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O Evangelho Segundo o Espiritismo 

Estudos da Moral Cristã Sob a Ótica do Espiritismo
Estudo abordado a partir de 01 de abril de 2009

Estudos anteriores e atuais:

- Primeira Parte - de Explicação a Autoridade da Doutrina
- Notícias Históricas até Resumo da Doutrina de Sócrates
- Capítulo II do ESE

- Capítulo III do ESE

- Capítulo IV do ESE

- Capítulo V do ESE

 

 

Capítulo I - As três revelações - parte I

Ao estudarmos a introdução ao O Evangelho Segundo o Espiritismo, pudemos encontrar muitas coisas que serão vistas no decorrer desta obra. A última que abordamos, o Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão, nos aproximou do aspecto moral e até religioso daquilo que veremos doravante. A própria analogia entre a Doutrina de Sócrates e Platão e os ensinamentos da Espiritualidade nos fez perceber aquilo que está enunciado neste primeiro capítulo: Não vim destruir a Lei.

O que pudemos perceber é que algumas coisas que o Mestre nos trouxe não são novidade e em certos casos, pareceu aos estudiosos que o Mestre Jesus poderia ter bebido de certas culturas, como os irmãos nazirenos que se isolavam ou deslocavam até o deserto, possuindo hábitos alimentares e fraternos levados com extrema seriedade, respeito e disciplina. Vejamos o que nos diz o ESE:

As Três Revelações: Moisés, Cristo e o Espiritismo
1 – Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destruí-los, mas para dar-lhes cumprimento. Porque em verdade vos digo que o céu e a Terra não passarão, até que não se cumpra tudo quanto está na lei, até o último jota e o último ponto. (Mateus, V: 17- 18)


“Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas completar (trazer o que faltava).” Eis uma tradução que se adequa melhor ao significado daquilo que o Mestre desejava expressar. Mais precisava ser acrescido à lei que conhecíamos e o Mestre estava incumbido de assim realizar. Ué? Mas já não tínhamos muitas leis e ensinamentos dos profetas? Será que nos faltava algo? “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.” S. Mateus 5:17-18
Vamos ver:

MOISÉS
2 – Há duas partes Distintas na lei mosaica: a de Deus, promulgada sobre o Monte Sinal, e a lei civil ou disciplinar, estabelecida por Moisés. Uma é invariável, a outra é apropriada aos costumes e ao caráter do povo, e se modifica com o tempo.

Temos visto isto e nem sempre compreendido. Estaria Moisés desautorizado diante Deus? Teria Moisés deturpado a essência daquilo que Deus queria? Ou teria adequado às necessidades e à capacidade de apreensão do povo àquela época? Moisés não é um ‘anjo decaído’, ou seja, conforme a crença acerca destes irmãos, não se rebelou contra os ensinamentos e a autoridade de Deus, pelo contrário adequou-as à capacidade de assimilação do povo à sua época. Contam os historiadores que Moisés viveu até os 120 anos, iniciando seu mandato junto a Deus por volta dos 40 anos. Entendemos que há duas partes diferentes nas Leis Mosaicas.

Como seria possível fazer aqueles homens entenderem determinadas coisas e preceitos se acreditassem em um Deus amoroso e não punitivo? O que iria lhes reprimir os maus instintos e as más tendências? Estariam preparados para isso? Vejam:

A lei de Deus está formulada nos dez mandamentos seguintes:
I – Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás deuses estrangeiros diante de mim. Não farás para ti imagens de escultura, nem figura alguma de tudo o que há em cima no céu, e do que há embaixo na terra, nem de coisa que haja nas águas debaixo da terra. Não adorarás nem lhes darás culto.


Lembram-se do que aconteceu enquanto Moisés subiu ao Monte? Alguns inquietos e enfadados se rebelaram e tomaram a frente do povo, incitando-lhes à festa, às orgias e à adoração. Foram feitos bezerros de ouro que eram adorados e toda sorte de heresias foram cometidas em nome das festividades e comemorações pela saída do Egito. Parece que os mandamentos já estavam sob encomenda, né? Prosseguindo:

II – Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.

Juro por deus que nunca falo o nome dele atoa...ôps... Pois é....afora aquilo que fazemos com as criancinhas: Deus vai te castigar, Deus ta vendo, Deus me livre, Deus me guarde e por aí vai. Reconhecer a presença de Deus em nossa vida é muito mais do que despejar em suas ‘costas’ toda sorte de coisas ou prevenções que norteiam nosso viver. Até a brincadeira é ao invés de falar Jesus, falar Gesuis. No que diz respeito aos maus hábitos, vão-se os anéis e ficam os dedos, ou seja, trocamos as letras, mas sabemos que estamos citando alguém que é muito mais do que nossos sustos e admirações cotidianas.

Por outro lado será somente isto o não pronunciar o nome de Deus em vão ou até mesmo escrevê-lo com um tracinho? Ou será termos consciência da existência do criador e m nosso viver e saber respeitar-lhe os méritos e a sabedoria? Outro dia alguém comentou que respeitar o nome de Deus é não lhe atribuir nada de mal, como por exemplo: “Fulano morreu, graças a Deus’. Fica a dúvida, afinal graças a Deus que ele morreu é o problema ou achar que Deus mata? Entenderam como mesmo querendo evidenciar Deus de forma justa nos tornamos impiedosos?

III – Lembra-te de santificar o dia de sábado.

Tentaram fazer do sábado uma pedra no sapato de Jesus e se deram mal, lembram-se?Veremos isso mais adiante, por enquanto lembra-te de santificar o sábado era um ‘marco’ para a aliança selada junto aos filhos de Israel, que deveriam consagrar o sábado a Deus, reverenciando-O e enaltecendo-O por terem sido por Deus libertados do Egito.

Existem controvérsias, onde se afirma que para aqueles que pensam que o Sábado é uma instituição criada apenas para judeus, basta ler o relatório do Gênesis, quando Deus o estabeleceu para Adão e Eva, ou seja, para a humanidade e devia permanecer para recordar o Poder Criador: Na Palavra de Deus lemos: “Assim, foram acabados os céus e a terra, e todo o seu exército. E havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” Gên. 2:1-3.

O que deveria ter ficado gravado em nosso ser é que, pelo menos uma vez na semana, seria ideal que nos desligássemos de tudo e nos ligássemos profundamente a Deus. O que não significa que devemos estar em cumes, cavernas ou riachos, mas sim em sintonia com o Criador, agradecendo-lhe pela vida. Porém, aprendemos que estar com Deus é muito mais do que rituais ou até mesmo posturas exteriores. Por isso voltaremos a falar do sábado quando falarmos de Jesus mais adiante.

IV – Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma dilatada vida sobre a terra que o Senhor teu Deus te há de dar.

Lá no capítulo XIV do ESSE falaremos acerca deste mandamento, mas não podemos nos furtar á reflexão a que ele conclama, principalmente nos dias de hoje. Estamos sendo caridosos para com nossos pais? Criaturas falhas, imperfeitas, mas que se propuseram a nos receber em seu lar para que todos evoluíssemos e até quem sabe resgatássemos nossos débitos em conjunto. Nem sempre é fácil, mas está lá: honrar pai e mãe! E isso é mais do que apenas dar-lhes casa e comida.

Honrar pai e mãe, não apenas os nossos mas os outros também. Os de nossos amigos, os de nossos desconhecidos, os de nossos companheiros de jornada e assim por diante. Se nos reportássemos com mais respeito aos genitores, talvez nossos filhos pudessem ser criaturas menos revoltadas e mais amorosas. Lembram do texto tigela de madeira? Tocante e que nos leva, justamente, a pensar que hoje somos filhos e amanhã seremos pais ou por alguém seremos cuidados.

O texto pode ser visto em forma de PPS em nosso site da
Momento Fraterno na página de PPS

Exposto em 09-06-2010 por Fiorell@!

 

 

Capítulo I - As três revelações - parte II

Como vamos por partes, eis que no encontro passado iniciamos a abordagem dos 10 mandamentos deixados por Moisés, numa alusão não apenas à época, mas também aos nossos dias atuais. O próximo é:

V – Não matarás.

Observando-se pelo passado, não matarás é bem fácil, não? Não matamos o corpo físico e pronto. Mas será que depois de tudo que temos aprendido o não matarás é algo tão limitado e restrito? Será que não pode ser observado por ângulos diferentes?

Tudo aquilo que destruímos é uma morte. Aquilo que desprezamos morre aos nossos olhos. Aquilo que desperdiçamos morre perante a sua utilidade. Os sentimentos que causamos nas pessoas podem ser mortais. Enfim, eis que quanto mais nos é dado, mais nos é cobrado. Quantas pequenas situações podemos entender como sendo pequenas mortes que causamos? Ah, isso é exagero e até uma obsessão! Será gente? Que pensam vocês?

VI – Não cometerás adultério.

Vamos às considerações. Adultério é 1. Violação da fidelidade conjugal. 2. Falsificação, adulteração. Cometer adultério. 2. Viciar dolosamente a qualidade de uma coisa, juntando-lhe outras mais ordinárias que passam despercebidas à simples vista. Imitar ou adulterar ardilosamente, fraudulentamente. Adulterar. 3. Contrafazer. Fraude. 1. Más artes que causam dolo. 2. Má-fé. 3. Candonga. 4. Contrabando. De forma bondosa: pia fraude: mentira ou engano para fim piedoso. Engano 1. Ato! ou efeito de enganar. 2. Artifício empregado para enganar. 3. Ilusão. 4. Burla logro. 5. Traição. 6. Erro de quem se engana. Trás-os-M. levar ao engano: desflorar, desvirginar. Enganar -
1. Empregar enganos. 2. Iludir, lograr, induzir em erro. 3. Seduzir. 4. Pregar uma peça (por brincadeira). 5. Adormecer. 6. Cometer erro involuntário. 7. Errar. 8. Não acertar. 9. Iludir-se. Enganar a fome: comer só o suficiente para não sentir o tormento da fome. Virgindade 1. Estado de uma pessoa virgem. 2. Por ext. Pureza; candura. Candura 1. Qualidade do que é cândido. 2. Brancura puríssima. 3. Embarcação das Maldivas. 4. Fig. Pureza. 5. Credulidade ingênua.

Acho que já dá parar pararmos os elos por aqui, não? Dia destes estava conversando com uma criatura e falamos por alto do perdão, quando ela me disse: “Eu já perdôo até o meu pior inimigo”. Se colocarmos a palavra perdão no lugar da palavra adultério, será que podemos afirmar isso de forma tão enfática? Será que realmente sabemos o que é perdoar na profundidade de sua significação?

E quando olhamos o não cometerás adultério? Agora que vimos a extensão da palavra, será que nossa consciência nos permitirá pensar que adultério é apenas a infidelidade conjugal? Aliás, a infidelidade conjugal que para alguns só ocorre diante das ‘vias de fato’, vamos abordar mais à frente, no nono mandamento e veremos que também não é fácil dizer que não desejamos a mulher do próximo.

Lembram-se de uma frase que diz: Sábio é aquele que reconhece os limites da própria ignorância? A mais conhecida é aquela ‘Só sei que nada sei’, ambas de Sócrates. As variantes destas frases e aquilo que temos aprendido é que quando julgamos que tudo sabemos, eis que algo desponta como novo para aprendermos. Vejamos o não furtarás.

VII – Não furtarás.

Para esclarecer a o que vem este mandamento, cabe lembrar que furtar não é uma forma bonita de falar roubar e sim contém uma sutil diferença. Furtar é tirar sem que a pessoa perceba e roubar é levar diante da presença dela. Assim sendo, furtar também pode ser considerado como enganar ou levar algo que não nos pertence.

Recebemos o troco errado e nos calamos. Nós não roubamos, não fomos lá cometer este ato, mas diante do engano alheio nos calamos, então cometemos o furto. Deixamos alguém acreditar que somos livres e descompromissados emocionalmente – estamos permitindo que ela se apaixone por nós, embora não exista nossa intenção em alimentar tal relacionamento – estamos furtando seu coração, seu sentimento. Não vou me alongar neste item, ta? Basta tomar como exemplo o não cometerás adultério e o não matarás e teremos pano para manga, digo, chão para reflexão. Uma sugestão é tentarmos estudar isso em grupo e detidamente. Quem sabe alguém não se dispõe a encabeçar este estudo, descompromissadamente? Como colaboração, deixarei em nosso site um artigo de um Reverendo de Campinas, da igreja presbiteriana, muito interessante e bem focado nas passagens bíblicas – Não Furtarás. (em breve).

VIII – Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

Como passagens Bíblicas temos: Não levantarás falso boato, e não pactuarás com o ímpio, para seres testemunha injusta (Êxodo 23.1). Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda darás testemunho, acompanhando a maioria, para perverteres a justiça (Êxodo 23.2). Afinal, a testemunha que fala a verdade salva vidas, mas a testemunha falsa é enganosa (Provérbios 14.25). Gente, falso testemunho não é apenas aquilo que sucedia à época dos Hebreus em que a justiça era feita apenas pelo testemunho verbal, onde a palavra de uma pessoa podia condenar ou salvar alguém.

Judicialmente, hoje, podemos contrapor uma palavra trazendo provas e a minúcia com que elas podem ser recrutadas é surpreendente, mas não é isso que nos compete analisar. Olhem como são abrangentes as enumerações bíblicas e como elas também podem se desdobrar nos mais variados assuntos e temas de nosso viver. Para facilitar podemos chamar falso testemunho de fofoca, maledicência, mentira, calúnia.

Puxa...mais um trem para abordarmos de forma profunda. Que legal seria se alguém resolvesse estudar esse trem em profundidade e trazer todas as vertentes e raízes para que o grupo compartilhasse. Pensem com carinho nisso. Tem horas que o Lásaro, nosso amigo, me fala (e a muitas outras pessoas), que se nos norteássemos apenas pelo Sermão da Montanha, já teríamos um grande referencial de vida.

Já vislumbraram os mandamentos? Parecem tão singelos aos nossos olhos, né? Não mato, não roubo, não condeno e por ai vai. Já percebemos que não é só isso, muito mais está inserido nestes mandamentos e podemos trazê-los para o momento atual com uma riqueza ímpar! Um estudo do Êxodo diz o seguinte: Todos precisamos falar, porque não sabemos viver sem falar. Nós nos constituímos falando. Uma palavra (um nome) nos identifica. Uma palavra nos abate. Uma palavra nos levanta. Uma palavra povoa nossos lábios de riso. Uma palavra sulca os nossos olhos com lágrimas. Porque precisamos falar, precisamos aprender a controlar a fala, para não sermos controlados por ela.

Palavra é vida. Se simplificarmos e alinhavarmos estas colocações, chegaremos à seguinte conclusão: não dirás falso testemunho contra o teu próximo é não alardear a mentira, a calúnia, a difamação, o desânimo, a palavra morta (e nisto temos um extenso braço a ser analisado) e a aquilo que não temos condições de julgar. Um juiz precisa ter conhecimento dos fatos e imparcialidade para julgar. Nós, para falarmos, deveríamos ter noção exata do que estamos falando e saber a consequência que estas palavras causam.

Se palavra é vida e pensamento também, temos de ir mais fundo e analisar também aquilo que temos pensado. Com que tem se ocupado nossa mente? O que temos pensado e, em muitos casos, falado acerca da vida, de nós e do próximo? Como temos nos comportado diante de Deus através de nosso pensar e falar? Testemunhar, então, é o equivalente a vivenciar nossa fala. Que temos testemunhado?

Exposto em 16-06-2010 por Fiorell@!

 

 

Capítulo I - As três revelações - parte III

IX – Não desejarás a mulher do próximo.

(...) Em qualquer das listagens desses Mandamentos, verificamos que eles são impostos aos homens, com exclusão, embora implícita, das mulheres. Naquela sociedade hebraica do tempo de Moisés, impunha-se o “patriarcado” e a Mulher não passava dum mero pertence do Homem. As duas listagens de Mandamentos, conquanto não difiram muito, não são idênticas quanto à norma do procedimento a ter com a mulher do próximo. (...) Pode parecer uma diferença sutil, mas é muito significativa.

(...) Ora, analisando estes dois preceitos, conforme as diferentes redações, verificamos que o termo “cobiçar” não significaria cometer adultério, porquanto existia um mandamento já dedicado a esse tipo de prevaricação. Assim, “cobiçar” poderia ter o significado de desejar possuir, ter como coisa sua. E de fato, no “Êxodo”, a mulher, está misturada com as coisas, os bens pertencentes ao Homem, só no trecho do Deuteronômio, a mulher aparece em primeiro lugar, pois no trecho transcrito do Êxodo, a mulher figura em segundo lugar da lista, ficando depois de terem citado a “casa”. E parece-nos ter havido alguma preocupação de listar os bens do próximo, pela ordem da sua importância, uma vez que primeiramente apresentam os essenciais e só no fim citam as restantes “coisas” dos pertences do “próximo”.

A Mulher teria ganho alguma importância no seio da família patriarcal no período decorrido entre a redação do primeiro texto, Êxodo, e a do segundo, Deuterônimo.

O adultério, atrás referido naquela listagem de Mandamentos, não se referia à mulher, nem ao adultério do Homem em relação à respectiva esposa, mas ao ato sexual entre um homem e a esposa doutro homem, pois existia o costume da poligamia na sociedade judaica, portanto não poderia nesse regime de união conjugal, haver adultério dum homem em relação à esposa. (...) Ou seja, o mandamento VI estaria protegendo o homem de sair traído pela sua esposa, mas não o impedia de assim proceder, já que sua esposa era apenas uma posse e não alguém com igualdade de direitos.

Agora chega a ferida em que acredito devamos mexer, refletir e adequar aos nossos dias: (...) Não existe, portanto, um mandamento impedindo a mulher de cobiçar o marido da próxima, mas existia posteriormente a condenação à morte, da mulher casada que fosse parceira do adultério, cometido por um homem, em relação ao marido dela. Assim, uma mulher solteira, viúva, ou desquitada não cometeria adultério se cobiçasse e copulasse com o marido doutra, nem este cometeria adultério, porque ao homem, era permitido ter esposas e concubinas.

Este critério machista permaneceu ao longo dos séculos, diminuiu com Jesus Cristo, mas continuou com São Paulo e veio até aos nossos dias, impedindo as mulheres de exercer as funções de sacerdotisa. No entanto, Jesus Cristo trouxe uma noção diferente de adultério. Dizia o Mestre Nazareno: – Mas eu vos digo todo o que repudiar a sua mulher, a não ser por causa de prostituição, a faz ser adúltera e o que tomar a repudiada, comete adultério. (Mateus 5 – 32) (...), ou seja, divórcio nem por justa causa. Se fosse por conta da mulher ser adúltera, essa teria de morrer. Se por ventura não morresse e alguém casasse com ela, eis que esse alguém estaria pecando e cometendo o adultério. Uffa...

Agora vejam que interessante o evangelho de São Mateus aceito pela igreja cristã, mais especificamente (...) a Católica Apostólica Romana: – Eu porém, digo-vos que todo o que olhar para uma mulher, cobiçando-a, já, no seu coração adulterou com ela.” ( Mateus 5 – 28 ).

Só para enfatizar, boa parte de minhas colocações estão calcadas no texto de Lopes Vieira, cuja íntegra reproduzirei em nosso site (em breve) e em determinados pontos torna-se distante de nossas concepções, pois este irmão não é espírita, mas servir-me-ei de suas palavras para levantar mais uma lebre:

(...) Mesmo este preceito ( o do evangelho de Mateus) não deixa de ser um exagero, pois olhar para uma mulher não lhe tira bocado. O Mestre Nazareno referia-se a pecar por ações e até por pensamentos. Não há crime sem “ato”. Este é um princípio do Direito moderno. O Mestre queria ir ao fundo da questão e mexer com os sentimentos incontroláveis do ser humano, mexer nos sentimentos e culpar-nos do que não temos culpa. Devemos, pelo contrário, ter respeito por quem olhe para uma mulher com desejo de possuí-la, mas que se controle pela razão e não a provoque, deixando-se ficar pelo desejo. (...).

Pronto!! Os donos de revistas pornôs e companhia bella, que contratam ou pagam cachê a mulheres casadas, já estão tranqüilos,assim como os respectivos maridos, afinal, olhar não tira pedaço. Mas aqui é que a porca torce o rabo, gente!! Será que para nós espíritas, olhar apenas, não tira pedaço??

Vigiai, eis o conselho. Mas vigiar o quê? A vida alheia? Ou nossos atos, palavras e pensamentos? Não estamos sós. Estamos envolvidos por quantidade indescritível de espíritos. Alguns querem nosso progresso, outros nossa derrocada, outros apenas estão participando do oba-oba, outros estão buscando auxílio, outros são comandados e por aí vai.

Este autor, o Lopes Vieira, disse que em certo momento Jesus exagerou e quis explorar nossa consciência de culpa dizendo que o Mestre (...) queria ir ao fundo da questão e mexer com os sentimentos incontroláveis do ser humano, mexer nos sentimentos e culpar-nos do que não temos culpa. (...).

Agora também ficou bom, né gente? Não temos culpa e nem responsabilidade pelos nossos desejos? Somos animais irracionais e não sabemos que o nosso direito termina onde começa o do vizinho?

(...) A Organização das Nações Unidas alterou, ainda há pouco tempo, o título da declaração dos direitos das pessoas, enquanto tais, para “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, evitando a velha discriminação da Mulher, pois a designação anterior, como se sabe, inspirava-se ainda nos velhos tempos da Revolução Francesa, referindo-se apenas ao Homem, com o significado de Ser Humano.
Em face de se ter eliminado a discriminação com base no sexo, ou melhor, em virtude da igualdade de direitos humanos entre as pessoas de ambos os sexos, a religião judaico-cristã deveria adaptar-se à nova situação e recompor a redação do 9º Mandamento, dando-lhe um teor deste gênero: 9º - Não cobiçar o cônjuge alheio (...)

Exposto em 23-06-2010 por Fiorell@!

 

 

Capítulo I - As três revelações - parte IV

Bem, é com muita alegria que temos tentado organizar os estudos detalhados destes mandamentos e Balchy está se esforçando para este ínterim. Já nos adiantou que teremos aproximadamente 2 meses de estudos, uma vez à semana e que os encontros iniciar-se-ão no dia 15 de julho, aqui no PALTALK. Tanto é que não me alongarei neste último, deixando a ele a responsabilidade maior de detalhá-lo no momento oportuno. Vamos lá ao décimo mandamento:

X – Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem outra coisa alguma que lhe pertença.

A grama do vizinho sempre é mais bonita, né gente? Esse trem da cobiça e da inveja só faz descarrilar nosso viver. Quantas vezes desejamos algo que nem sequer necessitamos. Criamos uma competição surda e os resultados são desastrosos. Desejar algo, verificar que alguém possui algo que talvez nos fosse útil e buscar os mecanismos lícitos e honrosos para adquirir estes trens, não deixa de ser uma mola propulsora benéfica. Porém, se sempre que vemos algo com alguém e também queremos ter, aí já mora um problema muito sério.

Quando nosso desejo adquire proporções desmedidas, esquecemos da moralidade, do respeito, da fraternidade e apenas queremos saciar este desejo. É assim com relacionamentos amorosos, com relacionamentos profissionais, escolares, trabalhistas e assim por diante. Cuidemos para ter apenas do que realmente necessitamos e, em acreditando que seja necessário, pesemos a real necessidade. Prosseguindo:

(...) Esta lei é de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, um caráter divino. Todas as demais são leis estabelecidas por Moisés, obrigado a manter pelo temor um povo naturalmente turbulento e indisciplinado, no qual tinha de combater abusos arraigados e preconceitos adquiridos durante a servidão do Egito. Para dar autoridade às leis, ele teve de lhes atribuir uma origem divina, como o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. (...)

Não podemos nos esquecer de um foco importantíssimo. Ainda que Moisés fosse um médium poderosíssimo e tivesse como tarefa representar Deus perante ao povo, ele também podia estar sujeito a falhas e interferências. Fato é que o último mandamento, por exemplo, encontra ressalvas no que diz respeito á coerência do que é dito daquilo que pretensamente era esperado por Deus. Alegam irmãos de outras doutrinas que Deus jamais teria ditado um mandamento que cita a servidão (não cobiçar servo e serva) levando-se em conta que Ele mesmo acabara de libertar o povo da escravidão do Egito. Estes detalhes não podem ser analisados assim de forma única, haja vista o fato de que os próprios mandamentos ainda continham o cunho machista e excludente referente às mulheres, por exemplo. Mas como sempre lembramos, assim foi necessário e para modificar essa necessidade, passaram longos anos até que tivemos a chegada do Mestre Jesus que nos mostrou a diferença daquilo que fazíamos acreditando como ser de Deus do que realmente pertencia a Ele.

(...) A Autoridade do homem devia apoiar-se sobre a autoridade de Deus. Mas só a idéia de um Deus terrível podia impressionar homens ignorantes, em que o senso moral e o sentimento de uma estranha justiça estavam ainda pouco desenvolvidos. É evidente que aquele que havia estabelecido em seus mandamentos: “não matarás” e “não farás mal ao teu próximo”, não poderia contradizer-se, ao fazer do extermínio um dever. As leis mosaicas, propriamente ditas, tinham, portanto, um caráter essencialmente transitório.(...)

Transitoriedade que ainda não encontrou ressonância em muitos de nós, quando ainda adulteramos, roubamos e matamos, quando ainda não compreendemos os ensinamentos que o Mestre veio nos ofertar, sempre em nome do Pai, Criador de tudo e de todos.


CRISTO
(...)3 – Jesus não veio destruir a lei, o que quer dizer: a lei de Deus. Ele veio cumpri-la, ou seja: desenvolvê-la, dar-lhe o seu verdadeiro sentido e apropriá-la ao grau de adiantamento dos homens. Eis porque encontramos nessa lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que constitui a base de sua doutrina. Quanto às leis de Moisés propriamente ditas, ele, pelo contrário, as modificou profundamente, no fundo e na forma. Combateu constantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, e não podia fazê-las passar por uma reforma mais radical do que as reduzindo a estas palavras: “Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”, e ao acrescentar: “Esta é toda a lei e os profetas”. (...)

Os judeus não conseguiram apreender o significado mais profundo da lei. Apegaram-se ao aspecto exterior da lei, sem nunca refletirem sobre sua validade mais profunda; O sábado, por exemplo, se tornou uma forma de controle e manipulação religiosa – sua espiritualidade passou a ser avaliada pela guarda do sábado. Um aspecto exterior, que não descia para o coração daquelas pessoas.

Este conceito torna-se muito forte nos dias de Jesus. Por esta razão, ele faz razão de confrontar a atitude superficial e dramática a que a questão do sábado foi submetida. Em vários textos dos Evangelhos, Jesus é acusado seriamente por não guardar o sábado. O que Jesus queria, na verdade é que as pessoas entendessem que o foco delas nesta questão estava errado.

Muito ainda era equivocado nas interpretações, tanto é que se aguardava um justiceiro e não um Cordeiro de Deus. Aguardávamos um rei guerreiro, vaidoso e de grandes ostentações e eis que aparece o Mestre Jesus montado em um jumento, nascido em uma manjedoura junto aos animais de um estábulo. Para muitos, a pergunta era uma só: Era isso que Deus estava enviando?

O escárnio e o deboche se fizeram junto àqueles que não queriam modificar a vida num contexto igualitário, mas apenas mudar os comandados, os desafortunados e os pobres, claro que para bem longe deles mesmos. E Jesus veio mostrando que a sua preocupação não eram as posses, mas sim os sentimentos sinceros perante aos desígnios de Deus.

Para segui-lo muitos foram chamados a abandonar todos os seus bens e os seus, mas muito mais um exercício de desapego do que um movimento de sem Terras. Aliás, hoje o movimento de sem terras é muito mais para que tenham terras do que para outra coisa. Jesus não queria pobres de espírito, queria pobres de orgulho, vaidade e ostentação.

Exposto em 30-06-2010 por Fiorell@!

 

 

Capítulo I - As três revelações - parte V

Por estas palavras: “O céu e a terra não passarão, enquanto não se cumprir até o último jota”, Jesus quis dizer que era necessário que a lei de Deus fosse cumprida, ou seja, que fosse praticada sobre toda a terra, em toda a sua pureza, com todos os seus desenvolvimentos e todas as suas conseqüências. Pois de que serviria estabelecer essa lei, se ela tivesse de ficar como privilégio de alguns homens ou mesmo de um só povo? Todos os homens, sendo filhos de Deus, são, sem distinções, objetos da mesma solicitude.

E aqui entramos naquele ponto que conversamos em encontros passados, sobre a desigualdade entre homens e mulheres. Já é um exemplo daquilo que Jesus veio fazer cumprir em se tratando da maneira como as mulheres eram tratadas em caso de adultério. Muitas outras coisas, como o dever filial, o reconhecimento de Deus como criador justo e amoroso foram os ensinamentos que o Mestre veio enfatizar junto a nós. Ele já principiou a nos fazer perceber que nós deveríamos nos modificar para que o mal não se perpetuasse ou retornasse em nosso viver (vá e não peques mais). Seguindo:

4 – Mas o papel de Jesus não foi simplesmente o de um legislador moralista, sem outra autoridade que a sua palavra. Ele veio cumprir as profecias que haviam anunciado o seu advento. Sua autoridade decorria da natureza excepcional do seu Espírito e da natureza divina da sua missão. Ele veio ensinar aos homens que a verdadeira vida não está na Terra, mas no Reino dos Céus, ensinar-lhes o caminho que os conduz até lá, os meios de se reconciliarem com Deus, e os advertir sobre a marcha das coisas futuras, para o cumprimento dos destinos humanos.

Encontramos isso comumente naqueles que se dizem conhecedores da vida e dos ensinamentos do Mestre Jesus. Por conta destes conhecimentos, todos se tornam juízes da postura alheia, acusadores dos erros que ainda mantemos e moralistas inócuos. Muitos de nós, quando conhecemos um pouco mais acerca da moral, ao invés de exemplificá-la, colocamo-nos como delatores das falhas e fraquezas alheias. Muitas vezes é em caso de defesa, quando somos acusados de algo, mas ainda assim é necessário vigiemos.

O que não compreendemos é que o próprio Mestre mais do que exigir, veio cumprir profecias que anunciavam a sua chegada e também, em momento algum, deixou de sujeitar-se às leis humanas, como o foi com sua própria crucificação. Sua missão era excepcionalmente gigante diante das suas próprias necessidades enquanto encarnado e entendamos aqui necessidades de encarnados como possuir família, como usufruir dos prazeres da matéria ou até mesmo zelar por sua própria segurança ao não aceitar a injusta crucificação.

Ao contrário do que encontramos comumente na humanidade (embora tenhamos bellíssimos exemplos no sentido oposto) é a de preservar-se primeiramente sua integridade e depois os interesses eternos. Ontem no estudo lá no Portal Lema, falávamos justamente da evolução da família, algo que vem sendo enfatizado e cultivado com respeito e justeza, por ser o caminho que se torna diametralmente oposto á animalidade e à individualidade. Imaginem quando compreendermos a extensão verídica da família universal!

Diante do aprendizado de pequenas coisas, como este relacionamento fraterno e universal, temos angariado subsídios para compreendermos a verdadeira vida a que o Mestre veio nos chamar, a vida eterna e contida no chamado Reino dos Céus. O Mestre trouxe-nos algo que não possuíamos: o caminho. Até então, com Moisés, possuíamos o referencial do que não devíamos fazer (eis os 10 mandamentos), mas com a chegada do Mestre Jesus enfatizou-se aquilo que deveríamos realizar, exercitar e percorrer, eis aí o resumo de todos os mandamentos que eram proibitivos em um único mandamento de amor, bondade e conduta: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo. Vejamos mais:

Não obstante, ele não disse tudo, e sobre muitos pontos limitou-se a lançar o germe de verdades que ele mesmo declarou não poderem ser então compreendidas. Falou de tudo, mas em termos mais ou menos claros, de maneira que, para entender o sentido oculto de certas palavras, era preciso que novas idéias e novos conhecimentos viessem dar-nos a chave. Essas idéias não podiam surgir antes de um certo grau de amadurecimento do espírito humano. A ciência devia contribuir poderosamente para o aparecimento e o desenvolvimento dessas idéias. Era preciso, pois, dar tempo à ciência para progredir.

O fato disso tudo nos dizer, não torna o Mestre Jesus um inovador, mas apenas alguém que vem com a autoridade necessária (a concedida por Deus Criador), para que enfatize as leis Eternas e mostre-nos como levá-las avante para o próprio bem e aprimoramento da humanidade. Porém tudo deveria se encaminhar conforme o tempo individual de cada criatura e o tempo da coletividade e, por conta disso, o Mestre apenas nos deixou entrever algumas verdades e ensinamentos que já poderíamos compreender e, no entanto, vejam que longo estágio temos realizado perante a escola da vida. Dois séculos e trá-lá-lá e ainda queremos deturpar ensinamentos e convencioná-los às nossas necessidades egoísticas.

Temos parábolas que não conseguimos apreender e sequer compreender, quanto mais colocar em uso no nosso dia-a-dia. Já perceberam a profundidade da parábola das núpcias? E a parábola do amigo que chega de distante? Estudá-las, compreendê-las e praticá-las é fazer valer a vinda do Mestre. Como fazemos isso? Através das chamadas novas idéias e dos novos conhecimentos, não aqueles inventados, mas aqueles que nos fornecem verdadeiramente a chave da compreensão destes ensinamentos.

Por isso nosso amadurecimento se faz necessário. Quem tem mais de 30 ou 40 anos já deve ter se pego na seguinte frase: “Ah se eu soubesse disso quando era mais novo!”. Com muita probabilidade é capaz que soubéssemos disso quando novos, mas daí a querer aceitar ou até mesmo estarmos aptos a compreender, não é mesmo?

Quantas e quantas vezes um puxãozinho de orelha não nos é benéfico? Hoje mesmo tomei um e entendo que foi necessário. É como falar para os filhos sentarem-se direito à mesa, segurarem os talheres com as mãos corretas, manterem a postura na carteira escolar, não comer na frente da TV. Coisas que na tenra idade não compreendemos mas que com o peso dos anos vamos aprendendo, seja pela dor seja pela necessidade de corrigirmos aos que nos são caros.

Exposto em 07-07-2010 por Fiorell@!

 

 

Capítulo I - As três revelações - parte VI

No que diz respeito a Moisés, Jesus e a ciência, percebemos que tudo tem transcorrido através do tempo individual de cada um. E se a ciência necessitou de tempo para progredir, cá estamos nós, as criaturas que fazem a ciência acontecer, necessitados também de tempo para o aprendizado, para a compreensão e para a prática dos entendimentos amealhados. No que tange à moralidade e aos ensinamentos do Cristo, eis que a ciência desdobrou-se e tem trazido inúmeras conquistas, mas antes mesmo de sua manifestação, eis que algo já nos fazia divisar novos horizontes e esse algo é o Consolador prometido pelo Mestre Jesus.

O ESPIRITISMO
5 – O Espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo material. Ele nos mostra esse mundo, não mais como sobrenatural, mas, pelo contrário, como uma das forças vivas e incessantemente atuantes da natureza, como a fonte de uma infinidade de fenômenos até então incompreendidos, e por essa razão rejeitados para o domínio do fantástico e do maravilhoso.

Vocês sabem por que neste trecho Kardec refere-se à Doutrina Espírita como algo palpável e não envolto por coisas inexplicáveis? Justamente porque até então o conhecimento profundo de algumas coisas era de exclusividade de poucos e a maneira como eram repassados ou até mesmo aceitos pelos que dele tomavam esclarecimento, era superficial e envolto em mistérios, para que poucos pudessem deter o domínio sobre muitos, mesmo em se tratando de evolução.

Oras, mas como aqueles que vieram habitar nosso planeta e que já dispunham da ‘maturidade’ necessária para adquirir determinados conhecimentos podem ter feito com que estes conhecimentos fossem tão negligenciados a tantos quantos? Se tomarmos por medida que existem várias moradas na casa do Pai e, ainda, que existem outros mundos similares ao nosso tanto em grau de adiantamento como em grau de atraso, eis que não nos surpreende entender que irmãos que aqui encarnaram estavam fazendo mais um resgate do que uma caridade, porque vieram com todo seu conhecimento e toda sua ciência para terras inóspitas, para povos atrasados e vivências em desacordo com aquelas que talvez já estivessem habituados. E por quê? Porque possuíam da maturidade, mas não necessariamente da moralidade.

Receberam os ensinamentos, como muitos de nós hoje também já recebemos, mas não colocaram em prática, muito pelo contrário, desperdiçaram inúmeras oportunidades benditas de refazimento, de testemunho e até mesmo de recebimento da ajuda ou do amparo ofertados. Irmãos que como nós, precisaram vivenciar determinadas situações e passar por determinados caminhos para que aprendessem e para que dessem de si próprios em benefício próprio e coletivo, mas que desperdiçaram a oportunidade.

Se foram acomodados, como nós o somos hoje, imaginem o choque que não lhes foi ao ‘acordarem’ em novo ambiente, distantes de todas as aquisições que supostamente já se achavam merecedores? Por isso, gente, se alguém for chamado ao trabalho edificante, corra e vá! Se alguém for convidado a refletir sobre posturas errôneas, engula o orgulho e vá! O tempo urge e se alguém pensa que morrer e voltar será mais fácil sinto em dizer, mas está muito enganado, tanto é que todos estes flagelos e doenças que temos visto são apenas um desencadear inicial de processos de expurgo e renovação. Depois que todos estiverem quites com os débitos, vão querer da oportunidade que agora desperdiçaram, mas terão de voltar ao primeiro ano letivo...

O que me faz lembrar de excelente mensagem de Emmanuel aos médiuns e que a Ieda deve ter e talvez possa disponibilizar no site da Momento. Esta mensagem nos recorda que a mediunidade não é uma medalha de honra ao mérito, mas antes, grande instrumento para quitar débitos do pretérito. Prosseguindo:

É a essas relações que o Cristo se refere em muitas circunstâncias, e é por isso que muitas coisas que ele disse ficaram ininteligíveis ou foram falsamente interpretadas. O Espiritismo é a chave que nos ajuda a tudo explicar com facilidade.

Quantas coisas pareciam distantes de nosso entendimento e diante da Doutrina Espírita se tornam tão claras, não? Simples e básico, isso todos nós já vimos, presenciamos e sentimos em nós mesmos. Prossigamos:

6 – A lei do Antigo Testamento está personificada em Moisés, a do Novo Testamento, no Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus. Mas não está personificado em ninguém, porque ele é o produto do ensinamento dado, não por um homem, mas pelos Espíritos, que são as vozes do céu, em todas as partes da Terra e por inumerável multidão de intermediários. Trata-se, de qualquer maneira, de uns seres coletivos, compreendendo o conjunto dos seres do mundo espiritual, cada qual trazendo aos homens o tributo de suas luzes, para fazê-los conhecer esse mundo e a sorte que nele os espera.

Este consolador prometido pelo Mestre Jesus, possui o seu respaldo e o seu alicerce, mas não está em uma única criatura, tanto é que Kardec não é o Pai da Doutrina Espírita, mas sim seu Codificador. Com as potencialidades e confiança que lhes eram peculiares, organizou a chegada deste consolador, o Espiritismo, mas não criou e nem inventou nada.

E este fato faz toda a diferença. O Consolador prometido não veio de alguém que subiu ao monte, não foi anunciado por profetas, não foi descoberto em algum evento filantrópico, mas antes, é fruto da coletânea dada por diversos espíritos e estudadas de maneira desprendida e racional.

7 – Da mesma maneira que disse o Cristo: “Eu não venho destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento”. Também diz o Espiritismo: “Eu não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe cumprimento”. Ele nada ensina contrário ao ensinamento do Cristo, mas o desenvolve completa e explica, em termos claros para todos, o que foi dito sob forma alegórica. Ele vem cumprir, na época predita, o que o Cristo anunciou, e preparar o cumprimento das coisas futuras. Ele é, portanto, obra do Cristo, que o preside, assim como preside ao que igualmente anunciou: a regeneração que se opera e que prepara o Reino de Deus sobre a Terra.

Este comentário sentimos comumente na pele: para algumas pessoas somos uma espécie de anti-cristos ou até mesmo de seguidores cegos de um homem que se esconde atrás de um pseudônimo. Metade da confusão se dá quando alegam que não respeitamos a bíblia e nem seguimos os ensinamentos cristãos. Porém, para quem já prestou um pouco de atenção nestes primeiros encontros, pôde perceber que o que a Doutrina Espírita oferta é justamente a compreensão desprendida de conceitos interesseiros daquilo que o Mestre e a bíblia nos trouxeram.

Inúmeras deturpações são encontradas na Bíblia e nos próprios ensinamentos do Cristo, misticismos são alimentados, preconceitos são alardeados e disparates são ditos. A clareza com que a Doutrina Espírita nos envolve, inclusive com as ferramentas necessárias para reconhecermos quando alguém fala em seu nome de maneira embusteira ou equivocada, faz com que sejamos todos dignos dos esclarecimentos e das luzes. Não existem iniciados ou detentores de regalias dentro da Doutrina Espírita, pelo menos daquela que eu conheço.

Todos somos iguais, temos as mesmas possibilidades de aprendizado e de crescimento e a única diferença que nos caracteriza é justamente o empenho que cada um dedica ao seu próprio aprimoramento e os débitos que cada um possui. Às vezes alguém vem e nos diz: ‘você é iluminado, tuas palavras são cheias de luz’, como se fôssemos os escolhidos da realeza espiritual e a grande verdade é que somos os grandes devedores perante a consciência eterna e apenas estamos aproveitando da oportunidade misericordiosa que nos foi ofertada.

A quem muito foi dado, muito será cobrado. Deixar determinadas atividades de nosso cotidiano, reconhecer o nosso próximo mais do que a nós mesmos, enunciar a prece de Francisco de Assis e senti-la em nosso âmago, engolir em seco diante de injúrias e perseguições, faz parte de nosso crescimento e aprimoramento. Titubeamos ainda, mas já estamos no caminho e todos podem seguir por esta estrada florida. Sempre lembrando, que esta perfumosa estrada também possui espinhos e obstáculos, intempéries e barreiras que nós mesmos criamos ou que por nós precisam ser superadas.

Exposto em 14-07-2010 por Fiorell@!

 

 

Capítulo I - As três revelações - parte VII

Aliança da Ciência com a Religião
8 – A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana. Uma revela as leis do mundo material, e a outra as leis do mundo moral. Mas aquelas e estas leis, tendo o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se umas forem à negação das outras, umas estarão necessariamente erradas e as outras certas, porque Deus não pode querer destruir a sua própria obra. A incompatibilidade, que se acredita existir entre essas duas ordens de idéias, provém de uma falha de observação, e do excesso de exclusivismo de uma e de outra parte. Disso resulta um conflito, que originou a incredulidade e a intolerância.

Temos visto isso no decorrer dos estudos aqui abordados, que a dificuldade de interpretação e a necessidade de sermos os detentores da verdade é que tem nos causado grande dificuldade em admitir o que quer que seja. Em dados momentos, temos o mesmo assunto abordado sob aspectos diferentes, mas que se complementam. Em momentos gritantes, vemos a análise de determinados contextos e sua conseqüente nomeação, mas que são e significam a mesma coisa já denominadas e até compreendidas pela grande maioria.

Eis o que temos visto através das diversas ‘descobertas’ de coisas que já foram vistas e estudadas, mas que mudaram de nome por conta de quem resolveu abordá-las. Dentro da psicanálise temos o ego –superego e mais um trem que esqueci o nome e dentro da análise transacional estes mesmos aspectos são abordados por outro ângulo e denominados como pai – filho e adulto.

São chegados os tempos em que os ensinamentos do Cristo devem receber o seu complemento; em que o véu lançado intencionalmente sobre algumas partes dos ensinos deve ser levantado, em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, deve levar em conta o elemento espiritual; e em que a Religião, deixando de desconhecer as leis orgânicas e imutáveis, essas duas forças, apoiando-se mutuamente e marchando juntas, sirvam uma de apoio para a outra. Então a Religião, não mais desmentida pela Ciência, adquira uma potência indestrutível, porque estará de acordo com a razão e não se lhe poderá opor a lógica irresistível dos fatos.

Dia destes recebi um e-mail, do Marcio, falando acerca da aceitação por parte da medicina daquilo que nós chamamos de obsessão. É um grande salto para a união de ciência e espiritualidade. Como dia destes em que conversávamos acerca da força de determinadas doenças e a criatura dizia que para aquela situação em específico não cabia religiosidade, bom ânimo ou o que quer que seja. É caso perdido porque é e pronto. Gente, recuso-me a aceitar!

Essa recusa me fortalece e abre portas para que o ‘sobrenatural’ aconteça. Essa recusa é meu passaporte para a obtenção não de milagres, mas de transformações palpáveis onde só era possível ver tristeza, dor e desânimo. Creio, confio e sigo! Quero e buscarei. Ah, mas quem tem a doença não pode pensar como você. Não pode ou não tenta? Não tenta ou não quer? Não quer ou não te disciplina?

Quem disse que é fácil? Quem disse que todo dia é dia de sorrisos ou de venturas? Dias são que nos aprecem nublados e fadados á escuridão, mas se eu desanimar, não será apenas aquele dia ou aquele período, será a eternidade até que eu mude o rumo do meu pensar e do meu querer. Ah, você é forte. Desculpas sempre virão, gente e enquanto dermos força a elas, sucumbiremos!

Se tudo vem ao seu tempo, mostrando que a própria religião tão rechaçada pela ciência e pela própria medicina encontrar respaldo também chegará em seu ápice, quem somos nós para desacreditar de nós mesmos, os responsáveis para que todo esse processo ocorra. Sim! Somos os responsáveis pelo processo de fortalecimento da religião, não aquela que apregoa falsas verdades ou até mesmo dogmas e protecionismos, mas a religião que nos religa ao Criador e nos dá subsídios indestrutíveis para que caminhemos de mãos dadas não apenas com a nossa fé e os nossos desejos espirituais, mas também com as necessidades materiais. Imaginaram a união de ambas as forças?

A Ciência e a Religião não puderam entender-se até agora, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, repeliam-se mutuamente. Era necessária alguma coisa para preencher o espaço que as separava, um traço de união que as ligasse. Esse traço está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal, leis tão imutáveis como as que regulam o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez constatadas pela experiência essas relações, uma nova luz se fez: a fé se dirigiu à razão, esta nada encontrou de ilógico na fé, e o materialismo foi vencido.

A fé se dirigiu à razão. Vejam que interessante. No livro Painéis da Obsessão, cujas sinopses estão sendo enviadas diariamente, vislumbramos como a tuberculose afeta as pessoas, seja em forma de traumas causados, seja em forma de emoções vividas. É a fé espiritual apontando respostas palpáveis para a existência de determinadas doenças. Uma psicóloga, ou seja, uma criatura que estuda o comportamento humano, fez um estudo (ou seja, uma ciência), acerca das doenças e das emoções relativas às mesmas. Ela não ficou pensando na doença e criou analogias, mas em vista de amostragem dos diversos casos que atendera, deu vazão a estes resultados.

A própria medicina (uma ciência), como já vimos acima, tem aceitado e até mesmo estudado a interferência do chamado mundo religioso ou espiritual na cura e nas doenças. Afora os pequenos pulos de gato que nada mais são a identificação de determinados minerais ou vitaminas que são perdidos nos alimentos após o processo de industrialização que nada possuem de sobrenatural, mas tão somente a associação do estudo, da prática e das intuições recebidas. Vejamos mais:

Mas nisto, como em tudo, há os que ficam retardados, até que sejam arrastados pelo movimento geral, que os esmagará, se quiserem resistir em vez de se entregarem. É toda uma revolução moral que se realiza neste momento, sob a ação dos Espíritos. Depois de elaborada durante mais de dezoito séculos, ela chega ao momento de eclosão, e marcará uma nova era da humanidade. São fáceis de prever as suas conseqüências: ela deve produzir inevitáveis modificações nas relações sociais, contra o que ninguém poderá opor-se, porque elas estão nos desígnios de Deus e são o resultado da lei do progresso, que é uma lei de Deus.

Muitos, realmente, estacionaram no tempo e ficam como Kardec diz: retardados perante a evolução. Mas, se nenhuma ovelha se perderá, eis que estas criaturas também serão chamadas a prosseguir, em princípio em arrastamento e, quando desejos, através da lucidez e do discernimento. Quando vemos o ponto que nossos irmãos ainda se encontram lá pelas bandas do Oriente, percebemos como é verídica a colocação de Kardec. Quantos e quantos ainda regem suas vidas através de mortes coletivas provocadas pela loucura ou até mesmo pela aceitação cega daquilo que se denominam leis de Deus. Guerras sangrentas que ainda não terão fim, mas cujos envolvidos estão sendo resgatados e redirecionados a novos tempos e a novas realidades. Puxa, não nos esqueçamos de orar por estes irmãos, cuja insanidade beira totalmente o distanciamento daquilo que Deus verdadeiramente espera de nós e por nós realizou. A pretexto disto, vejamos a primeira parte das instruções dos Espíritos.

Instruções dos Espíritos A NOVA ERA por UM ESPÍRITO ISRAELITA Mulhouse, 1861
9 – Deus é único, e Moisés o Espírito que Deus enviou com a missão de fazê-lo conhecer, não somente pelos hebreus, mas também pelos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento de que Deus se serviu para fazer sua revelação, através de Moisés e dos Profetas, e as vicissitudes da vida desse povo foram feitas para chocar os homens e arrancar-lhes dos olhos o véu que lhes ocultava a divindade.

Só um detalhe: nenhum sofrimento é vão ou improfícuo. De tudo é possível e até esperado que se retire proveito, inclusive a dor e o sofrimento.

Os mandamentos de Deus, dados por Moisés, trazem o germe da mais ampla moral cristã. Os comentários da Bíblia reduziam-lhes o sentido, porque, postos em ação em toda a sua pureza, não seriam então compreendidos. Mas os Dez Mandamentos de Deus nem por isso deixaram de ser o brilhante frontispício da obra, como um farol que devia iluminar para a humanidade o caminho a percorrer.

A moral ensinada por Moisés era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos chamados à regeneração. E esses povos, semi-selvagens quanto ao aperfeiçoamento espiritual, não teriam compreendido a adoração de Deus sem os holocaustos ou sacrifícios, nem que se pudesse perdoar a um inimigo. Sua inteligência, notável no tocante às coisas materiais, e mesmo em relação às artes e às ciências, estava muito atrasada em moralidade, e eles não se submeteriam ao domínio de uma religião inteiramente espiritual. Necessitavam de uma representação semimaterial, como a que então lhes oferecia a religião hebraica. Os sacrifícios, pois, lhes falavam aos sentidos, enquanto a idéia de Deus lhes falava ao espírito.

O Cristo foi o iniciador da mais pura moral, a mais sublime: a moral evangélica, cristã, que deve renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los fraternos; que deve fazer jorrar de todos os corações humanos a caridade e o amor do próximo, e criar entre todos os homens uma solidariedade comum. Uma moral, enfim, que deve transformar a Terra, fazê-la morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. É a lei do progresso, a que a natureza está sujeita, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca de que Deus se serve para elevar a humanidade.

São chegados os tempos em que as idéias morais devem desenvolver-se, para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de Deus. Elas devem seguir o mesmo roteiro que as idéias de liberdade seguiram, como suas precursoras. Mas não se pense que esse desenvolvimento se fará sem lutas. Não, porque elas necessitam, para chegar ao amadurecimento, de agitações e discussões, a fim de atraírem a atenção das massas. Uma vez despertada a atenção, a beleza e a santidade da moral tocarão os Espíritos, e eles se dedicarão a uma ciência que lhes traz a chave da vida futura e lhes abre a porta da felicidade eterna. Foi Moisés quem abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá.

Percebam, no entanto, que muitos ainda estão totalmente envolvidos pelos ensinamentos anteriores ao Mestre Jesus. Já pararam para pensar que, dentro da incessante obra da Criação, que estes espíritos não são apenas espíritos atrasados que não saíram do mesmo lugar, mas também espíritos que provém de outras partes em franco processo de evolução e crescimento frente ao que eram anteriormente? Se Deus não pára de criar e o ciclo se processa não apenas em nosso orbe, quem não nos garante que estes irmãos são criaturas que evoluíram de outros mundos e não apenas espíritos enclausurados na mesmice espiritual?

Exposto em 28-07-2010 por Fiorell@!

 

Capítulo I - As três revelações - parte VIII

FÉNELON Poitiers, 1861 nos diz:
10 – Um dia, Deus em sua inesgotável caridade, permitiu ao homem ver a verdade através das trevas. Esse dia foi o do advento de Cristo. Depois do vivo clarão, as trevas se fecharam de novo. O mundo, após alternativas de verdade e obscuridade, novamente se perdia. Então, semelhantes aos profetas do Antigo Testamento, os Espíritos começaram a falar e a vos advertir. O mundo foi abalado nas suas bases: o trovão ribombará; sedes firmes!

Só um pequeno parênteses neste trecho. Vocês já tomaram conhecimento de quantas vezes Deus foi banido da história por atos de criaturas que se julgavam acima deste Poder Superior e que, por conta da autoridade e até mesmo abrangência que possuíam, conduziram povos e nações aos extremos da falta de fé até a decretação da morte de Deus? A França tão questionada pelas pessoas por ser o berço da Doutrina Espírita e ali encontrar menos adeptos que em muitos outros lugares, passou por revoluções incontáveis, ora chamando o povo a ser pagão, ora convocando-o a adorações particularistas.

Uma vez mais vemos ali a inesgotável caridade de Deus, ao permitir que Allan Kardec ali reencarnasse com a difícil tarefa não apenas de fixar Deus, mas também ensinamentos de difícil aceitação por um povo que estava habituado a ver Deus entrar e sair de suas vidas conforme ia entrando e saindo Nobres e Potentados. Assim o foi com Jesus e o berço do cristianismo, como vocês bem devem se recordar. Prosseguindo:

O Espiritismo é de ordem divina, pois repousa sobre as próprias leis da natureza. E crede que tudo o que é de ordem divina tem um objetivo elevado e útil. Vosso mundo se perdia. A ciência, desenvolvida com o sacrifício dos interesses morais, vos conduzia unicamente ao bem estar material, revertendo-se em proveito do espírito das trevas. Vós o sabeis, cristão; o coração e o amor devem marchar unidos à ciência. O Reino do Cristo, ai de nós! após dezoito séculos, e apesar do sangue de tantos mártires, ainda não chegou. Cristãos, voltai para o Mestre que vos quer salvar. Tudo é fácil para aquele que crê e que ama: o amor o enche de gozo inefável. Sim, meus filhos, o mundo está abalado. Os bons Espíritos vo-lo dizem sempre. Curvai-vos sob o sopro precursor da tempestade, para não serdes derrubados. Quero dizer: preparai-vos e não vos assemelheis às virgens loucas, que foram apanhadas desprevenidas à chegada do esposo.

Quando olhamos estupefatos detalhes da criação, seja o desenho e colorido de uma flor ou de uma borboleta, até a engrenagem perfeita que move um único órgão de nosso corpo, não temos como não reconhecer ali a ordem divina, o poder de criação de Deus a se estabelecer. Quantas barbáries foram cometidas não apenas em nome do orgulho e da vaidade, mas também da Ciência? Assim o era em nome da Religião também! E no entanto, como generosamente nos recorda Fénelon, a ciência não pode marchar isoladamente, do contrário, os sacrifícios desnecessários continuarão a ser feitos em nome de um bem-estar pretensamente necessário.

 Não se constrói vidas com a morte de outras. Não fazemos nossa felicidade ás custas da tristeza alheia. Passaram-se os anos e até mesmo os séculos e o anúncio persiste: o mundo está abalado e interesses distantes da luz galgam degraus de forma acelerada por conta de nossa invigilância e de nossa ganância. Ainda assim estamos sendo chamados e alertados, para que não sejamos pegos de calças curtas.

A revolução que se prepara é mais moral do que material. Os grandes Espíritos, mensageiros divinos, insuflam a fé, para que todos vós, obreiros esclarecidos e ardentes, façais ouvir vossa humilde voz. Porque vós sois o grão de areia, mas sem os grãos de areia não haveria montanhas. Assim, portanto, que estas palavras: “Nós somos pequenos”, não tenha sentido para vós. A cada um a sua missão, a cada um o seu trabalho. A formiga não constrói o seu formigueiro, e animaizinhos insignificantes não formam continentes? A nova cruzada começou: apóstolos da paz universal, e não da guerra, modernos São Bernardos, olhai para frente e marchai! A lei dos mundos é a lei do progresso.

Gente, se em 1861, às portas de toda a revolução tecnológica um Espírito de escol como Fénelon vem e nos diz que a revolução é mais moral do que material, que devemos pensar diante dos avanços desenfreados da tecnologia que vimos nestes últimos anos? Se com todo esse crescimento envolvendo tantas e tantas inovações para nosso conforto e bem-estar material, quem dirá o tanto que não se deve processar no âmbito que ninguém pode tocar, ou seja, nosso próprio eu?

E, ainda diante da amplitude a ser realizada e da imensidão que envolve cada existência e cada criatura, se nos sentirmos ou encontrarmos pensamentos destoantes de que nada somos ou valemos perante estas situações, lembremo-nos do aviso deste irmão: “ grãos de areia compõe a montanha’, assim como Madre Tereza nos disse: “pequenas gotas compõe o oceano”. Nossa união se faz necessária perante á grande marcha do amor a que fomos chamados.

Passados negros e conspurcados dando passagem a novos tempos de renovação, refazimento, união e fraternidade. Não será fácil e ninguém disse que seria. Além de todas as nossas próprias dificuldades pessoais, estaremos inseridos também nas dificuldades pessoais do nosso próximo, mas se não agirmos unidos, não construiremos e nem edificaremos. A próxima mensagem, de Erasto, nosso convoca a esta grande batalha, também:

ERASTO, discípulo de São Paulo - Paris, 1863 nos diz:
11 – Santo Agostinho é um dos maiores divulgadores do Espiritismo. Ele se manifesta por quase toda parte, e a razão disso a encontramos na vida desse grande filósofo cristão. Pertence a essa vigorosa falange dos Pais da Igreja, a que a Cristandade deve as suas mais sólidas bases. Como muitos, ele foi arrancado ao paganismo, ou melhor, diremos, a mais profunda impiedade, pelo clarão da verdade. Quanto, em meio de seus desregramentos, ele sentiu na própria alma a estranha vibração que o chamava para si mesmo e lhe fez compreender que a felicidade não estava nos prazeres enervantes e fugidos; quando, enfim, na sua Estrada de Damasco, ele também ouviu a santa voz que lhe clamava: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”; exclamou: “Meu Deus! Meu Deus perdoa-me, eu creio, sou cristão!” E desde então se tornou um dos mais firmes pilares do Evangelho.

Todos nós temos nossa passagem pela estrada de Damasco. Todos nós já fomos chamados a reconhecer a verdade e segui-la em proveito de nós mesmos e da humanidade. A velocidade com que a percorremos é variável, mas todos estamos a caminho. A forma como buscamos agir fervorosamente varia, mas todos nós estamos a postos para o bom combate. Quem de nós vira a face a um ente ou amigo que nos solicita palavras de consolo e de refazimento? Podemos até ofertar palavras nem tão ajustadas, mas todos já possuímos a centelha da solidariedade e da fraternidade que vibra dentro de nós, nos impelindo a sermos mais do que apenas espectadores frente às dores alheias.

Cabe a cada um de nós dosar a velocidade e a intensidade com que deseja se entregar a esta caminhada. Todos os caminhos são ásperos e difíceis, muitas portas não se abrirão, muitas ainda se fecharão, mas serão os caminhos do amor e da caridade que farão com que se abram verdadeiras clareiras onde só nos parecia haver pedras e montanhas. A chamada é para que sigamos em frente, porque a aspereza da jornada foi feita por nós mesmos em tempos idos. Finalizando as palavras de Erasto sobre Santo Agostinho, temos:

Podemos ler, nas notáveis confissões desse eminente Espírito, as palavras características e proféticas, ao mesmo tempo, que ele pronunciou ao ter perdido Santa Mônica. “Estou certo de que minha mãe virá visitar-me e dar-me o seu conselho, revelando-me o que nos espera na vida futura”. Que lição nestas palavras, e que brilhante previsão da futura doutrina! É por isso que hoje, vendo chegada a hora de divulgação da verdade, que ele já havia pressentido, faz-se o seu ardente propagador, e se multiplica, por assim dizer, para atender a todos os que o chamam.

Por vezes ouço uma pessoa extremamente católica dizer-me: ‘tua mãe te protege e está com você’, mas ela não consegue aceitar a idéia da reencarnação ou do contato com os espíritos. Oras, que é minha mãe, então? Assim apreendemos nas palavras de Santo Agostinho ao referir-se à Sra. sua mãe. Ela viria dar-lhe conselhos e ele mesmo já começava a divisar a realidade da vida espiritual, distante dos erros que cometera em torno do materialismo e da própria religião. Grande propagador da Doutrina Espírita, posto que é a doutrina do Cristo, o Consolador prometido pelo Mestre Jesus e tempo haverá que todas as idéias e ideais se unificarão, não restando distinções ou divisões.

NOTA – Santo Agostinho vem, por acaso, modificar aquilo que ensinou? Não, seguramente, mas como tantos outros, ele vê com os olhos do espírito o que não podia ver como homem. Sua alma liberta percebe claridade nova, e compreende o que antes não compreendia. Novas idéias lhe revelaram o verdadeiro sentido de certas palavras. Quando na terra, julgava as coisas segundo os conhecimentos que possuía, mas, quando uma nova luz se fez para ele, pode julgá-las com maior clareza.

Vejam que interessante, Santo Agostinho não está ligado apenas a uma determinada igreja ou religião, antes, é bem visto por várias delas. Na Igreja Católica, e na Igreja Anglicana, é um santo, e um importante doutor da Igreja, e o patrono da ordem religiosa agostinha; seu memorial é celebrado no dia 28 de agosto. Muitos protestantes, especialmente calvinistas, o consideram como um dos pais teólogos da Reforma Protestante ensinando a salvação e a graça divina. Na Igreja Ortodoxa Oriental ele é louvado, e seu dia festivo é celebrado em 15 de junho, apesar de uma minoria ser da opinião que ele é um herege, principalmente por causa de suas mensagens sobre o que se tornou conhecido como a cláusula filioque. Entre os ortodoxos é chamado de "Agostinho Abençoado", ou "Santo Agostinho o Abençoado" Eis o que ele se propõe sem o véu que lhe cobria os olhos materiais, á transcendência religiosa.

É assim que ele deve revisar sua crença referente aos espíritos íncubos e súcubos, bem como o anátema que havia lançado contra a teoria dos antípodas. Agora, que o Cristianismo lhe aparece em toda a sua pureza, ele pode, sobre certos pontos, pensar de maneira diversa de quando vivia, sem deixar de ser o apóstolo cristão. Pode, sem renegar a sua fé, fazer-se o propagador do Espiritismo, porque nele vê o cumprimento das predições. Ao proclamá-lo, hoje, nada mais faz do que conduzir-nos a uma interpretação mais sã e mais lógica dos textos. Assim também acontece com outros Espíritos, que se encontram numa posição semelhante.

Se em vida Agostinho já pode divisar o erro contido na crença que professava, o maniqueísmo,o que dirá não pode este espírito aberto ao conhecimento e á verdade divisar quando afastado da carne. Só recordando, o maniqueísmo é um trem onde acredita-se que as criaturas são regidas por Deus, o bem, ou pelo Diabo, o mal, e há o conceito de que existem duas almas, a boa e a má. Diante deste conceito, a pessoa não é livre nem responsável pelo mal que faz. Este lhe é imposto. Oras, aperceber-se deste erro e propagar a verdade nada mais do que aquilo que tanto enfatizamos: não nos basta resistir ao mal, é preciso combatê-lo. Semana que vem adentraremos ao Capítulo 2 – MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO – A vida futura.

Exposto em 04-08-2010 por Fiorell@!

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