mas estas não se revestem das pungentes angústias da expiação. Comparados à Terra, esses mundos são mais felizes, e muito de vós gostariam de habitá-los, porque representa a calma após a tempestade, a convalescença após uma doença cruel. Menos absorvido pelas coisas materiais, o homem entrevê melhor o futuro do que vós, compreende que são outras as alegrias prometidas pelo Senhor aos que tornam dignos, quando a morte ceifar novamente os seus corpos, para lhes dar a verdadeira vida. É então que a alma liberta poderá pairar sobre os horizontes. Não mais os sentidos materiais e grosseiros, mas os sentidos de um perispírito puro e celeste, aspirando às emanações de Deus, sob os aromas do amor e da caridade, que se expandem do seu seio.

18 – Mas, ah!, nesses mundos o homem ainda é falível, e o Espírito do mal ainda não perdeu completamente o seu domínio sobre ele. Não avançar é recuar, e se ele não estiver firme no caminho do bem, pode cair novamente em mundos de expiação, onde o esperam novas e mais terríveis provas. Contemplai, pois, durante a noite, na hora do repouso e da prece, essa abóbada azulada, e entre as inumeráveis esferas que brilham sobre as vossas cabeças, procurai as que levam a Deus, e pedi que um mundo regenerador vos abrisse o seu seio, após a expiação na Terra.

IV – Progressão dos Mundos - SANTO AGOSTINHO - Paris, 1862
19 – O progresso é uma das leis da natureza. Todos os seres da Criação, animados e inanimados, estão submetidos a ela, pela bondade de Deus, que deseja que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que parece, para os homens, o fim das coisas, é apenas um meio de levá-las, pela transformação, a um estado mais perfeito, pois tudo morre para renascer, e nada volta para o nada.
Ao mesmo tempo em que os seres vivos progridem moralmente, os mundos que eles habitam progridem materialmente. Quem pudesse seguir um mundo em suas diversas fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos da sua constituição, o veria percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas em graus insensíveis para cada geração, e oferecer aos seus habitantes uma morada mais agradável, à medida que eles também avançam na senda do progresso. Assim marcham paralelamente os progressos do homem, o dos animais seus auxiliares, o dos vegetais e o das formas de habitação, porque nada fica estacionário na natureza.

Quanto esta idéia é grandiosa e digna da majestade do Criador! E como, ao contrário, é pequena e indigna do seu poder aquela que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia da Terra, e restringe a humanidade a algumas criaturas que o habitam!
A Terra, seguindo essa lei, esteve material e moralmente num estado inferior ao de hoje, e atingirá, sob esses dois aspectos, um grau mais avançado. Ela chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de mundo expiatório a mundo regenerador. Então os homens encontrarão nela a felicidade, porque a lei de Deus a governará.

Bem... tudo muito bonito, muito elevado, mas a pergunta não quer calar: como faço para chegar lá? Com tanta dor, sofrimento, angústia, preocupação e um amontoado de coisas, como é que terei tempo e cabeça para galgar esse caminho? Como é que eu vou chegar lá se me sinto uma pulga num elefante? Realmente, parece tão distante, tão difícil e inalcançável, não? Ficamos a repetir que teremos a oportunidade de centenas de anos e dezenas de encarnações para conseguir isso. Alguns ainda dirão que não são perfeitos e quem quiser que os aceite como são, porque estão fazendo a parte que lhes cabe. Recheados de humildade e simplicidade, claro. Então qual o caminho? Que tal irmos pelo mais simples?

Muitos já devem conhecer a obra que citarei. Outros devem tê-la estudado na Casa Espírita que freqüentam, outros devem achá-la simplória por demais... Fato é que a simplicidade é a tônica de todas as coisas. Este livro é um roteiro precioso e não tão fácil de ser seguido como possa parecer.

Prosseguiremos com estes estudos na próxima quarta-feira, dia 03-11-10,  às 20h50. Contamos com tua presença.

Exposto em 27-10-2010 por Fiorell@!

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